A robótica está passando por uma transformação semelhante à que ocorreu com os serviços de computação em nuvem e os softwares por assinatura. Em vez de investir centenas de milhares de dólares na compra de equipamentos, empresas de diferentes setores estão optando por alugar robôs por meio de assinaturas mensais que incluem manutenção, suporte técnico e atualizações constantes.
O modelo, chamado Robotics as a Service (RaaS), vem ganhando espaço em hospitais, indústrias, propriedades agrícolas e até eventos corporativos. Para os fabricantes, essa estratégia pode ser a chave para tornar a automação mais acessível e acelerar a adoção dos robôs em larga escala.
Por que as empresas estão preferindo alugar robôs?

O principal atrativo do RaaS é reduzir o investimento inicial necessário para automatizar operações.
Como a evolução tecnológica dos robôs acontece em ritmo acelerado, comprar um equipamento pode significar adquirir uma máquina que ficará desatualizada em poucos anos. No modelo de aluguel, as empresas podem trocar por versões mais modernas sem precisar realizar novos investimentos elevados.
Além disso, os contratos normalmente incluem manutenção preventiva, assistência técnica, monitoramento remoto e atualizações de software, reduzindo custos operacionais e simplificando a gestão dos equipamentos.
Robôs já trabalham em hospitais, fábricas e fazendas
Nos Estados Unidos, hospitais já utilizam robôs alugados para transportar medicamentos, materiais e suprimentos entre diferentes setores.
A fabricante Diligent Robotics opera cerca de 100 unidades do robô Moxi nesse formato de assinatura. O equipamento realiza entregas internas, permitindo que profissionais de saúde dediquem mais tempo ao atendimento dos pacientes.
Outros robôs desempenham funções bastante variadas. Alguns atuam como bartenders em eventos, enquanto máquinas agrícolas autônomas fazem a remoção de ervas daninhas em plantações. Também já existem robôs de limpeza equipados com inteligência artificial trabalhando em residências na China.
Automação fica mais acessível para pequenas empresas

O setor industrial também tem adotado rapidamente o aluguel de robôs.
A empresa americana Formic, por exemplo, administra uma frota com mais de 250 robôs industriais alugados para fabricantes. Os clientes pagam uma mensalidade fixa que inclui instalação, manutenção e acompanhamento contínuo do desempenho dos equipamentos.
A proposta é permitir que pequenas e médias empresas tenham acesso à automação sem precisar investir grandes quantias na compra de máquinas.
Robôs humanoides viram atração na China
Na China, o aluguel de robôs humanoides ganhou força após diversas apresentações viralizarem nas redes sociais e em grandes eventos públicos.
Hoje, essas máquinas já são contratadas para feiras, campanhas promocionais, casamentos, ações de marketing e recepção de visitantes. Nesses ambientes, os robôs interagem com o público, respondem perguntas e ajudam a criar experiências mais chamativas.
Apesar do interesse crescente, especialistas afirmam que os humanoides ainda estão longe de substituir trabalhadores em larga escala.
Muitos modelos atuais continuam dependendo de operadores humanos para programação, supervisão ou controle de determinadas funções. Por isso, eles ainda apresentam melhor desempenho em demonstrações, entretenimento e tarefas específicas do que em atividades complexas totalmente autônomas.
Mercado deve crescer rapidamente
A China segue ampliando seus investimentos em inteligência artificial e robótica como parte da estratégia nacional para liderar esse setor tecnológico.
Segundo a imprensa estatal chinesa, o país já possui mais de 153 mil empresas dedicadas ao aluguel de robôs. O custo da locação pode variar entre 3.000 e 3.500 yuans por dia, dependendo do equipamento e da aplicação.
Nos Estados Unidos, a startup californiana 1X também aposta nesse modelo. A empresa pretende iniciar ainda este ano a oferta do robô doméstico NEO por meio de uma assinatura mensal de US$ 499, permitindo que consumidores tenham acesso ao equipamento sem precisar comprá-lo.
Para analistas do setor, o modelo por assinatura tende a ganhar espaço à medida que os robôs se tornam mais sofisticados e seus custos diminuem. Assim como aconteceu com os serviços de software e computação em nuvem, a expectativa é que empresas passem a contratar robôs conforme a demanda, tornando a automação mais flexível, acessível e economicamente viável.
[ Fonte: La Nación ]