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Tecnologia

Amazon está dificultando a transferência dos seus e-books

Críticos do domínio da Amazon sobre o mercado de e-books agora têm mais um motivo para reclamar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Amazon está mais uma vez mostrando que, no mundo atual, comprar algo não significa realmente possuí-lo. A empresa está fechando uma brecha que permitia aos proprietários de livros digitais no Kindle remover a proteção antipirataria e transferi-los para outras plataformas.

Alguns entusiastas de livros digitais preferem aplicativos de leitura diferentes do Kindle — talvez porque outro leitor tenha uma tela colorida melhor ou recursos que o Kindle não oferece. A ferramenta “Download & transferir via USB” era uma antiga funcionalidade que permitia o download e a transferência de e-books comprados na Amazon para outro Kindle, sem precisar de Wi-Fi ou Bluetooth. Usuários mais experientes descobriram que alguns e-books antigos usavam um formato de arquivo com medidas de segurança fáceis de contornar, o que possibilitava o uso da ferramenta e de outras técnicas para transferir os livros para fora do ecossistema da Amazon. Agora, os livros comprados na Amazon ficarão, na prática, presos à plataforma.

Com o surgimento dos livros digitais, era esperado que as editoras temessem a pirataria, com obras sendo copiadas e distribuídas ilegalmente. A Amazon entrou nesse mercado desenvolvendo formatos proprietários que dificultam o acesso ao conteúdo por terceiros — ou até mesmo a leitura fora do aplicativo Kindle. Poderia existir um padrão de segurança que permitisse a transferência dos livros, protegendo os direitos autorais, mas a Amazon não tem incentivos para adotar esse modelo.

Essa estratégia tem sido muito benéfica para a Amazon. A empresa foi pioneira no mercado de e-books, e o Kindle se tornou praticamente sinônimo desse tipo de leitura, representando cerca de 70% do mercado. Se você tem uma grande coleção de livros adquiridos no Kindle, acaba ficando preso ao seu ecossistema. Além disso, há livros disponíveis exclusivamente no marketplace da Amazon, que mantém uma política de igualar os preços da concorrência, lucrando cada vez mais com os anúncios espalhados pelo site. Embora detenha um monopólio no setor de livros digitais, a empresa provavelmente argumentaria que não tem o mesmo poder sobre o mercado de livros como um todo, já que a Barnes & Noble tem registrado um aumento de popularidade recentemente.

Usuários de fóruns como o Reddit têm compartilhado, ao longo dos anos, métodos para transferir seus livros comprados na Amazon para outras plataformas. Contudo, esse tem sido um jogo de gato e rato, com a empresa lançando atualizações para fechar essas brechas.

Embora a Amazon continue a lançar novos dispositivos Kindle sob a liderança de Panos Panay, críticos acreditam que o domínio da empresa tem prejudicado a inovação no setor. O Bookshop.org, por exemplo, lançou recentemente sua própria loja de e-books com a promessa de repassar uma fatia maior dos lucros para livrarias independentes e autores. No entanto, enfrenta o desafio de atrair leitores, já que seus livros não podem ser lidos no Kindle. A esperança é que a pressão sobre a Amazon leve a empresa a mudar suas práticas, permitindo compatibilidade com e-books de outras lojas.

O objetivo seria, no futuro, alcançar um cenário ideal onde os livros pudessem ser livremente transferidos entre plataformas, incentivando a concorrência no mercado de e-readers. Por ora, no entanto, a Amazon não parece preocupada com a possibilidade de perder sua posição dominante. Afinal, a maioria das pessoas que busca um leitor digital simplesmente compra um Kindle, sem se preocupar muito com a origem dos livros.

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