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Ciência

Astrônomos registram a primeira imagem de um planeta em nascimento — e ela muda tudo o que sabíamos

Pela primeira vez, cientistas conseguiram capturar a formação de um planeta em tempo real, dentro de um disco de poeira e gás que circunda uma estrela jovem. O achado confirma décadas de teorias e abre uma janela inédita para entender como mundos como Júpiter e Saturno surgiram no início do Sistema Solar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Por décadas, a astronomia viveu com um mistério: sabíamos que planetas nascem em discos de gás e poeira, mas nunca havia sido registrada uma imagem direta desse processo. Agora, uma equipe internacional rompeu essa barreira ao identificar WISPIT 2b, um protoplaneta em plena fase de crescimento a 440 anos-luz da Terra.

Um planeta visto em pleno parto cósmico

B2v Estrela
© X-@ExploreCosmos_

O registro foi feito graças a tecnologias de ponta em óptica adaptativa, como o MagAO-X no Telescópio Magalhães (Chile), o Large Binocular Telescope (EUA) e o Very Large Telescope (ESO, Chile). Eles detectaram a luz característica do hidrogênio Hα, gerada quando o gás cai sobre a superfície incandescente do planeta em formação.

Essa assinatura é a prova de que WISPIT 2b não é apenas um objeto estático, mas um mundo que continua a ganhar massa dentro de um espaço limpo entre dois anéis brilhantes no disco da estrela jovem WISPIT 2, semelhante ao Sol.

A confirmação de uma teoria antiga

Durante anos, astrônomos suspeitaram que os “vazios” nos discos estelares eram esculpidos por planetas em crescimento, mas nunca houve comprovação direta. “Se escreveram dezenas de artigos sobre o tema, mas ninguém tinha a evidência até agora”, explicou Laird Close, da Universidade do Arizona e líder da pesquisa.

A descoberta confirma que os protoplanetas podem de fato abrir caminhos dentro dos discos — um avanço que muda a forma como entendemos a arquitetura dos sistemas planetários.

Ecos do Sistema Solar primitivo

WISPIT 2b orbita a cerca de 56 unidades astronômicas (UA) da sua estrela — muito além da órbita de Netuno — e tem aproximadamente cinco vezes a massa de Júpiter. Outro candidato, apelidado de CC1, foi detectado a 15 UA, região comparável às órbitas de Saturno e Urano.

“É parecido com como nossos Júpiter e Saturno seriam há 4,5 bilhões de anos, mas 5.000 vezes mais jovens”, disse Gabriel Weible, estudante da Universidade do Arizona. O sistema serve como espelho do passado do nosso próprio Sol, que também foi cercado por um disco cheio de anéis e lacunas.

Mais do que uma imagem: um laboratório natural

Além da confirmação visual, os dados em infravermelho consolidaram a existência de WISPIT 2b e reforçaram a hipótese de que diferentes configurações de discos — inclusive os de múltiplos anéis — podem gerar planetas gigantes.

Os pesquisadores estimam que o protoplaneta ainda está crescendo a uma taxa de 10^-12 massas solares por ano, limpando ativamente o espaço entre os anéis e remodelando o disco ao seu redor.

O impacto para o futuro da astronomia

A detecção direta de um planeta em formação não apenas valida modelos teóricos: ela abre caminho para observar a diversidade de mundos que podem surgir em sistemas jovens. Como ressaltou Richelle van Capelleveen, do Observatório de Leiden, se o sistema WISPIT 2 tivesse a idade do nosso Sol, seria invisível com a tecnologia atual — tudo estaria frio e escuro demais.

O momento capturado é, portanto, uma raridade cósmica: um flagrante do nascimento de um planeta gigante, algo que ajuda a compreender a evolução de sistemas como o nosso e fornece pistas sobre a variedade de arquiteturas possíveis no universo.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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