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Ciência

Aposentado planta mais de 41 mil árvores e transforma área degradada em um dos maiores corredores verdes urbanos

Durante 22 anos, um aposentado brasileiro dedicou seu tempo a plantar milhares de árvores em uma área abandonada. O resultado foi a recuperação de 192 mil metros quadrados de vegetação, o retorno da fauna e a criação de um importante corredor ecológico em São Paulo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O que começou como uma iniciativa individual acabou se transformando em um dos maiores exemplos de restauração ambiental urbana do Brasil. Desde 2003, o aposentado Hélio da Silva plantou mais de 41 mil árvores ao longo do Parque Linear Tiquatira, na zona leste de São Paulo, ajudando a recuperar uma área degradada que hoje abriga um extenso corredor verde.

A transformação vai muito além da paisagem. O parque passou a oferecer sombra, reduzir o calor, favorecer o retorno de aves e outros animais e criar um espaço de convivência utilizado diariamente pela população.

De terreno abandonado a parque urbano

Antes da recuperação, a região apresentava gramados degradados, poucos exemplares arbóreos, descarte irregular de resíduos e ocupações desordenadas.

Morador da região havia décadas, Hélio da Silva acompanhava de perto o abandono do local. Em novembro de 2003, decidiu começar a plantar árvores por conta própria.

As primeiras tentativas não foram fáceis.

As 200 primeiras mudas acabaram destruídas poucos meses depois. Em seguida, ele plantou outras 400, mas enfrentou dificuldades semelhantes.

Em vez de desistir, aumentou o número de plantios e manteve o trabalho ao longo dos anos.

A persistência fez a diferença. As árvores começaram a sobreviver, crescer e formar pequenos bosques que, pouco a pouco, mudaram completamente a paisagem.

Mais de 192 mil metros quadrados recuperados

O crescimento da vegetação coincidiu com iniciativas da Prefeitura de São Paulo para ampliar as áreas verdes da cidade.

Entre 2005 e 2012, durante a gestão de Eduardo Jorge na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, o projeto recebeu apoio técnico e institucional.

Em 2008, o espaço foi oficialmente reconhecido como parque.

Hoje, o Parque Linear Tiquatira ocupa cerca de 192 mil metros quadrados e acompanha aproximadamente três quilômetros do córrego Tiquatira.

Sua configuração linear ajuda a conectar diferentes áreas verdes da cidade, permitindo o deslocamento de aves, insetos e outros animais entre fragmentos de vegetação.

O retorno da Mata Atlântica dentro da cidade

Desde o início, Hélio buscou priorizar espécies nativas da Mata Atlântica, bioma que originalmente cobria grande parte da região onde São Paulo foi construída.

Embora seja impossível reconstruir completamente a floresta original, o plantio de espécies nativas ajuda a recuperar parte das funções ecológicas do ambiente urbano.

Para aumentar as chances de sucesso, o aposentado estudou conceitos básicos de agronomia e seleção de espécies.

Uma de suas estratégias consiste em plantar uma árvore frutífera para cada doze mudas.

O objetivo é simples: atrair aves.

Com mais alimento disponível, diferentes espécies passaram a frequentar o parque e a transportar sementes para outras áreas, favorecendo o aumento da biodiversidade.

Hoje, o corredor verde abriga diversas aves, insetos e pequenos animais. Em alguns casos, até tucanos já foram registrados utilizando a área como rota entre outros fragmentos de vegetação.

Árvores fazem muito mais do que deixar a cidade bonita

Os benefícios do Tiquatira vão além do aspecto visual.

A copa das árvores reduz a incidência direta do sol sobre ruas e calçadas, diminuindo o efeito das ilhas de calor urbanas.

Além disso, as raízes facilitam a infiltração da água da chuva no solo, ajudando a reduzir enxurradas e a aliviar a pressão sobre os sistemas de drenagem.

As árvores também capturam dióxido de carbono durante seu crescimento, filtram partículas presentes no ar, reduzem o ruído urbano e oferecem abrigo para polinizadores e diversas espécies da fauna.

Ao mesmo tempo, o parque passou a oferecer pistas de caminhada, áreas esportivas e espaços de convivência que atraem moradores diariamente.

O maior desafio é manter as árvores vivas

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© Unsplash

A experiência do Parque Linear Tiquatira mostra que plantar mudas representa apenas o primeiro passo.

Nos primeiros anos, as árvores precisam de irrigação, proteção contra vandalismo, monitoramento de pragas, podas e manutenção constante.

Outro aprendizado importante é o valor das árvores adultas.

Enquanto uma muda leva décadas para formar uma copa capaz de produzir sombra significativa, exemplares maduros oferecem imediatamente benefícios como regulação térmica, abrigo para animais e produção de frutos.

Depois de mais de duas décadas de trabalho contínuo, Hélio da Silva demonstra que recuperar áreas degradadas exige muito mais do que grandes campanhas de plantio.

É a combinação entre planejamento, manutenção e dedicação ao longo dos anos que permite transformar espaços abandonados em infraestrutura verde capaz de melhorar a qualidade de vida de toda uma cidade.

 

[ Fonte: EcoInventos ]

 

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