Nas últimas horas, a Europa viveu um dos episódios mais tensos do setor energético em anos. Um apagão de grandes dimensões deixou milhões de pessoas sem eletricidade em vários países, reacendendo temores sobre a vulnerabilidade das redes elétricas frente a possíveis ciberataques. Entenda o que já se sabe sobre a crise e as investigações em curso.
Suspeitas de ciberataque ganham força

O Instituto Nacional de Cibersegurança (Incibe) da Espanha e o Ministério do Interior estão investigando a hipótese de que a queda de energia tenha sido causada por um ataque cibernético. Embora ainda não haja confirmação oficial, fontes de segurança não descartam essa possibilidade.
Eventos anteriores, como os apagões na Ucrânia em 2015 e 2016 — causados por códigos maliciosos —, servem de alerta sobre os potenciais impactos de sabotagens digitais na infraestrutura energética.
Declarações oficiais e medidas emergenciais
Em entrevista à emissora RTP 3, o ministro Adjunto e da Coesão Territorial de Portugal, Manuel Castro Almeida, admitiu que a hipótese de ciberataque está em análise, embora tenha destacado que as informações ainda são preliminares. Segundo ele, a magnitude do evento sugere uma ação coordenada.
Além disso, a imprensa portuguesa especula sobre uma possível ligação russa ao incidente, embora nenhuma evidência concreta tenha sido apresentada até o momento. Internamente, a Iberdrola, uma das principais empresas de energia da Espanha, também considera a hipótese de um ataque, mas prega cautela enquanto as investigações prosseguem.
Enquanto isso, autoridades trabalham para garantir o abastecimento de combustível a geradores de emergência, a fim de manter serviços essenciais, como hospitais e centros de operações críticas.
Origem além das fronteiras portuguesas
António Leitão Amaro, ministro da Presidência de Portugal, afirmou à agência Lusa que o Governo criou um grupo de trabalho especial para enfrentar a crise. De acordo com Amaro, a origem do problema estaria fora do território português, possivelmente em uma falha na rede de transporte elétrico da Espanha.
Castro Almeida acrescentou que o impacto do apagão se estendeu não apenas pela Península Ibérica, mas também alcançou a Alemanha e, possivelmente, Marrocos. Esse alcance reforça a hipótese de um evento deliberado de grandes proporções na rede europeia.
As autoridades recomendam prudência à população e reforçam que a investigação continua, priorizando o restabelecimento da normalidade com a maior segurança possível.
Reações políticas e planos de resposta
Pedro Nuno Santos, secretário-geral do Partido Socialista de Portugal, declarou que seu partido está pronto para colaborar com todas as medidas necessárias. Ele defendeu a convocação do Gabinete Coordenador de Segurança, reunindo forças policiais e de proteção civil, para formular ações estratégicas diante da gravidade da situação.
Santos também enfatizou que a retomada da energia deve priorizar setores essenciais como saúde, transportes, comunicações e o fornecimento de alimentos, alertando para a complexidade do cenário energético atual.
O impacto imediato do apagão
🇪🇸 | APAGÓN EN ESPAÑA: Colapso total de la M-30: pic.twitter.com/NG9UY802W0
— Alerta News 24 (@AlertaNews24) April 28, 2025
Milhões de pessoas na Espanha ficaram sem eletricidade nesta segunda-feira. O operador espanhol de energia relatou que algumas áreas já começaram a receber o fornecimento de volta, mas a situação permanece instável.
O apagão causou a paralisação de trens, semáforos e atividades comerciais em diversas cidades espanholas. As conexões móveis e a internet também foram afetadas, com falhas generalizadas.
O Administrador de Infraestruturas Ferroviárias (ADIF) confirmou a interrupção dos serviços ferroviários, deixando passageiros retidos nos trens, à espera do restabelecimento. Em Barcelona, o metrô e todas as linhas de trem ficaram fora de operação, obrigando a evacuação de milhares de passageiros, alguns deles presos em túneis.
Fonte: Infobae