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Ciência

Astrônomos encontraram um planeta do tamanho da Terra em um sistema que pode sobreviver por 100 bilhões de anos — e cientistas da UNAM participaram da descoberta

O exoplaneta SPECULOOS-3 b orbita uma estrela ultrafria capaz de viver dez vezes mais que o Sol. Apesar de ser um mundo hostil e sem atmosfera, ele oferece uma oportunidade rara para estudar a geologia de planetas rochosos fora do Sistema Solar usando o telescópio James Webb.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A busca por exoplanetas costuma ser motivada por uma pergunta central: existe vida fora da Terra? Mas, às vezes, as descobertas mais interessantes não envolvem mundos habitáveis — e sim planetas extremos que ajudam os cientistas a entender como os sistemas planetários evoluem ao longo de bilhões de anos.

Foi exatamente isso que aconteceu com o recém-descoberto SPECULOOS-3 b, um planeta rochoso de tamanho semelhante ao da Terra localizado a cerca de 55 anos-luz daqui. O achado foi liderado por uma equipe internacional de astrônomos com participação de pesquisadoras da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

Os resultados foram publicados na revista científica Nature Astronomy e revelam um planeta que provavelmente jamais poderá abrigar vida como conhecemos. Ainda assim, ele pode se tornar um laboratório natural valioso para estudar mundos rochosos fora do Sistema Solar.

Um planeta infernal preso a uma estrela ultrafria

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© https://x.com/Astropics_bb

O SPECULOOS-3 b orbita uma estrela anã vermelha extremamente fria e pouco luminosa. Esse tipo de estrela é muito menor que o Sol e consome combustível de maneira muito mais lenta.

Enquanto o Sol deve sobreviver por cerca de 10 bilhões de anos no total, a estrela do novo sistema pode continuar existindo por aproximadamente 100 bilhões de anos — um período gigantesco em escala cósmica.

O planeta, porém, está longe de ser um paraíso.

Um ano em SPECULOOS-3 b dura apenas 17 horas. Os astrônomos acreditam que ele esteja gravitacionalmente travado à estrela, como acontece com a Lua em relação à Terra. Isso significa que um lado do planeta permanece eternamente voltado para a estrela, recebendo calor constante, enquanto o outro mergulha em escuridão perpétua.

O resultado é um ambiente extremamente hostil.

As observações indicam que a intensa radiação emitida pela estrela eliminou qualquer atmosfera que o planeta pudesse ter no passado. Hoje, o SPECULOOS-3 b provavelmente é uma rocha nua e escaldante, semelhante a Mercúrio — só que em condições ainda mais extremas.

Mesmo sem vida, ele pode revelar segredos sobre planetas rochosos

Embora as chances de habitabilidade sejam praticamente nulas, os cientistas estão empolgados por outro motivo.

Segundo os pesquisadores, esse é um dos melhores candidatos já encontrados para estudar a geologia de um planeta rochoso fora do Sistema Solar.

A relativa proximidade do sistema permitirá observações detalhadas com o Telescópio Espacial James Webb (JWST), atualmente o observatório mais poderoso já construído para astronomia infravermelha.

Os pesquisadores esperam investigar sinais de atividade vulcânica passada, composição da superfície e possíveis interações entre a estrela e o planeta.

Esse tipo de análise pode ajudar os cientistas a entender como mundos rochosos se formam, evoluem e perdem suas atmosferas ao longo do tempo.

A descoberta envolveu telescópios no México e nas Ilhas Canárias

O planeta foi detectado inicialmente em 2021 usando o telescópio SAINT-EX, instalado no Observatório Astronômico Nacional de San Pedro Mártir, na Baja California, no México.

Depois, as observações foram confirmadas entre 2022 e 2023 pelo telescópio Artemis, localizado nas Ilhas Canárias, na Espanha.

O telescópio mexicano foi operado pelas astrônomas Yilen Gómez Maqueo Chew, Laurence Sabin e Ilse Plauchu-Frayn, todas ligadas à UNAM.

Para identificar o planeta, os cientistas utilizaram o método de trânsito, uma das técnicas mais importantes da astronomia moderna. O sistema mede pequenas quedas no brilho da estrela quando um planeta passa diante dela.

Mesmo mudanças mínimas de luminosidade podem revelar a presença de um mundo distante.

O segundo sistema encontrado desse tipo

Segundo Yilen Gómez Maqueo Chew, este é apenas o segundo sistema planetário conhecido ao redor de uma estrela anã ultrafria.

O primeiro foi o famoso sistema TRAPPIST-1, descoberto em 2016, que chamou atenção por abrigar vários planetas potencialmente habitáveis.

O novo sistema, porém, é muito diferente.

Enquanto TRAPPIST-1 alimentou esperanças sobre vida extraterrestre, o SPECULOOS-3 b representa algo igualmente importante para a ciência: a chance de estudar como mundos extremos sobrevivem — ou deixam de sobreviver — em alguns dos ambientes mais agressivos da galáxia.

E isso pode ajudar a entender não apenas outros planetas, mas também o futuro de sistemas planetários inteiros ao longo do universo.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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