Durante algumas semanas, o asteroide 2024 YR4 esteve entre os objetos espaciais mais monitorados do mundo. Descoberto no fim de 2024, ele chegou a apresentar uma pequena possibilidade de atingir a Terra em dezembro de 2032 e alcançou o nível 3 na Escala de Turim.
Observações posteriores, porém, permitiram calcular sua trajetória com muito mais precisão. O risco de colisão com nosso planeta foi descartado. Mais recentemente, dados do telescópio espacial James Webb também eliminaram a possibilidade de um impacto contra a Lua em 2032.
Ainda assim, o episódio permitiu aos cientistas estudar o que aconteceria caso um asteroide desse tamanho atingisse nosso satélite natural. As estimativas apontam para uma explosão de vários megatons e uma cratera com aproximadamente 1 quilômetro de diâmetro.
Por que o 2024 YR4 chegou a preocupar os astrônomos

O asteroide foi detectado pelo sistema ATLAS e comunicado ao Minor Planet Center em 27 de janeiro de 2025, a partir de observações realizadas no Chile.
Pouco depois, cálculos preliminares indicaram uma possibilidade de impacto contra a Terra em 22 de dezembro de 2032.
O objeto chegou ao nível 3 na Escala de Turim, utilizada para comunicar o risco representado por asteroides e cometas próximos da Terra. Foi o nível mais alto alcançado por um objeto desde Apophis, que chegou ao nível 4 em 2004.
Esse tipo de estimativa inicial pode mudar rapidamente. Quando um asteroide acaba de ser descoberto, os astrônomos possuem relativamente poucas observações para determinar sua órbita.
Conforme novos dados são adicionados, a margem de incerteza diminui.
Foi exatamente o que aconteceu com o 2024 YR4. Observações adicionais permitiram refinar sua trajetória e eliminar a possibilidade de uma colisão com a Terra em 2032.
O que aconteceria se um asteroide desse tamanho atingisse uma cidade
Embora o 2024 YR4 não represente atualmente uma ameaça à Terra, seu tamanho permite estimar quais seriam as consequências de um objeto semelhante entrando na atmosfera.
Um asteroide com algumas dezenas de metros poderia explodir no ar antes de alcançar o solo. Dependendo do tamanho, velocidade e composição, a onda de choque poderia quebrar vidros e provocar danos estruturais.
Objetos maiores poderiam produzir consequências consideravelmente mais graves em escala local.
É justamente por isso que asteroides dessa categoria são acompanhados por programas de defesa planetária e por redes internacionais de observação.
Andy Rivkin, astrônomo planetário do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, explicou que estudar o 2024 YR4 também ajuda os cientistas a compreender outros objetos de dimensões semelhantes que possam representar riscos no futuro.
O asteroide também não vai atingir a Lua
Depois que o risco para a Terra foi descartado, permaneceu uma pequena possibilidade de colisão com a Lua em dezembro de 2032.
Novas observações realizadas pelo telescópio espacial James Webb em fevereiro de 2026 permitiram refinar novamente a órbita do objeto e eliminar também esse cenário.
Mas os cientistas aproveitaram a possibilidade para calcular o que aconteceria se a colisão realmente ocorresse.
O impacto não teria força suficiente para alterar de maneira mensurável a órbita da Lua ao redor da Terra.
Na superfície lunar, porém, as consequências seriam muito mais visíveis.
Uma cratera de aproximadamente 1 quilômetro
As estimativas indicam que uma colisão do 2024 YR4 com a Lua poderia liberar energia equivalente a aproximadamente 5 a 6,5 megatons de TNT.
O choque seria capaz de produzir uma cratera com cerca de 1 quilômetro de diâmetro.
Apesar de parecer enorme em escala humana, ela seria pequena quando comparada às grandes estruturas da superfície lunar. A bacia do Polo Sul-Aitken, por exemplo, possui mais de 2.400 quilômetros de extensão.
A colisão provavelmente também seria observável da Terra.
Além disso, o impacto poderia lançar até dezenas de milhões de quilos de material lunar para o espaço. Parte desses fragmentos poderia eventualmente alcançar nosso planeta alguns dias depois, produzindo uma breve chuva de meteoros formada por material originado na Lua.
O 2024 YR4 continuará sendo observado

Mesmo sem representar uma ameaça conhecida, o asteroide continuará oferecendo oportunidades importantes para a ciência.
Em dezembro de 2028, ele deverá realizar uma nova aproximação da Terra, permitindo que telescópios obtenham dados adicionais sobre seu tamanho, composição, rotação e trajetória.
Outro encontro ocorrerá em dezembro de 2032.
Essas aproximações são especialmente valiosas porque objetos relativamente pequenos são difíceis de estudar quando estão muito distantes.
Quanto mais os cientistas aprenderem sobre o 2024 YR4, melhor poderão compreender outros asteroides de dimensões semelhantes.
A NASA já testou uma maneira de desviar asteroides
O acompanhamento desses objetos faz parte de uma estratégia mais ampla de defesa planetária.
Em 2022, a missão DART, da NASA, demonstrou pela primeira vez que é possível alterar deliberadamente a trajetória de um asteroide por meio de um impacto.
A espaçonave atingiu Dimorphos e modificou seu período orbital ao redor do asteroide Didymos.
Isso não significa, porém, que todos os asteroides possam ser desviados exatamente da mesma maneira. A estrutura interna de cada objeto importa. Um asteroide formado por fragmentos pouco compactados, por exemplo, pode responder de maneira diferente a um impacto.
O caso do 2024 YR4 acabou se transformando em um exemplo de como funciona a defesa planetária na prática. Um objeto inicialmente preocupante foi acompanhado por diferentes observatórios até que sua trajetória pudesse ser determinada com precisão suficiente para eliminar o risco.
E, desta vez, tanto a Terra quanto a Lua estão fora de perigo.
[ Fonte: Ok Diario ]