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Navio russo volta a rondar cabos britânicos e é interceptado por submarino nuclear

A movimentação silenciosa de um navio russo próximo a cabos estratégicos do Reino Unido reacende alertas sobre possíveis ameaças híbridas. Com escolta da Royal Navy e vigilância reforçada, os britânicos se preparam para um cenário que parece cada vez menos hipotético.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Mesmo sem ações hostis declaradas, certas movimentações no mar podem falar mais alto que palavras. É exatamente isso que o Reino Unido acredita ao observar, pela segunda vez em apenas três meses, a presença do navio russo Yantar em suas águas territoriais. A embarcação tem sido associada a práticas de espionagem marítima e vigilância de infraestruturas críticas como cabos submarinos de comunicação e energia.

Incursões que levantam suspeitas

Navio russo volta a rondar cabos britânicos e é interceptado por submarino nuclear
© Pexels

Em janeiro, o Ministério da Defesa britânico revelou que, no outono passado, o navio espião russo Yantar esteve novamente rondando cabos estratégicos britânicos. A novidade agora é que a embarcação foi diretamente escoltada por um submarino nuclear da Royal Navy, acompanhado de outros dois navios da frota.

O secretário de Defesa britânico, John Healey, classificou o episódio como um claro movimento de provocação. Para o governo do Reino Unido, trata-se de mais uma demonstração da estratégia russa de guerra híbrida: explorar vulnerabilidades sem declarar confronto direto. As autoridades ocidentais vêm alertando para o uso de sabotagem e espionagem como instrumentos táticos da Rússia desde a intensificação do conflito na Ucrânia.

O perfil do Yantar

O Yantar é oficialmente registrado como navio de pesquisa oceanográfica, mas sua estrutura conta com tecnologias altamente avançadas. Ele possui mini-submarinos que podem operar a profundidades superiores a 5.000 metros e realizar atividades como inspeção, mapeamento e até manipulação de cabos submarinos. O potencial para interferências em infraestruturas críticas é, portanto, real — mesmo que não haja provas definitivas de ações diretas até o momento.

A embarcação já havia sido detectada em novembro de 2024 em águas britânicas, também próxima a cabos sensíveis. Na ocasião, a Royal Navy também respondeu com firmeza. A reincidência levou as Forças Armadas do Reino Unido a intensificarem a vigilância sobre embarcações com comportamento semelhante.

Medidas de resposta

O episódio mais recente provocou uma reavaliação das regras de engajamento da Royal Navy, que agora permite monitoramento mais próximo e intervenção mais rápida em situações suspeitas. O navio russo foi escoltado pelo HMS Somerset e pelo HMS Tyne até que deixasse as águas britânicas, seguindo rumo à zona marítima holandesa.

Além disso, a OTAN tem reforçado a segurança na região com a operação Baltic Sentry, que inclui patrulhas navais e aéreas, drones e aumento da vigilância sobre cabos e instalações submersas.

Uma ameaça que não pode ser ignorada

Mesmo que o Yantar não tenha realizado atos comprovados de sabotagem, sua presença frequente em áreas de alta sensibilidade levanta alertas legítimos. Os recentes cortes de cabos submarinos no Mar Báltico, ainda sem autores oficialmente identificados, alimentam a percepção de que a guerra moderna também passa pelos fundos do oceano.

O governo britânico reforça que a Rússia continua sendo a principal ameaça à sua segurança nacional e promete manter os olhos — e radares — atentos a qualquer movimentação que ponha em risco suas infraestruturas estratégicas. A vigilância constante, dizem as autoridades, é a única forma de conter ações que atuam nas sombras.

[Fonte: Terra]

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