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Trump promete impedir que a China “jogue o jogo das terras raras” na disputa comercial entre as potências

O presidente americano afirmou que não permitirá que Pequim use sua vantagem no mercado global de minerais estratégicos como arma econômica, mas admitiu que pode aliviar tarifas em troca de concessões comerciais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a subir o tom contra a China. Em declarações dadas a jornalistas a bordo do Air Force One neste domingo (19), ele afirmou que “não permitirá que a China brinque o jogo das terras raras” — um dos setores mais sensíveis da disputa comercial entre as duas maiores economias do planeta.

A fala surge num momento em que Washington tenta reequilibrar suas relações econômicas com Pequim, sem abrir mão de seus próprios interesses estratégicos. Entre eles, está o controle sobre o fornecimento de minerais cruciais para a indústria tecnológica e militar.

O poder das terras raras

Terras Raras
© Foto: Reprodução/Jornal Nacional

As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de equipamentos de alta tecnologia: desde smartphones e semicondutores até veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.

A China domina cerca de 70% da produção global desses minerais e concentra também boa parte do refino e processamento — etapas que garantem grande influência sobre a cadeia produtiva mundial.

Essa posição estratégica tem sido usada por Pequim como instrumento de pressão em negociações comerciais e diplomáticas, despertando preocupações nos Estados Unidos e na Europa sobre a dependência em relação ao gigante asiático.

A mensagem de Trump

Durante a entrevista, Trump também cobrou que a China retome a compra de soja americana, um dos produtos agrícolas mais afetados pelas tarifas impostas por Pequim durante a guerra comercial iniciada em 2018.

“Quero que eles voltem a comprar soja, pelo menos na quantidade que compravam antes”, declarou o republicano, acrescentando que acredita em uma retomada do comércio agrícola, mas “sem truques” envolvendo os minerais estratégicos.

Segundo o presidente, os Estados Unidos podem reduzir as tarifas aplicadas a produtos chineses — mas isso dependerá de contrapartidas. “A China precisa fazer algo por nós também. Quero ajudar a China, não quero prejudicá-la, mas tem que ser um acordo justo”, afirmou.

O contexto da disputa

Trump Xi Xing
© X-@amonbuy

As tensões entre Washington e Pequim vêm se intensificando em diversos setores. Além das tarifas comerciais, o governo americano tem imposto restrições à exportação de chips e equipamentos avançados para empresas chinesas, alegando riscos à segurança nacional.

Em resposta, a China tem limitado a exportação de certos materiais críticos, incluindo o gálio e o germânio — ambos usados em semicondutores e painéis solares. Essa escalada tem alimentado receios de uma “guerra tecnológica” mais ampla, com impactos diretos nas cadeias produtivas globais.

Para analistas, a declaração de Trump sinaliza que os Estados Unidos pretendem fortalecer sua própria produção e refino de terras raras, reduzindo a vulnerabilidade diante da dependência chinesa. O país já investe em novas minas e acordos com aliados como a Austrália e o Canadá para diversificar o fornecimento.

Um jogo de equilíbrio

Enquanto busca proteger os interesses estratégicos americanos, Trump também tenta manter aberta a possibilidade de diálogo. O aceno para uma redução parcial das tarifas indica uma postura pragmática — voltada para garantir ganhos econômicos concretos, sobretudo em um momento de volatilidade global.

A relação entre os dois países segue marcada por desconfiança e competição tecnológica, mas o tom das declarações mostra que a Casa Branca ainda vê espaço para negociar.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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