O consumo de álcool sempre esteve presente na vida social, mas as estatísticas mais recentes mostram um cenário perturbador. Entre 1999 e 2024, a taxa de mortalidade diretamente relacionada ao álcool quase dobrou nos Estados Unidos, segundo pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Os dados apontam que, embora os números tenham caído levemente após a pandemia de COVID-19, ainda permanecem muito acima do período anterior a 2020.
Aumento preocupante nas mortes relacionadas ao álcool
Os cientistas analisaram informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e constataram que as mortes ligadas ao consumo de álcool aumentaram 89% em 25 anos. O pior momento foi em 2021, auge da pandemia, quando mais de 54 mil mortes foram registradas. Em 2024, houve uma queda, mas a taxa permaneceu cerca de 25% maior em comparação com 2019.
A pesquisa, publicada na revista PLOS Global Health, destacou que esses resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à redução do consumo excessivo e a ampliação do acesso a tratamentos especializados.
Quais causas mais matam
Entre as principais causas de morte associadas ao álcool, o estudo destacou:
- Doenças hepáticas foram responsáveis pela maioria dos óbitos.
- Transtornos mentais e comportamentais relacionados ao consumo vieram em seguida.
- Já as intoxicações agudas por álcool representaram uma pequena parcela, sugerindo que o consumo crônico e abusivo é mais letal do que episódios isolados de excesso.
Esse dado chama a atenção porque desmonta a ideia de que a maioria das mortes vem de overdoses súbitas. Na realidade, o efeito prolongado e silencioso do álcool no organismo é o que mais gera consequências fatais.
Diferenças entre gêneros e faixas etárias
Historicamente, homens sempre representaram a maioria das mortes relacionadas ao álcool. Porém, os dados recentes revelam uma mudança preocupante: mulheres entre 25 e 34 anos registraram o maior crescimento proporcional no período analisado. Logo atrás aparecem os homens da mesma faixa etária.
Outro grupo que apresentou risco elevado foi o das populações indígenas e nativas do Alasca. A principal autora do estudo, Maria R. D’Orsogna, destacou que a diferença entre homens e mulheres está diminuindo: em 1999, a cada três mortes de homens havia uma de mulher; em 2024, essa proporção caiu para duas de cada quatro.
O impacto invisível do álcool
Embora o estudo tenha se concentrado apenas em mortes diretamente atribuídas ao álcool, especialistas lembram que o impacto é muito maior. O consumo aumenta o risco de diversos tipos de câncer, doenças cardiovasculares e outras condições crônicas. Estimativas apontam que, por ano, mais de 178 mil mortes nos EUA estão associadas ao consumo abusivo.
Os pesquisadores reforçam que compreender os fatores socioeconômicos e culturais ligados ao uso excessivo de álcool é essencial para enfrentar o problema. As estratégias de prevenção e tratamento precisam ser direcionadas especialmente a jovens, homens e populações vulneráveis, além de incluir políticas públicas mais eficazes de conscientização.