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Ciência

Astrônomos pesam um buraco negro colossal do universo primitivo: sua massa é tão absurda que o Sol parece uma bolinha de gude

Uma equipe de cientistas conseguiu realizar algo que parecia impossível há poucos anos: medir a massa de um buraco negro adormecido localizado a 10 bilhões de anos-luz da Terra. O resultado impressiona até mesmo os astrônomos mais experientes. O objeto possui cerca de 6 bilhões de vezes a massa do Sol e oferece uma rara janela para entender como os gigantes cósmicos surgiram nos primeiros bilhões de anos do universo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Medir o peso de um buraco negro não é uma tarefa simples. Afinal, esses objetos são famosos justamente por não emitirem luz. Quando estão inativos, tornam-se praticamente invisíveis aos telescópios tradicionais.

Mesmo assim, pesquisadores da Carnegie Science, na Califórnia, conseguiram determinar a massa de um buraco negro localizado no centro da galáxia MRG-M0138, uma das galáxias mais antigas já estudadas com esse nível de detalhe.

A descoberta foi publicada na revista Science e representa um marco na exploração do universo distante.

Um gigante que desafia a imaginação

Buraco Negro3
© J. Schnittman and B. Powell – NASA’s Goddard Space Flight Center

O buraco negro analisado possui aproximadamente 6 bilhões de massas solares.

Para colocar isso em perspectiva, o Sol tem uma massa de cerca de 2 × 10³⁰ quilos. Multiplicar esse número por seis bilhões produz um valor tão gigantesco que perde qualquer significado intuitivo para o cérebro humano.

É por isso que os astrônomos costumam comparar esses objetos com a massa do Sol em vez de utilizar quilogramas ou toneladas.

Mesmo assim, a comparação continua impressionante. Se o Sol fosse uma simples bolinha de gude, esse buraco negro seria um verdadeiro monstro cósmico dominando o centro de sua galáxia.

Uma viagem de 10 bilhões de anos no tempo

O que torna a descoberta ainda mais fascinante é a distância da galáxia observada.

A luz de MRG-M0138 levou cerca de 10 bilhões de anos para chegar até nós. Isso significa que os cientistas estão vendo a galáxia como ela era quando o universo tinha apenas cerca de 3 bilhões de anos de idade, pouco mais de um quinto de sua idade atual.

Nesse período, muitas galáxias ainda estavam formando estrelas em ritmo acelerado. No entanto, MRG-M0138 já havia encerrado grande parte dessa atividade, e seu buraco negro central encontrava-se relativamente silencioso.

Essa característica faz do objeto um laboratório ideal para investigar a evolução dos buracos negros supermassivos no universo primitivo.

Como pesar algo que não pode ser visto

A medição só foi possível graças ao poderoso Telescópio Espacial James Webb, atualmente o instrumento mais avançado já construído para observar o cosmos.

Embora o buraco negro não possa ser visto diretamente, sua gravidade influencia o movimento das estrelas ao redor.

Os pesquisadores utilizaram uma técnica conhecida como dinâmica estelar. O método consiste em analisar a velocidade das estrelas próximas ao centro da galáxia e compará-la com a das estrelas mais distantes.

Quanto maior a massa concentrada no núcleo galáctico, mais rapidamente essas estrelas se movem. A partir dessas medições, é possível calcular a massa do buraco negro responsável por esse efeito gravitacional.

A técnica já havia sido usada anteriormente, mas nunca para um buraco negro inativo localizado tão longe da Terra. O recorde anterior envolvia objetos cerca de 15 vezes mais próximos.

O que essa descoberta revela sobre o universo

Buraco Negro Via Lactea
© NASA Hubble Space Telescope

O estudo vai muito além de simplesmente atribuir um número a um objeto distante.

Uma das grandes questões da astronomia moderna é entender como os buracos negros supermassivos cresceram tão rapidamente após o nascimento do universo. Alguns deles atingiram bilhões de massas solares em um período relativamente curto da história cósmica.

Os novos dados sugerem que galáxias densas e massivas como MRG-M0138 podem ter sido ambientes extremamente favoráveis para esse crescimento acelerado.

Os resultados reforçam a ideia de que existe uma ligação profunda entre a evolução das galáxias e a dos buracos negros localizados em seus centros.

O começo de uma nova era de descobertas

A pesquisa também demonstra o enorme potencial do James Webb para investigar regiões do universo que antes estavam fora de alcance.

E o futuro promete observações ainda mais detalhadas. Cientistas da Carnegie Science participam da expansão do observatório de Las Campanas, no Chile, que contará com instrumentos capazes de estudar o movimento das estrelas em galáxias distantes com uma precisão ainda maior.

Cada nova medição ajuda os astrônomos a reconstruir a história dos gigantes cósmicos que moldaram a evolução das galáxias ao longo de bilhões de anos.

No fim das contas, pesar um buraco negro não é apenas uma curiosidade astronômica. É uma forma de compreender como o universo se transformou no vasto cenário que observamos hoje — repleto de gigantes silenciosos que continuam guardando alguns dos maiores mistérios da existência.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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