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Ciência

A NASA mudou seus planos para voltar à Lua, e a nova estratégia envolve SpaceX e Blue Origin

A agência espacial americana prepara uma operação inédita envolvendo empresas rivais, diferentes foguetes e encontros no espaço. O plano pode definir quem levará astronautas de volta à Lua.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Mais de meio século depois da última caminhada humana na Lua, os Estados Unidos enfrentam um desafio muito diferente daquele da era Apollo. Não basta construir um foguete poderoso e enviar astronautas ao espaço. Agora, a NASA precisa fazer veículos desenvolvidos por empresas concorrentes trabalharem juntos, enquanto a China avança em seu próprio programa lunar. Para cumprir o calendário, a agência decidiu apostar em uma missão extraordinariamente complexa, com um detalhe inesperado.

A missão Artemis III terá três foguetes e duas empresas concorrentes

A NASA apresentou em 23 de outubro novos detalhes sobre a missão Artemis III, prevista para 2027.

Diferentemente do planejamento original, a Artemis III não levará astronautas à superfície lunar.

Em vez disso, será uma operação experimental em órbita baixa da Terra, destinada a verificar se os sistemas necessários para o futuro pouso tripulado conseguem funcionar em conjunto.

O plano envolve três lançamentos de grandes foguetes durante uma mesma campanha.

A Blue Origin deverá enviar uma versão experimental do módulo lunar Blue Moon Mark 2 utilizando seu foguete New Glenn.

Depois, quatro astronautas partirão na cápsula Orion, lançada pelo Space Launch System (SLS), da NASA.

A terceira etapa envolverá a Starship, transportada pelo sistema Super Heavy, da SpaceX.

Durante aproximadamente 14 dias, os veículos deverão executar encontros e manobras de acoplamento em órbita.

O objetivo será avaliar navegação, comunicações, procedimentos operacionais e a compatibilidade entre os diferentes sistemas.

Segundo Jeremy Parsons, responsável pelo programa Artemis, a missão pretende demonstrar uma operação conjunta envolvendo três espaçonaves lançadas por três foguetes diferentes.

O desafio vai muito além de realizar os lançamentos: todos os veículos precisarão alcançar órbitas compatíveis e executar movimentos precisos sem colocar a tripulação em risco.

SpaceX e Blue Origin precisam provar que seus módulos lunares funcionam

Embora as duas empresas disputem protagonismo no retorno à Lua, suas soluções tecnológicas são bastante diferentes.

A SpaceX desenvolve uma versão da Starship adaptada para pousar na superfície lunar.

Por ser uma espaçonave de grandes dimensões, ela dependerá de transferências de combustível em órbita antes de seguir viagem.

Esse procedimento, especialmente com propelentes criogênicos, ainda precisa ser demonstrado nas condições exigidas pelo programa.

A Blue Origin aposta no módulo Blue Moon Mark 2, que utilizará uma arquitetura com estágios propulsores adicionais.

A empresa também precisa concluir testes de voo e validar sistemas fundamentais para transportar astronautas com segurança.

Durante a Artemis III, a tripulação deverá entrar no módulo experimental da Blue Origin para avaliar determinadas funções internas, incluindo condições de habitabilidade e suporte à vida.

Já no caso da Starship, não está prevista a entrada dos astronautas durante essa missão.

A NASA afirma que ambas as empresas simplificaram aspectos de seus projetos para tentar cumprir o calendário de 2028.

Mesmo assim, os desafios técnicos continuam significativos.

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© Blue Origin

A próxima missão será decisiva para o retorno dos astronautas à Lua

O grande objetivo está na Artemis IV, planejada para o início de 2028.

Essa missão deverá transportar astronautas até a região do polo sul lunar, realizando o primeiro pouso tripulado desde a Apollo 17, em dezembro de 1972.

Entretanto, a NASA ainda não definiu qual empresa fornecerá o módulo responsável pela descida à superfície.

A escolha entre Starship e Blue Moon dependerá do avanço dos testes e da demonstração de que cada sistema atende aos requisitos de segurança.

Por isso, a agência pretende manter as duas alternativas em desenvolvimento.

A estratégia busca reduzir a dependência de um único fornecedor e oferecer maior flexibilidade caso algum projeto sofra atrasos.

A Artemis III terá justamente a função de verificar componentes essenciais dessa arquitetura antes que uma tripulação seja enviada para pousar na Lua.

A corrida espacial contra a China aumenta a pressão sobre o calendário

Além dos desafios tecnológicos, existe uma disputa geopolítica importante.

A China mantém o objetivo de realizar seu primeiro pouso lunar tripulado antes de 2030.

Os Estados Unidos, por sua vez, pretendem retornar à superfície em 2028 e estabelecer uma presença humana mais duradoura no satélite natural.

Entretanto, a pressão por resultados não elimina a necessidade de testes rigorosos.

Transferências de combustível, acoplamentos orbitais e sistemas de pouso precisam funcionar de maneira confiável antes de transportar astronautas.

A grande novidade é que a NASA decidiu transformar a Artemis III em um ensaio orbital envolvendo Orion, Starship e Blue Moon, preparando o caminho para uma tentativa de pouso lunar na Artemis IV.

A estratégia revela uma aparente contradição: para tentar chegar à Lua mais rapidamente, a agência precisará primeiro realizar uma missão tripulada que permanecerá perto da Terra.

Se os testes forem bem-sucedidos, poderão representar um passo decisivo para o retorno humano à superfície lunar.

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