A Apple, símbolo de inovação por décadas, vive um momento delicado em sua trajetória. Em meio ao avanço acelerado de empresas como Google e OpenAI na área de IA, a gigante de Cupertino enfrenta dificuldades internas, atrasos tecnológicos e mudanças de liderança. O centro dessa crise? O desempenho estagnado de seu assistente virtual, Siri, e os rumos incertos de sua estratégia de inteligência artificial.
Siri fora da revolução da IA
Prometida com destaque para a WWDC 2025, a nova versão do Siri ainda não deu sinais concretos de evolução. Recursos anunciados com o iPhone 16 não foram entregues, o que gerou frustração entre os usuários e até denúncias de propaganda enganosa. Craig Federighi, um dos principais executivos da Apple, testou o novo iOS e encontrou falhas como comandos incompletos e integração deficiente.
Demonstrações anteriores exibidas ao público seriam apenas protótipos em vídeo, sem funcionalidade real. Internamente, a situação gerou mal-estar, inclusive entre os líderes da companhia.
Avanços lentos e liderança em xeque
Apesar de contar com John Giannandrea — ex-Google e chefe de IA desde 2018 — os avanços têm sido discretos. A cultura conservadora da empresa, combinada com limitações de orçamento e dificuldades no acesso a GPUs, prejudicou o progresso dos projetos. A rígida política de privacidade da Apple, embora elogiável, dificulta o uso de grandes volumes de dados, essenciais para treinar sistemas de IA modernos.

Além disso, a recente decisão de encerrar o projeto do carro autônomo e reestruturar equipes reduziu ainda mais a coesão interna. Giannandrea perdeu influência, enquanto Mike Rockwell assumiu a liderança no redesenho do Siri.
Um futuro incerto para a Apple?
Enquanto concorrentes lançam assistentes com acesso à internet e capacidades avançadas, a Apple ainda depende de parcerias externas — como a recente integração do ChatGPT — para se manter competitiva. Mesmo assim, a empresa ainda não apresentou uma IA proprietária de peso.
A estratégia atual tenta desvincular a marca Siri da frente de inteligência artificial, o que revela a tentativa de reposicionamento. As novidades prometidas no próximo iOS trazem mudanças pontuais, mas não solucionam os problemas centrais.
Segundo fontes internas, apenas uma reformulação completa do Siri poderá garantir à Apple uma posição relevante no cenário da IA. O desafio é técnico, estratégico e cultural. E pode definir o futuro da empresa.