Medir o peso de um buraco negro não é uma tarefa simples. Afinal, esses objetos são famosos justamente por não emitirem luz. Quando estão inativos, tornam-se praticamente invisíveis aos telescópios tradicionais.
Mesmo assim, pesquisadores da Carnegie Science, na Califórnia, conseguiram determinar a massa de um buraco negro localizado no centro da galáxia MRG-M0138, uma das galáxias mais antigas já estudadas com esse nível de detalhe.
A descoberta foi publicada na revista Science e representa um marco na exploração do universo distante.
Um gigante que desafia a imaginação

O buraco negro analisado possui aproximadamente 6 bilhões de massas solares.
Para colocar isso em perspectiva, o Sol tem uma massa de cerca de 2 × 10³⁰ quilos. Multiplicar esse número por seis bilhões produz um valor tão gigantesco que perde qualquer significado intuitivo para o cérebro humano.
É por isso que os astrônomos costumam comparar esses objetos com a massa do Sol em vez de utilizar quilogramas ou toneladas.
Mesmo assim, a comparação continua impressionante. Se o Sol fosse uma simples bolinha de gude, esse buraco negro seria um verdadeiro monstro cósmico dominando o centro de sua galáxia.
Uma viagem de 10 bilhões de anos no tempo
O que torna a descoberta ainda mais fascinante é a distância da galáxia observada.
A luz de MRG-M0138 levou cerca de 10 bilhões de anos para chegar até nós. Isso significa que os cientistas estão vendo a galáxia como ela era quando o universo tinha apenas cerca de 3 bilhões de anos de idade, pouco mais de um quinto de sua idade atual.
Nesse período, muitas galáxias ainda estavam formando estrelas em ritmo acelerado. No entanto, MRG-M0138 já havia encerrado grande parte dessa atividade, e seu buraco negro central encontrava-se relativamente silencioso.
Essa característica faz do objeto um laboratório ideal para investigar a evolução dos buracos negros supermassivos no universo primitivo.
Como pesar algo que não pode ser visto
A medição só foi possível graças ao poderoso Telescópio Espacial James Webb, atualmente o instrumento mais avançado já construído para observar o cosmos.
Embora o buraco negro não possa ser visto diretamente, sua gravidade influencia o movimento das estrelas ao redor.
Os pesquisadores utilizaram uma técnica conhecida como dinâmica estelar. O método consiste em analisar a velocidade das estrelas próximas ao centro da galáxia e compará-la com a das estrelas mais distantes.
Quanto maior a massa concentrada no núcleo galáctico, mais rapidamente essas estrelas se movem. A partir dessas medições, é possível calcular a massa do buraco negro responsável por esse efeito gravitacional.
A técnica já havia sido usada anteriormente, mas nunca para um buraco negro inativo localizado tão longe da Terra. O recorde anterior envolvia objetos cerca de 15 vezes mais próximos.
O que essa descoberta revela sobre o universo

O estudo vai muito além de simplesmente atribuir um número a um objeto distante.
Uma das grandes questões da astronomia moderna é entender como os buracos negros supermassivos cresceram tão rapidamente após o nascimento do universo. Alguns deles atingiram bilhões de massas solares em um período relativamente curto da história cósmica.
Os novos dados sugerem que galáxias densas e massivas como MRG-M0138 podem ter sido ambientes extremamente favoráveis para esse crescimento acelerado.
Os resultados reforçam a ideia de que existe uma ligação profunda entre a evolução das galáxias e a dos buracos negros localizados em seus centros.
O começo de uma nova era de descobertas
A pesquisa também demonstra o enorme potencial do James Webb para investigar regiões do universo que antes estavam fora de alcance.
E o futuro promete observações ainda mais detalhadas. Cientistas da Carnegie Science participam da expansão do observatório de Las Campanas, no Chile, que contará com instrumentos capazes de estudar o movimento das estrelas em galáxias distantes com uma precisão ainda maior.
Cada nova medição ajuda os astrônomos a reconstruir a história dos gigantes cósmicos que moldaram a evolução das galáxias ao longo de bilhões de anos.
No fim das contas, pesar um buraco negro não é apenas uma curiosidade astronômica. É uma forma de compreender como o universo se transformou no vasto cenário que observamos hoje — repleto de gigantes silenciosos que continuam guardando alguns dos maiores mistérios da existência.
[ Fonte: Xataka ]