Foi o caso de um ouvinte da rádio CBN, que contou que o pai deixou uma renda mensal de R$ 8 mil em aluguéis — o equivalente a imóveis avaliados em cerca de R$ 1 milhão. Mas afinal, o que é mais vantajoso: manter os imóveis ou aplicar o valor no mercado financeiro?
Quanto rende, na prática, viver de aluguel

O economista Marcelo d’Agosto, colunista da CBN Dinheiro, fez as contas: ao multiplicar os R$ 8 mil mensais por 12 meses e dividir pelo valor total dos imóveis, o rendimento equivale a 9,6% ao ano.
Isso significa que, hoje, o retorno dos aluguéis é competitivo. Em comparação, títulos públicos como o Tesouro IPCA pagam em torno de 8% ao ano, enquanto as aplicações pré-fixadas ou atreladas à Selic podem sofrer com perdas caso a inflação dispare.
Ou seja: quem tem imóveis alugados com boa ocupação e contratos atualizados está, por enquanto, com uma rentabilidade interessante.
O que pode mudar essa conta
Apesar disso, d’Agosto alerta que o investidor deve olhar além da renda imediata. A valorização ou desvalorização dos imóveis é um fator importante. Um cenário de queda no mercado imobiliário ou de aumento nos custos de manutenção pode reduzir o ganho real ao longo dos anos.
Por outro lado, imóveis também oferecem proteção contra a inflação, já que os contratos de aluguel costumam ser reajustados anualmente.
Vale mais a pena manter ou vender?
Segundo o especialista, a resposta depende do perfil da família. Se a renda de aluguel garante estabilidade e cobre os custos de vida, manter os imóveis pode ser o caminho mais seguro.
Mas, se o objetivo é diversificar investimentos ou reduzir riscos de inadimplência e vacância, vender parte do patrimônio e aplicar em produtos indexados à inflação — como o Tesouro IPCA+ — pode ser uma boa alternativa.
Em resumo: a renda atual é sólida, mas o futuro dos imóveis depende do mercado. E como lembra o economista, o melhor investimento é aquele que combina com o seu momento de vida.
[Fonte: CBN]