Poucos atores conseguem rir de si mesmos com tanta naturalidade quanto George Clooney. Em meio à divulgação de um novo projeto, o astro resolveu revisitar um dos capítulos mais controversos de sua filmografia: Batman & Robin. O resultado foi uma conversa leve, cheia de autoironia — e uma revalorização bem-humorada do traje que virou piada eterna na cultura pop.
Clooney em clima de retrospectiva
Enquanto promove Jay Kelly, da Netflix, Clooney tem feito uma espécie de balanço público da própria carreira. Em um vídeo para a Variety, ele falou com alegria surpreendente sobre o período em que vestiu a capa do Cavaleiro das Trevas — um papel que, por muito tempo, preferiu tratar com constrangimento.
O Batman “com mamilos” que virou meme
O ponto alto da conversa foi a lembrança do detalhe mais famoso (e infame) do figurino: os mamilos do uniforme. Brincando com a câmera, Clooney disparou: “Eu fui o melhor Batman, você sabe disso. E Batman tem mamilos, cara”. A piada, repetida com timing cômico, mostra como o ator abraçou o meme em vez de fugir dele.
A peça de figurino criada para Batman & Robin acabou se tornando símbolo de um excesso estético que marcou o longa — e que ajudou a cristalizar sua reputação problemática entre fãs e críticos.
Um set pouco confortável (literalmente)
O riso dá lugar a um tom um pouco mais sério quando Clooney descreve a experiência de filmagem. Segundo ele, o traje era tão rígido e doloroso que mal permitia movimentos. O diretor Joel Schumacher precisava orientar o ator à distância, com microfone e alto-falante, enquanto Clooney ficava deitado numa prancha, sendo erguido apenas para gravar falas curtas.
“Eles me levantavam, eu dizia ‘Eu sou o Batman’, cortavam a cena e me deitavam de novo”, contou, rindo. “Ali eu devia ter percebido que não seria um sucesso.”
Autocrítica que virou folclore
Não é a primeira vez que Clooney fala do filme sem filtros. Em 2020, ele comentou ao radialista Howard Stern que era “terrível” no papel. Um ano depois, disse não ter se surpreendido por ficar de fora de The Flash, já que Batman & Robin teria ajudado a “destruir a franquia”.
Agora, porém, o tom mudou. Entre piadas e lembranças, o ator assume uma “vergonha” que soa mais como afeto distante do que arrependimento.
O lugar de Batman & Robin na cultura pop
Com o passar dos anos, o filme ganhou um status curioso: de fracasso a objeto de culto kitsch. Seus exageros visuais, diálogos camp e escolhas estéticas — como os mamilos do traje — viraram referências recorrentes na internet e em debates sobre adaptações de quadrinhos.
Ao rir do próprio passado, Clooney ajuda a reposicionar o longa não como uma ferida aberta, mas como um episódio excêntrico de uma franquia que sobreviveria para se reinventar depois.
Rir de si como estratégia
A entrevista deixa claro que Clooney está confortável com o espelho que segura diante da própria carreira. Ao transformar um tropeço em anedota, ele reforça uma lição rara em Hollywood: nem todo erro precisa ser apagado; alguns podem virar boas histórias.
E, goste-se ou não do filme, uma coisa ficou para sempre: naquele universo específico, Batman tinha mamilos — e George Clooney não tem mais problema nenhum em lembrar disso.