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Aval à Petrobras derruba percepção positiva da COP30

A conferência COP30 sofre um baque na imagem pública depois que o aval à exploração de petróleo na Margem Equatorial da Amazônia, concedido ao Ibama e à Petrobras, gerou forte reação negativa. A pesquisa mostra aumento das menções críticas, queda de apoio e um público digital cada vez mais desconfiado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A COP30, que será realizada em Belém, começa a enfrentar críticas antes mesmo de começar. Após o aval à exploração de petróleo na Margem Equatorial da Amazônia, as menções negativas sobre o evento cresceram nas redes, e a conferência passou a ser vista como símbolo de contradição ambiental.

A COP30 ainda nem começou, mas já enfrenta um desafio de imagem. O aval para que a Petrobras avance em pesquisas de exploração de petróleo na Margem Equatorial da Amazônia gerou uma reação imediata nas redes sociais e entre ambientalistas, que viram na decisão um sinal de incoerência com a pauta climática do evento.

A percepção pública da COP30 muda de tom

De acordo com levantamento da consultoria Quaest, as menções negativas à COP30 aumentaram de 28% para 31% entre os dias 15 e 21 de outubro. No mesmo período, as postagens positivas caíram de 26% para 22%. O sentimento neutro se manteve em 47%, mostrando uma estagnação no entusiasmo que vinha crescendo nas semanas anteriores.

Segundo Marina Siqueira, diretora de Sustentabilidade da Quaest, “a tendência de melhora no sentimento positivo em relação à conferência foi interrompida. Há uma percepção clara de contradição entre os objetivos do evento e as recentes decisões ambientais do governo”.

O volume de postagens sobre o evento chegou a 105 mil menções no período analisado, com cerca de 15 mil por dia, vindas de aproximadamente 46 mil autores únicos.

Por que a Margem Equatorial virou ponto de atrito

A Margem Equatorial da Amazônia é uma das novas fronteiras energéticas do país, rica em petróleo e gás. No entanto, ambientalistas alertam que a região é ecologicamente sensível, com grande biodiversidade marinha e influência direta sobre o equilíbrio climático amazônico.

A autorização para a Petrobras avançar com estudos na Foz do Amazonas foi interpretada como uma decisão política que contraria o discurso de descarbonização e de proteção ambiental que o Brasil pretende defender na COP30. Para críticos, o gesto envia ao mundo uma mensagem ambígua: o país que sedia a conferência sobre clima estaria, ao mesmo tempo, abrindo caminho para novas perfurações em áreas de risco ambiental.

Entre a esperança e a cobrança

A COP30 está marcada para acontecer entre 6 e 21 de novembro de 2025, em Belém. Será a primeira vez que o evento da ONU sobre mudanças climáticas acontece na Amazônia — e isso, até pouco tempo atrás, gerava grande expectativa. A promessa era mostrar o Brasil como protagonista na transição energética e na proteção das florestas tropicais.

Mas o cenário mudou. Nas redes, a pauta da transição energética se tornou o centro do debate. Há elogios a iniciativas de descarbonização e investimentos em energias renováveis, mas também um aumento das críticas ao uso contínuo de combustíveis fósseis. Alguns temem que o abandono do petróleo de forma abrupta cause instabilidade econômica; outros argumentam que continuar apostando em fontes poluentes é simplesmente insustentável.

A batalha por credibilidade climática

A Quaest aponta que o debate digital entrou em uma nova fase: menos entusiasmo e mais cobrança. Os internautas agora analisam a coerência entre o discurso ambiental e as políticas reais do governo brasileiro.

Além da Margem Equatorial, o veto presidencial à Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a demora em medidas concretas de descarbonização também alimentam a desconfiança. Por outro lado, menções positivas ainda destacam ações como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e o diálogo com países dos BRICS sobre financiamento climático.

A COP30 será uma vitrine para o Brasil — e o mundo vai observar cada movimento. Se o país quiser ser visto como líder climático, precisará provar que não existe contradição entre discurso verde e decisões econômicas. Caso contrário, a conferência pode acabar lembrada não pela Amazônia, mas pela incoerência.

[Fonte: Infomoney]

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