Chamado KIC 9139163 Ab, o mundo não foi observado passando diante de sua estrela. Sua existência foi revelada indiretamente, combinando dados dos telescópios Kepler e TESS com observações realizadas da Terra. E seu futuro parece pouco promissor: o planeta estaria lentamente se aproximando da estrela.
Um mundo quente que pode ser rico em água

O estudo sobre KIC 9139163 Ab foi apresentado por pesquisadores que analisaram diferentes sinais produzidos pelo planeta durante sua órbita.
Os cálculos indicam que ele possui aproximadamente 2,43 vezes o raio da Terra e cerca de 7,3 vezes sua massa.
Quando tamanho e massa são combinados para estimar sua densidade, surge uma possibilidade surpreendente: uma grande parcela de sua composição pode ser formada por água.
Segundo os pesquisadores, ela poderia representar até aproximadamente metade da massa do planeta.
Mas isso não significa que KIC 9139163 Ab seja um mundo coberto por oceanos semelhantes aos terrestres.
O planeta está tão perto de sua estrela que completa uma órbita em aproximadamente 14 horas. Em outras palavras, seu “ano” dura menos de um dia terrestre.
As temperaturas nesse ambiente seriam extremas, tornando qualquer água presente muito diferente dos mares que conhecemos na Terra.
O planeta está no chamado “deserto neptuniano”
A localização de KIC 9139163 Ab torna sua existência ainda mais intrigante.
Ele ocupa uma região conhecida pelos astrônomos como “deserto neptuniano”, onde planetas com dimensões semelhantes às de Netuno são relativamente raros.
A explicação está na proximidade das estrelas.
Nessas regiões, a intensa radiação pode remover progressivamente a atmosfera de planetas desse tamanho. Depois de bilhões de anos, o que pode permanecer é apenas um núcleo mais denso e rochoso.
KIC 9139163 Ab parece contrariar parcialmente esse cenário.
Os pesquisadores encontraram sinais compatíveis com uma atmosfera dinâmica e possivelmente coberta por nuvens densas e altamente refletivas.
Entender como essa atmosfera conseguiu sobreviver pode ajudar os astrônomos a descobrir como planetas extremos evoluem quando orbitam muito perto de suas estrelas.
Como encontrar um planeta que não passa diante da estrela?
Grande parte dos exoplanetas conhecidos foi descoberta pelo método de trânsito.
Quando um planeta passa entre sua estrela e a Terra, bloqueia uma pequena quantidade da luz estelar. Telescópios extremamente sensíveis conseguem detectar essa redução periódica de brilho.
Mas existe um problema: para funcionar, a órbita precisa estar alinhada corretamente com nossa linha de visão.
KIC 9139163 Ab não apresenta esses trânsitos.
Os cientistas precisaram analisar as chamadas curvas de fase registradas pelos telescópios espaciais Kepler e TESS. Elas revelam pequenas mudanças no brilho do sistema conforme o planeta percorre sua órbita e diferentes regiões dele refletem a luz da estrela.
A equipe também utilizou medições de velocidade radial obtidas com o instrumento HARPS-N.
Essa técnica procura pequenas oscilações no movimento da estrela provocadas pela atração gravitacional exercida pelo planeta. A combinação dos dois métodos permitiu reunir evidências da existência do mundo sem observá-lo diretamente em trânsito.
O planeta estaria condenado a cair na estrela

A descoberta ainda revelou algo mais dramático.
Os pesquisadores identificaram variações no sinal que podem estar relacionadas aos efeitos das forças de maré exercidas pela estrela.
Como KIC 9139163 Ab está extremamente próximo dela, a interação gravitacional entre os dois corpos pode alterar gradualmente sua órbita.
Nesse cenário, o planeta perde energia orbital e se aproxima cada vez mais da estrela.
Se esse processo continuar, seu destino final será inevitável: KIC 9139163 Ab poderá alcançar uma região em que será destruído ou engolido pela própria estrela.
Por enquanto, ele permanece como um laboratório natural para estudar uma categoria extrema de exoplanetas.
É um mundo possivelmente rico em água, escondido dos métodos tradicionais de detecção e localizado onde planetas desse tamanho dificilmente deveriam sobreviver. Mas sua existência pode ser apenas temporária — uma etapa de uma lenta queda em direção à estrela que um dia poderá destruí-lo.
[ Fonte: Xataka ]