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Ciência

Bem-estar sexual depois dos 50: como o climatério pode ser o início de um novo despertar

Especialistas reforçam que a menopausa não é o fim da vida sexual feminina. Com acompanhamento médico, estratégias personalizadas e abertura para novas formas de intimidade, mulheres podem viver décadas de prazer e plenitude.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A menopausa ainda carrega muitos estigmas, sobretudo a falsa ideia de que representa o fim da sexualidade da mulher. Mas, cada vez mais, ginecologistas e sexólogos apontam o contrário: o desejo e a vida erótica continuam possíveis — e podem até se tornar mais plenos — desde que os sintomas físicos e emocionais dessa fase sejam enfrentados com cuidado e apoio profissional.

Menopausa não é sinônimo de fim

Segundo a ginecologista Agustina Paula Starvaggi, do Hospital Italiano de Buenos Aires, a sexualidade acompanha a pessoa ao longo de toda a vida, adaptando-se a cada etapa. O desejo pode oscilar, mas o interesse por manter uma vida sexual satisfatória permanece.

Um dos principais desafios está nas crenças sociais: homens costumam ser vistos como sexualmente ativos em qualquer idade, enquanto a mulher, ao encerrar o ciclo reprodutivo, é injustamente associada ao “fim da vida sexual”. Essa visão, afirma Starvaggi, é um obstáculo que precisa ser superado tanto pelas pacientes quanto pelos profissionais de saúde.

A sexóloga clínica Beatriz Literat, do Instituto Médico Halitus, complementa: “A menopausa é apenas a última menstruação. Depois dela, começa o climatério, que pode durar décadas. A sexualidade se transforma, mas não desaparece.”

O impacto dos hormônios

Desejo
© Freepik

O climatério é marcado pela queda de estrogênio, progesterona e testosterona, além da redução da oxitocina — hormônio ligado à excitação e ao vínculo social. Essa combinação gera sintomas conhecidos: fogachos, alterações do sono, cansaço, mudanças de humor, ganho de peso e alterações na imagem corporal.

Esses fatores, associados à secura vaginal e ao desconforto durante as relações, podem afetar o desejo sexual. Mas, como reforça Literat, a capacidade de viver a intimidade não se extingue: ela apenas exige novas estratégias de comunicação e estímulo, seja em relações estáveis ou ocasionais.

Síndrome geniturinária e os sintomas mais comuns

A ginecologista Starvaggi lembra que o termo mais atual para os sintomas pós-menopausa é síndrome geniturinária, que inclui alterações na vulva, vagina, uretra e bexiga. Os sinais mais frequentes são:

  • secura vaginal e dor nas relações (dispareunia);

  • irritação e ardor;

  • urgência urinária e infecções recorrentes.

Esses sintomas podem reduzir a frequência ou o prazer sexual, mas existem tratamentos eficazes e acessíveis para revertê-los.

Tratamentos e estratégias

O primeiro passo é consultar um especialista. Há opções hormonais, como o uso de estrogênios locais em forma de óvulos, cremes ou comprimidos vaginais, que melhoram a elasticidade, a lubrificação e restauram a flora natural. Também pode ser indicado o uso de testosterona em casos de desejo sexual hipoativo.

Além da abordagem hormonal, recomendam-se lubrificantes, exercícios de assoalho pélvico, acompanhamento psicosexológico e mudanças no estilo de vida — como alimentação saudável, prática regular de exercícios e cuidados com a saúde mental.

Segundo Literat, é importante entender que “o desejo sexual não é sempre espontâneo, nem mesmo na juventude. Ele pode ser convocado através de estímulos, comunicação e criatividade na intimidade.”

Sexualidade além da genitalidade

Outro ponto crucial é ampliar a visão de sexualidade. Para muitas mulheres, intimidade não se resume ao ato sexual penetrativo. O prazer pode ser explorado de forma mais ampla, envolvendo o corpo todo, a mente e o vínculo afetivo.

“O cérebro é o verdadeiro maestro”, diz Literat, lembrando que a atividade sexual envolve não apenas a região pélvica, mas também os sistemas nervoso, cardiovascular e respiratório. Ter uma vida sexual ativa é benéfico para a saúde integral.

Expectativa de vida e novos horizontes

Hoje, a expectativa de vida feminina ultrapassa os 85 anos em muitos países. Como a menopausa acontece por volta dos 50, significa que as mulheres têm ainda três décadas ou mais de vida após o climatério.

Nesse período, o fundamental é manter equilíbrio: cuidar da saúde física, preservar vínculos sociais, cultivar atividades prazerosas e não negligenciar a esfera sexual. Uma vida íntima ativa — seja com parceiro ou de forma autosatisfatória — pode ser fonte de bem-estar físico e emocional por muitos anos.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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