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Ciência

A órbita da Terra está ficando lotada — e especialistas alertam para as consequências

A órbita baixa da Terra está cada vez mais congestionada por satélites e detritos espaciais. Com dezenas de milhares de novos equipamentos previstos para os próximos anos, especialistas alertam que colisões podem se tornar um problema crescente.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A região mais próxima da Terra está passando por uma transformação acelerada. Satélites de internet, equipamentos científicos e até futuros centros de dados espaciais disputam um espaço que não é infinito. E quanto mais objetos são colocados em órbita, maior se torna a preocupação com colisões e a formação de novos detritos.

Milhares de novos satélites estão a caminho

Lixo Espacial+
© Shutterstock

A órbita terrestre baixa, conhecida pela sigla LEO, fica aproximadamente entre 160 e 1.930 quilômetros de altitude. Nessa região, um objeto pode viajar a velocidades próximas de 28 mil km/h e completar uma volta ao redor do planeta em apenas 90 a 120 minutos.

Atualmente, dezenas de milhares de satélites e fragmentos de lixo espacial circulam nessa faixa. E o congestionamento pode aumentar rapidamente.

Entre 2026 e 2034, estão previstos pelo menos 41 mil novos equipamentos em órbita baixa. Cerca de dois terços deles estariam relacionados à SpaceX, Amazon e empresas chinesas.

Além das constelações de comunicação, começam a surgir projetos de centros de dados orbitais. A ideia é colocar no espaço grupos de satélites equipados com processadores especializados em inteligência artificial.

Dallas Kasaboski, analista da Analysys Mason, estima que essa tendência poderia elevar o número total de satélites para aproximadamente 1,5 milhão no futuro.

O problema não é apenas a quantidade de satélites

A Starlink representa uma parte importante dessa expansão. A constelação da SpaceX utiliza milhares de satélites para oferecer internet de alta velocidade em diferentes regiões do planeta.

Esses equipamentos contam com sistemas capazes de realizar manobras para evitar colisões. Entretanto, nem todos os objetos presentes no espaço podem ser monitorados com facilidade.

Radares conseguem acompanhar detritos maiores, mas fragmentos muito pequenos podem passar despercebidos.

Mark Matney, cientista planetário ligado ao programa de detritos orbitais da NASA, alerta que até partículas comparáveis a lascas de tinta podem danificar equipamentos. Isso acontece porque os objetos viajam a velocidades de vários quilômetros por segundo.

Um dos exemplos mais conhecidos ocorreu em 2009. Um satélite de comunicações da Iridium colidiu com um antigo satélite russo que estava fora de operação. O impacto produziu cerca de 1.800 fragmentos com pelo menos 10 centímetros.

O lixo espacial também está voltando para a Terra

Astrônomos Descobrem Enxame Oculto De Lixo Espacial Que Ameaça A órbita Mais ValiOSa Da Terra
© ESA

A Agência Espacial Europeia (ESA) acompanha de perto o crescimento dos detritos.

Entre 2019 e 2024, uma média de aproximadamente 290 objetos maiores que 10 centímetros reentrou na atmosfera terrestre todos os anos. Uma década antes, esse número ficava próximo de 100 reentradas anuais.

O aumento reflete a expansão das atividades espaciais e, principalmente, das grandes constelações de satélites.

A maioria dos equipamentos que retorna à Terra acaba sendo destruída pelo intenso aquecimento durante a passagem pela atmosfera. Ainda assim, controlar o que permanece em órbita é fundamental para evitar uma reação em cadeia de colisões.

Existem maneiras de reduzir o problema

Uma das prioridades é impedir que satélites abandonados permaneçam indefinidamente no espaço.

Algumas missões utilizam órbitas planejadas para que o equipamento perca altitude gradualmente e seja destruído durante a reentrada atmosférica.

Outra estratégia é a chamada passivação. Depois que uma missão termina, combustível, baterias e outras fontes de energia são neutralizados. Isso reduz o risco de explosões capazes de gerar milhares de novos fragmentos.

Satélites também podem utilizar escudos Whipple, estruturas projetadas para diminuir os danos provocados por pequenos impactos.

Pesquisadores ainda estudam soluções mais ambiciosas. Uma delas envolve lasers de alta potência capazes de aquecer pequenos detritos e alterar ligeiramente sua trajetória, fazendo com que percam altitude.

Uma órbita cada vez mais difícil de administrar

Para Jonny Dyer, CEO da Muon Space, o problema não depende apenas da quantidade de equipamentos. Falhas operacionais, negligência ou ações deliberadas também podem aumentar os riscos.

A própria SpaceX reconhece que o crescimento do número de objetos em órbita baixa aumenta as chances de colisões acidentais e fragmentações.

O desafio será encontrar um equilíbrio. A infraestrutura espacial tornou-se essencial para internet, comunicação, navegação, previsão do tempo e observação da Terra. Porém, sem regras eficientes e melhores sistemas de monitoramento, as regiões mais utilizadas ao redor do planeta podem se tornar progressivamente mais perigosas.

No espaço, até um fragmento minúsculo pode representar uma ameaça quando viaja a milhares de quilômetros por hora.

 

[ Fonte: Ok Diario ]

 

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