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Ciência

As engenheiras da natureza: como as formigas redesenham seus ninhos para evitar epidemias

Um estudo da Universidade de Bristol revelou que as formigas alteram a arquitetura de seus ninhos quando há risco de infecção. Elas criam uma espécie de “distanciamento social natural”, reorganizando câmaras e túneis para impedir que doenças se espalhem entre os membros da colônia — uma lição impressionante de biologia coletiva.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Elas vivem sob a terra, mas parecem entender algo que os humanos ainda tentam dominar: como conter uma epidemia. Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, descobriram que as formigas redesenham seus ninhos quando percebem a presença de patógenos. Esse comportamento espontâneo cria uma barreira física contra doenças e representa a primeira evidência de que um animal não humano adapta seu ambiente para reduzir o contágio.

Arquitetas da própria saúde

As formigas sempre foram símbolo de disciplina e cooperação, mas o novo estudo publicado na revista Science mostra que sua inteligência coletiva vai muito além do trabalho coordenado.
Quando expostas a fungos infecciosos, elas modificam a estrutura do ninho, afastando câmaras e reduzindo as conexões entre elas. O resultado é um tipo de “distanciamento social arquitetônico”, que limita o contato entre grupos e diminui a circulação de microrganismos.

Luke Leckie, principal autor da pesquisa, resume o achado: “É a primeira vez que vemos um animal alterar o próprio habitat para evitar a propagação de doenças”.

Um laboratório subterrâneo

Para comprovar o fenômeno, os cientistas analisaram duas colônias com 180 formigas cada, introduzindo em uma delas 20 indivíduos expostos a esporos de fungos. Durante seis dias, os ninhos foram escaneados com microtomografia computadorizada (micro-CT), permitindo reconstruir imagens 3D detalhadas das galerias subterrâneas.

Os resultados foram claros: os ninhos “infectados” apresentavam menos túneis de ligação, entradas mais distantes e câmaras de crias e alimentos mais isoladas. Em simulações digitais, esse redesenho reduziu drasticamente a exposição das formigas saudáveis aos patógenos.

A imunidade social das formigas

Além da arquitetura, as formigas também adaptam o comportamento diante do risco de infecção. O estudo mostra que elas praticam uma forma de “imunidade social”:

  • Limpam as companheiras contaminadas com as mandíbulas.

  • Aplicam secreções com efeito desinfetante.

  • E, quando infectadas, se isolam voluntariamente em áreas periféricas do ninho.

As simulações mostraram que esse autoisolamento aumenta ainda mais a eficácia do ninho redesenhado, funcionando como um verdadeiro sistema coletivo de defesa biológica.

O que as formigas podem ensinar às cidades humanas

Embora o estudo trate de insetos, suas conclusões têm um impacto muito mais amplo. As colônias de formigas funcionam como micromodelos de cidades, com circulação de recursos, interações constantes e riscos epidêmicos semelhantes aos de sociedades humanas.

Os pesquisadores sugerem que a lógica das formigas pode inspirar novos projetos urbanos e estratégias de saúde pública, equilibrando mobilidade e proteção.
“Entender como as formigas controlam o fluxo interno sem comprometer o bem-estar da colônia pode nos ensinar a desenhar espaços humanos mais resilientes”, conclui Leckie.

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