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Ciência

O novo satélite SMILE lançado por China e Europa pode ajudar cientistas a entender tempestades solares perigosas

Uma missão espacial desenvolvida entre China e Europa pretende observar eventos invisíveis que influenciam auroras, tempestades geomagnéticas e até sistemas tecnológicos no planeta.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O espaço entre o Sol e a Terra parece vazio à primeira vista, mas está longe de ser tranquilo. Tempestades solares, partículas carregadas e explosões magnéticas atravessam constantemente essa região invisível, afetando satélites, comunicações e até redes elétricas. Agora, uma nova missão espacial internacional quer observar esses fenômenos de uma maneira inédita. E o detalhe mais curioso é que ela nasce de uma colaboração rara entre China e Europa em um momento de tensões crescentes na cooperação espacial global.

O satélite SMILE já está no espaço

O novo satélite SMILE lançado por China e Europa pode ajudar cientistas a entender tempestades solares perigosas
© https://x.com/China_Fact

A missão SMILE foi lançada oficialmente em maio de 2026 a bordo de um foguete Vega C, partindo do Centro Espacial da Guiana Francesa.

O nome da missão significa Solar wind Magnetosphere Ionosphere Link Explorer, algo como “Explorador da ligação entre vento solar, magnetosfera e ionosfera”.

O projeto foi desenvolvido conjuntamente pela Agência Espacial Europeia e pela Academia Chinesa de Ciências, em uma parceria considerada rara nos últimos anos.

O satélite pesa cerca de 2,2 toneladas e inicialmente foi colocado em uma órbita circular de aproximadamente 706 quilômetros de altitude. Depois disso, começou a usar seu próprio sistema de propulsão para alcançar uma órbita muito mais extrema e alongada.

Essa trajetória elíptica permitirá que o SMILE permaneça durante longos períodos observando regiões críticas da magnetosfera terrestre.

E é justamente aí que a missão se torna especialmente importante.

A magnetosfera funciona como uma espécie de escudo invisível criado pelo campo magnético da Terra. Ela protege o planeta contra partículas altamente energéticas emitidas pelo Sol.

Mas esse sistema não é estático. O tempo todo ele sofre impactos, deformações e explosões magnéticas provocadas pelo chamado vento solar.

E os cientistas ainda tentam entender muitos desses processos.

O objetivo é observar diretamente fenômenos invisíveis ao olho humano

O novo satélite SMILE lançado por China e Europa pode ajudar cientistas a entender tempestades solares perigosas
© https://x.com/globaltimesnews

Grande parte das missões espaciais que estudaram a relação entre Sol e Terra focava principalmente em medir partículas e campos magnéticos.

O diferencial do SMILE é outro.

Ele utilizará telescópios especiais para observar diretamente certas estruturas da magnetosfera e da ionosfera em tempo real.

O satélite carrega quatro instrumentos científicos principais.

Entre eles está o telescópio de raios X SXI, capaz de captar emissões extremamente energéticas vindas da interação entre o vento solar e o campo magnético terrestre.

O equipamento utiliza uma tecnologia conhecida como “olho de lagosta”, um tipo de óptica inspirada na anatomia desses animais marinhos.

Além disso, o satélite também possui um telescópio ultravioleta voltado à observação da ionosfera e das auroras boreais.

Outro instrumento importante é o detector de íons LIA, responsável por analisar partículas carregadas presentes no ambiente espacial ao redor da Terra.

Já o magnetômetro do SMILE medirá alterações nos campos magnéticos com altíssima precisão.

Graças à sua órbita extremamente alongada, a missão conseguirá monitorar auroras boreais por até 45 horas consecutivas.

Isso permitirá acompanhar com muito mais detalhe como esses fenômenos reagem às mudanças no vento solar.

A missão pode ajudar a prever tempestades solares perigosas

O novo satélite SMILE lançado por China e Europa pode ajudar cientistas a entender tempestades solares perigosas
© https://x.com/globaltimesnews

Um dos principais objetivos científicos do SMILE é entender melhor o fenômeno conhecido como reconexão magnética.

Esse processo ocorre quando linhas do campo magnético se rompem e se reorganizam violentamente, liberando enormes quantidades de energia.

É justamente esse mecanismo que está por trás de muitas tempestades geomagnéticas.

Esses eventos podem provocar impactos reais na Terra.

Tempestades solares intensas têm potencial para afetar satélites, sistemas de GPS, comunicações de rádio, redes elétricas e até missões espaciais tripuladas.

Em casos extremos, especialistas temem danos significativos à infraestrutura tecnológica global.

Por isso, compreender melhor como essas interações acontecem virou prioridade para várias agências espaciais.

A missão também ganhou importância política e estratégica por causa da cooperação entre Europa e China.

Nos últimos anos, parcerias espaciais entre países ocidentais e instituições chinesas diminuíram bastante devido a tensões geopolíticas e restrições internacionais.

Mesmo assim, o SMILE conseguiu avançar após mais de uma década de desenvolvimento, atrasos causados pela pandemia e diversos desafios técnicos e diplomáticos.

Agora, já em operação no espaço, o satélite começa uma missão que pode ampliar significativamente o entendimento humano sobre um dos ambientes mais dinâmicos e invisíveis que cercam o planeta.

[Fonte: Daniel Marin]

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