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Ciência

Cientistas descobrem bactéria no kimchi que pode eliminar microplásticos do corpo

Uma bactéria presente no tradicional kimchi chamou atenção de pesquisadores após demonstrar capacidade surpreendente de capturar nanoplásticos dentro do organismo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os microplásticos já foram encontrados na água, nos alimentos, no sangue humano e até em órgãos como cérebro e rins. Agora, cientistas começaram a procurar maneiras de impedir que essas partículas continuem se acumulando no corpo. E uma descoberta feita na Coreia do Sul acabou colocando um alimento fermentado milenar no centro dessa investigação. Pesquisadores identificaram uma bactéria presente no kimchi capaz de aderir fortemente aos nanoplásticos e ajudar na eliminação dessas partículas do organismo.

A bactéria do kimchi que surpreendeu os cientistas

Cientistas descobrem bactéria no kimchi que pode eliminar microplásticos do corpo
© Unsplash

O estudo foi conduzido pelo Instituto Mundial do Kimchi, na Coreia do Sul, e investigou o comportamento de bactérias probióticas presentes no tradicional alimento fermentado coreano.

Os pesquisadores concentraram a análise em uma cepa chamada Leuconostoc mesenteroides CBA3656, uma bactéria láctica derivada do kimchi que demonstrou resultados impressionantes em laboratório.

O foco da pesquisa estava nos nanoplásticos, partículas extremamente pequenas originadas da degradação de materiais plásticos maiores. Com menos de 1 micrômetro de tamanho, essas estruturas podem entrar no organismo por meio da água, alimentos e até do ar.

Nos últimos anos, estudos passaram a relacionar o acúmulo dessas partículas a possíveis riscos para a saúde humana, especialmente porque elas conseguem alcançar órgãos importantes.

Durante os testes laboratoriais, os cientistas avaliaram a capacidade da bactéria do kimchi de se ligar a nanoplásticos de poliestireno. Em condições normais, a cepa conseguiu uma eficiência de adsorção de 87%, número considerado extremamente elevado.

Mas o resultado mais impressionante surgiu quando os pesquisadores criaram ambientes semelhantes ao intestino humano.

Enquanto outras bactérias perdiam quase totalmente a capacidade de aderência nessas condições, a cepa derivada do kimchi continuou funcionando de maneira muito mais eficiente.

Isso chamou atenção porque indica que o probiótico pode manter sua atividade mesmo dentro do sistema digestivo humano.

O que aconteceu com os ratos que receberam o probiótico

Após os testes iniciais, a equipe decidiu avançar para experimentos em animais.

Os cientistas administraram a bactéria em ratos livres de germes e acompanharam o comportamento dos nanoplásticos no organismo dos animais.

Os resultados mostraram que os ratos que receberam o probiótico eliminaram mais do que o dobro de nanoplásticos pelas fezes em comparação aos animais que não receberam a bactéria.

Segundo os pesquisadores, isso sugere que o micro-organismo consegue capturar partículas plásticas dentro do intestino e facilitar sua excreção antes que elas sejam absorvidas pelo corpo.

A descoberta é considerada importante porque os nanoplásticos representam um dos problemas mais difíceis de estudar atualmente. Por serem extremamente pequenos, eles conseguem atravessar barreiras biológicas com facilidade e podem permanecer acumulados no organismo por longos períodos.

Além disso, a presença crescente dessas partículas no meio ambiente aumentou a preocupação da comunidade científica com possíveis impactos de longo prazo na saúde pública.

O líder da pesquisa, Sehee Lee, afirmou que a poluição plástica já não é vista apenas como um problema ambiental, mas também como uma ameaça potencial para o corpo humano.

O papel dos alimentos fermentados pode ser maior do que imaginávamos

O estudo também reforçou uma linha de pesquisa que vem ganhando força nos últimos anos: a ideia de que micro-organismos presentes em alimentos fermentados podem desempenhar funções muito mais complexas do que apenas auxiliar na digestão.

Segundo os cientistas, certas bactérias probióticas podem interagir diretamente com contaminantes ambientais dentro do organismo.

Isso abre espaço para o desenvolvimento de novas abordagens biológicas capazes de reduzir os efeitos da exposição constante aos microplásticos.

Apesar do entusiasmo, os pesquisadores alertam que ainda são necessários estudos mais amplos em humanos antes que qualquer tratamento baseado nessas bactérias seja recomendado.

Mesmo assim, os resultados publicados na revista Bioresource Technology já despertaram interesse internacional porque mostram uma possibilidade inédita de combater um dos contaminantes mais disseminados da atualidade utilizando micro-organismos naturais.

Enquanto cientistas continuam tentando entender os impactos reais dos microplásticos no corpo humano, o tradicional kimchi coreano acabou entrando inesperadamente na disputa científica contra a poluição invisível que circula diariamente dentro de nós.

[Fonte: Cadena3]

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