O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a subir o tom contra a China. Em declarações dadas a jornalistas a bordo do Air Force One neste domingo (19), ele afirmou que “não permitirá que a China brinque o jogo das terras raras” — um dos setores mais sensíveis da disputa comercial entre as duas maiores economias do planeta.
A fala surge num momento em que Washington tenta reequilibrar suas relações econômicas com Pequim, sem abrir mão de seus próprios interesses estratégicos. Entre eles, está o controle sobre o fornecimento de minerais cruciais para a indústria tecnológica e militar.
O poder das terras raras

As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a produção de equipamentos de alta tecnologia: desde smartphones e semicondutores até veículos elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
A China domina cerca de 70% da produção global desses minerais e concentra também boa parte do refino e processamento — etapas que garantem grande influência sobre a cadeia produtiva mundial.
Essa posição estratégica tem sido usada por Pequim como instrumento de pressão em negociações comerciais e diplomáticas, despertando preocupações nos Estados Unidos e na Europa sobre a dependência em relação ao gigante asiático.
A mensagem de Trump
Durante a entrevista, Trump também cobrou que a China retome a compra de soja americana, um dos produtos agrícolas mais afetados pelas tarifas impostas por Pequim durante a guerra comercial iniciada em 2018.
“Quero que eles voltem a comprar soja, pelo menos na quantidade que compravam antes”, declarou o republicano, acrescentando que acredita em uma retomada do comércio agrícola, mas “sem truques” envolvendo os minerais estratégicos.
Segundo o presidente, os Estados Unidos podem reduzir as tarifas aplicadas a produtos chineses — mas isso dependerá de contrapartidas. “A China precisa fazer algo por nós também. Quero ajudar a China, não quero prejudicá-la, mas tem que ser um acordo justo”, afirmou.
O contexto da disputa

As tensões entre Washington e Pequim vêm se intensificando em diversos setores. Além das tarifas comerciais, o governo americano tem imposto restrições à exportação de chips e equipamentos avançados para empresas chinesas, alegando riscos à segurança nacional.
Em resposta, a China tem limitado a exportação de certos materiais críticos, incluindo o gálio e o germânio — ambos usados em semicondutores e painéis solares. Essa escalada tem alimentado receios de uma “guerra tecnológica” mais ampla, com impactos diretos nas cadeias produtivas globais.
Para analistas, a declaração de Trump sinaliza que os Estados Unidos pretendem fortalecer sua própria produção e refino de terras raras, reduzindo a vulnerabilidade diante da dependência chinesa. O país já investe em novas minas e acordos com aliados como a Austrália e o Canadá para diversificar o fornecimento.
Um jogo de equilíbrio
Enquanto busca proteger os interesses estratégicos americanos, Trump também tenta manter aberta a possibilidade de diálogo. O aceno para uma redução parcial das tarifas indica uma postura pragmática — voltada para garantir ganhos econômicos concretos, sobretudo em um momento de volatilidade global.
A relação entre os dois países segue marcada por desconfiança e competição tecnológica, mas o tom das declarações mostra que a Casa Branca ainda vê espaço para negociar.
[ Fonte: CNN Brasil ]