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Ciência

Até 100 mil satélites podem orbitar a Terra até 2030: o maior desafio será mantê-los funcionando

Com milhares de novos satélites previstos para os próximos anos, especialistas afirmam que o principal desafio da indústria espacial deixará de ser o lançamento e passará a ser a operação segura dessas constelações.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A órbita da Terra está cada vez mais movimentada. Atualmente, cerca de 16 mil satélites circulam ao redor do planeta e sustentam serviços essenciais do cotidiano, como GPS, previsão do tempo, operações bancárias, comunicações, internet e sistemas de emergência. Sem essa infraestrutura espacial, boa parte das tecnologias modernas simplesmente deixaria de funcionar.

Mas esse número deve crescer rapidamente. Algumas estimativas apontam que haverá entre 60 mil e 100 mil satélites em operação até o fim da década. Independentemente da projeção, especialistas concordam em um ponto: o grande desafio não será mais colocá-los em órbita, mas mantê-los funcionando com segurança em um ambiente cada vez mais congestionado.

A órbita terrestre está ficando cada vez mais lotada

Algo totalmente invisível viaja a 28.000 km por hora ao redor da Terra. É, sem dúvida, a maior ameaça para nossos satélites e astronautas
© Astroscale.

O crescimento das chamadas megaconstelações aumenta diversos riscos simultaneamente. Entre eles estão a poluição luminosa, que dificulta as observações astronômicas, e o aumento do tráfego espacial, elevando as chances de colisões entre satélites e outros objetos.

Outro problema é o acúmulo de lixo espacial, formado por satélites desativados e fragmentos produzidos ao longo de décadas de exploração espacial.

Um dos cenários mais preocupantes é o chamado Síndrome de Kessler. Nesse fenômeno, uma colisão gera milhares de fragmentos, que provocam novas colisões em um efeito cascata. Caso isso aconteça em larga escala, determinadas órbitas poderão se tornar praticamente inutilizáveis durante muitos anos, comprometendo futuras missões espaciais.

Além disso, satélites antigos ou com falhas podem perder o controle de sua trajetória, colidir com outros equipamentos ou reentrar na atmosfera de forma descontrolada. Diferentemente de um automóvel ou de um avião, eles não podem ser levados para manutenção depois que chegam ao espaço.

Como milhares de satélites são monitorados

Starlink Satelite
© Unsplash

Hoje, o monitoramento é realizado por estações terrestres que recebem dados de telemetria enviados continuamente pelos satélites.

Os engenheiros acompanham informações como nível das baterias, consumo de energia, temperatura, orientação e desempenho dos sistemas embarcados. Esse acompanhamento permite identificar anomalias antes que elas provoquem falhas mais graves.

Esse modelo funciona há décadas, mas o crescimento acelerado do número de satélites exige soluções capazes de analisar volumes muito maiores de informações.

É nesse cenário que a inteligência artificial ganha importância.

Inteligência artificial pode prever falhas antes que elas aconteçam

As baterias estão entre os componentes que mais preocupam os operadores de satélites. Assim como acontece em celulares e carros elétricos, sua capacidade diminui com o passar do tempo.

Detectar esse desgaste antecipadamente permite reduzir o consumo de energia, reorganizar determinadas funções ou desligar temporariamente sistemas secundários para prolongar a vida útil do equipamento.

Diversos grupos de pesquisa trabalham em modelos de aprendizado de máquina capazes de identificar sinais precoces de degradação utilizando dados históricos.

Em um estudo recente, pesquisadores utilizaram informações públicas sobre baterias de satélites da NASA para verificar se esses algoritmos conseguem prever a evolução do desempenho antes que ocorram falhas.

Outra tecnologia promissora é o aprendizado federado. Em vez de transmitir continuamente grandes volumes de dados para a Terra, cada satélite processa suas próprias informações e compartilha apenas o conhecimento aprendido.

Essa abordagem reduz o consumo de energia, economiza largura de banda e diminui a quantidade de dados enviada aos centros de controle.

A supervisão humana continuará sendo indispensável

Apesar do avanço da inteligência artificial, essas tecnologias ainda precisam passar por rigorosos processos de validação antes de serem utilizadas em missões reais.

Os algoritmos são submetidos a testes com dados históricos, simulações e experimentos em laboratório para garantir sua confiabilidade.

Mesmo assim, as decisões relacionadas às operações mais críticas continuam sendo supervisionadas por engenheiros.

Com dezenas de milhares de satélites previstos para os próximos anos, garantir seu funcionamento, antecipar falhas e reduzir riscos de colisões será tão importante quanto continuar expandindo a infraestrutura espacial.

 

[ Fonte: Meteored ]

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