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Brasil quer uma rota direta para a Ásia: China já estuda ferrovia de 4.500 km que cruzaria os Andes

Boa parte da soja, do milho e do minério de ferro que o Brasil exporta para a Ásia percorre milhares de quilômetros antes mesmo de chegar ao destino. Agora, Brasil e China estudam uma alternativa ambiciosa: uma ferrovia de até 4.500 quilômetros que atravessaria a América do Sul e os Andes até alcançar o Pacífico.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O objetivo seria conectar áreas produtoras brasileiras ao porto de Chancay, no Peru. A rota poderia reduzir distâncias logísticas para mercadorias destinadas principalmente aos mercados asiáticos. Mas o projeto ainda está longe de sair do papel.

Brasil e China assinaram acordo para estudar a ferrovia

Brasil Quer Uma Rota Direta Para A Ásia China Já Estuda Ferrovia De 4.500 Km Que Cruzaria Os Andes (2)
© jasper benning – Unsplash

O passo mais concreto ocorreu em 7 de julho de 2025.

Brasil e China assinaram um memorando de entendimento para realizar estudos de viabilidade técnica, econômica, social e ambiental de um corredor ferroviário internacional entre o território brasileiro e Chancay.

O acordo envolve a Infra S.A., estatal brasileira de planejamento e infraestrutura de transportes, e o Instituto de Planejamento e Pesquisa Econômica da China State Railway Group, gigante ferroviária estatal chinesa.

O prazo previsto para a realização dos estudos é de cinco anos.

Isso significa que o acordo não autoriza a construção da ferrovia. Por enquanto, as partes pretendem descobrir se um empreendimento dessa dimensão é tecnicamente possível e economicamente viável.

Uma ferrovia de até 4.500 quilômetros

O trajeto definitivo também não foi escolhido.

Uma das alternativas estudadas partiria de Mato Grosso, um dos maiores centros de produção agrícola do Brasil, seguindo por Rondônia e Acre antes de entrar no Peru.

Outra possibilidade seria estabelecer uma conexão desde Ilhéus, na Bahia, atravessando praticamente todo o território brasileiro antes de alcançar o país vizinho.

Na configuração mais extensa, o corredor poderia chegar a aproximadamente 4.500 quilômetros.

Independentemente da alternativa escolhida, existe um obstáculo inevitável: os Andes.

A ferrovia precisaria atravessar uma das maiores cadeias de montanhas do planeta antes de descer em direção à costa peruana. Isso exigiria grandes obras de engenharia e ajudaria a elevar consideravelmente o custo do projeto.

Por que o porto de Chancay é tão importante

Do outro lado dos Andes está a peça central dessa estratégia: Chancay.

Localizado aproximadamente 70 quilômetros ao norte de Lima, o megaporto peruano foi inaugurado em 2024 e conta com forte participação da estatal chinesa Cosco Shipping.

Sua localização permite estabelecer conexões marítimas diretas pelo Pacífico com mercados asiáticos.

Para o Brasil, uma ligação ferroviária com Chancay poderia criar uma nova saída para parte das exportações produzidas no interior do país.

Hoje, muitas dessas mercadorias precisam seguir até portos brasileiros no Atlântico. Dependendo da rota marítima escolhida, os navios destinados à Ásia percorrem trajetos significativamente maiores ou utilizam passagens como o Canal do Panamá.

Uma saída pelo Pacífico poderia modificar essa equação logística.

O projeto ainda enfrenta enormes obstáculos

Apesar do potencial, a chamada ferrovia bioceânica ainda não possui data para o início das obras.

E os desafios são consideráveis.

O primeiro deles é financeiro. Algumas estimativas mencionadas para versões do projeto colocam o investimento na casa dos US$ 18,5 bilhões, embora o valor final dependa diretamente do trajeto escolhido e das soluções de engenharia necessárias.

Também existem questões ambientais importantes.

Parte do corredor poderia atravessar áreas de floresta amazônica, enquanto o trecho peruano precisaria vencer a geografia dos Andes. Estudos ambientais e processos de licenciamento seriam essenciais antes de qualquer construção.

Há ainda uma questão política fundamental: o Peru.

Uma ferrovia internacional não pode simplesmente ser construída pelo Brasil e pela China. Qualquer trecho em território peruano depende da participação e das autorizações das autoridades do país.

Uma ideia antiga que ganhou novo impulso

Projetos para conectar os oceanos Atlântico e Pacífico por ferrovia na América do Sul circulam há mais de uma década.

Até agora, dificuldades financeiras, ambientais, políticas e geográficas impediram que essas propostas avançassem para uma construção em grande escala.

A entrada chinesa nos novos estudos dá fôlego à ideia, principalmente porque Chancay criou uma infraestrutura portuária capaz de transformar a costa peruana em um ponto estratégico para o comércio com a Ásia.

Mas os próximos anos serão decisivos.

Antes de imaginar trens brasileiros atravessando os Andes carregados de soja e minério, os estudos precisarão responder à pergunta fundamental: se a economia de milhares de quilômetros de transporte marítimo compensaria o enorme custo de construir uma ferrovia através de selvas, fronteiras e uma cordilheira inteira.

 

 

 

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