Pular para o conteúdo
Ciência

Bone smashing: a perigosa tendência do TikTok que promete definir o maxilar, mas pode deformar o rosto

Uma tendência viral incentiva jovens a provocar traumas no próprio rosto para conseguir um maxilar mais definido. Médicos alertam para fraturas, danos nervosos e deformações permanentes.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Até onde alguém iria para conseguir o rosto considerado perfeito pelas redes sociais? Uma tendência conhecida como bone smashing está chamando a atenção de médicos por incentivar uma prática extremamente perigosa: provocar impactos deliberados no rosto na tentativa de modificar a estrutura óssea. Popularizada em comunidades digitais dedicadas à aparência física, a técnica promete maçãs do rosto mais salientes e um maxilar marcado. O problema é que não existe comprovação científica de seus benefícios, enquanto os riscos são bastante reais.

O que é bone smashing e por que virou tendência?

O termo bone smashing, que pode ser traduzido como esmagamento de ossos, descreve uma prática que busca alterar o formato do rosto por meio de traumatismos repetidos.

Seus defensores acreditam que pequenas lesões estimulariam a regeneração óssea, produzindo características faciais consideradas mais atraentes.

Segundo o portal argentino Aire de Santa Fe, a tendência está associada ao looksmaxxing, movimento digital voltado à maximização da aparência física.

Embora algumas práticas dessa comunidade envolvam cuidados pessoais convencionais, outras incentivam intervenções extremas e sem respaldo médico.

A ciência realmente permite modificar os ossos dessa maneira?

Bone smashing: a perigosa tendência do TikTok que promete definir o maxilar, mas pode deformar o rosto
© Pexels

A justificativa apresentada pelos seguidores da tendência utiliza um conceito científico verdadeiro, mas interpretado incorretamente.

A chamada lei de Wolff estabelece que os ossos podem se adaptar às cargas mecânicas recebidas ao longo do tempo.

Isso acontece, por exemplo, durante atividades físicas que estimulam a manutenção e o fortalecimento do tecido ósseo.

Entretanto, essa capacidade natural não significa que traumatismos faciais produzam mudanças estéticas controladas.

A cirurgiã plástica Diana Kennedy, do Mater Private Hospital Brisbane, na Austrália, explica que impactos repetidos podem causar inchaço e pequenas fraturas, mas não melhoram a aparência de maneira previsível.

Na realidade, o aumento temporário de volume provocado pela inflamação pode criar uma falsa impressão de mudança na estrutura facial.

Quais são os riscos de praticar bone smashing?

Os efeitos podem ser muito mais graves do que um simples hematoma.

Traumatismos na mandíbula e nas maçãs do rosto podem provocar fraturas, lesões dentárias, alterações na mordida e dificuldades para mastigar.

Também existe risco de danos aos nervos, perda de sensibilidade, cicatrizes e assimetrias permanentes.

Dependendo da região atingida, estruturas próximas aos olhos podem ser comprometidas, provocando problemas de visão.

Em casos graves, as lesões podem exigir cirurgia reconstrutiva.

Especialistas ouvidos pelo Healthline reforçam que não há evidências de que fraturar os ossos faciais resulte em características estéticas mais desejáveis.

Por que a tendência preocupa especialistas em saúde mental?

Bone smashing: a perigosa tendência do TikTok que promete definir o maxilar, mas pode deformar o rosto
© SHVETS production – Pexels

O fenômeno também revela uma questão que ultrapassa os danos físicos: a pressão por padrões de beleza cada vez mais específicos.

Nas redes sociais, filtros, fotografias editadas e avaliações constantes da aparência podem criar expectativas difíceis de alcançar.

Adolescentes e jovens podem ser especialmente vulneráveis a conteúdos que apresentam determinados traços faciais como requisitos para aceitação social.

O looksmaxxing não envolve necessariamente comportamentos prejudiciais, mas algumas comunidades acabam normalizando práticas arriscadas em nome de uma suposta transformação estética.

Existe alguma alternativa segura para melhorar a aparência facial?

Especialistas recomendam desconfiar de métodos que prometem alterações ósseas rápidas sem acompanhamento profissional.

Cuidados com a pele, saúde bucal, alimentação equilibrada e atividade física podem contribuir para o bem-estar e a aparência geral, mas não remodelam os ossos da mandíbula.

Para pessoas que desejam avaliar mudanças estruturais no rosto, a orientação é procurar um profissional habilitado, capaz de explicar possibilidades, limitações e riscos.

O bone smashing não é um tratamento estético comprovado. É uma prática capaz de causar lesões permanentes em troca de um resultado que a ciência não demonstrou ser possível.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados