Pular para o conteúdo
Tecnologia

Harpia: a supermáquina da Petrobras que promete revolucionar a exploração de petróleo

Equivalente a 10 milhões de celulares trabalhando ao mesmo tempo, a nova supercomputadora Harpia eleva em 60% a capacidade de processamento da Petrobras. Com ela, a estatal pretende acelerar a exploração de petróleo e gás em regiões complexas, mantendo a liderança tecnológica na América Latina.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

A Petrobras acaba de ligar o que pode ser descrito como o “cérebro” mais poderoso do setor energético latino-americano. Batizada de Harpia, a nova supercomputadora de R$ 400 milhões (US$ 75 milhões) foi projetada para transformar dados sísmicos em mapas 3D ultradetalhados do subsolo, permitindo identificar com mais precisão onde estão os reservatórios de petróleo — especialmente no pré-sal e no Margem Equatorial, duas das áreas mais estratégicas do país.

Uma máquina à altura da ambição brasileira

O desempenho da Harpia impressiona: 146 PFlops Rpeak (ou 146 quatrilhões de operações por segundo). Em termos simples, ela tem potência equivalente ao trabalho simultâneo de 10 milhões de smartphones ou 200 mil notebooks. O sistema representa um salto de 60% na capacidade total de processamento da Petrobras, consolidando a estatal como líder regional em computação científica e energia.

Além de Harpia, outras quatro supermáquinas foram incorporadas à infraestrutura da empresa: Ada Lovelace, Capivara, Quati e Tupã 2, todas fornecidas pela Lenovo. Elas estão instaladas no Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), no Rio de Janeiro, um dos maiores complexos de pesquisa em energia do hemisfério sul.

Eficiência energética e tecnologia verde

Cada uma das novas supercomputadoras foi projetada com sistemas avançados de refrigeração líquida, que reduzem o consumo de energia e a emissão de calor — uma inovação essencial para lidar com o volume crescente de dados sem aumentar os custos operacionais. Segundo a Petrobras, o desempenho computacional é até cinco vezes mais eficiente que o das gerações anteriores.

Com essa infraestrutura, a estatal poderá processar e interpretar imagens sísmicas com mais velocidade, melhorando a precisão dos modelos geológicos e reduzindo riscos nas operações offshore. “O ganho de desempenho significa menos tempo para transformar dados brutos em decisões estratégicas”, afirmou Clarice Coppetti, diretora de Assuntos Corporativos da companhia.

Investimento bilionário em inovação

Entre 2025 e 2029, a Petrobras vai investir US$ 4,2 bilhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P,D&I) — um aumento de 17% em relação ao plano anterior. O foco inclui não apenas a exploração de petróleo e gás, mas também transição energética, inteligência artificial e eficiência operacional.

A aposta reforça a ambição da empresa em manter sua liderança tecnológica global, atraindo novas parcerias e investimentos internacionais. Com a Harpia e suas “irmãs digitais”, a Petrobras dá mais um passo para se tornar uma referência em computação de alto desempenho aplicada à energia — um campo que une ciência de dados, geologia e engenharia em escala industrial.

O futuro da exploração de petróleo será cada vez mais digital — e, no caso da Petrobras, cada vez mais rápido.

[Fonte: Radar energético]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados