O fenômeno El Niño está ganhando força em 2026, e novas imagens divulgadas pela NASA revelam transformações importantes no Oceano Pacífico. Os registros mostram temperaturas acima do normal, mudanças na altura da superfície do mar e até alterações na quantidade de organismos microscópicos presentes na água. Para os cientistas, essas observações são sinais de um evento climático que pode afetar chuvas, temperaturas e ecossistemas em diferentes partes do planeta.
Imagens da NASA mostram um Oceano Pacífico mais quente
Segundo reportagem publicada pelo jornal argentino MDZ, a agência espacial americana identificou mudanças significativas no Pacífico equatorial.
As medições mostram que determinadas regiões apresentam temperaturas aproximadamente 1,7 °C acima da média histórica.
O aquecimento está relacionado ao El Niño, fenômeno natural que ocorre quando as águas superficiais do Pacífico central e oriental ficam mais quentes que o habitual.
De acordo com um relatório divulgado pela NASA em 15 de outubro, os satélites acompanham o deslocamento de enormes massas de água quente em direção à América do Sul.
Essas mudanças também provocam alterações na circulação atmosférica, influenciando a distribuição de calor e umidade pelo planeta.
Nível do mar apresenta mudanças semelhantes às de 1997

Uma das descobertas mais importantes envolve a altura da superfície oceânica.
Quando a água aquece, ela se expande, elevando o nível do mar em determinadas regiões.
Os satélites Sentinel-6 identificaram esse comportamento no Pacífico, permitindo aos pesquisadores acompanhar a movimentação do calor.
Em uma comparação publicada pela NASA em 23 de outubro, imagens de 2026 apresentam semelhanças com registros de outubro de 1997, período marcado por um dos episódios mais intensos de El Niño já documentados.
Entretanto, os cientistas ressaltam que cada evento possui características próprias. A semelhança visual não significa que os impactos serão idênticos.
O Oceano Pacífico está ficando mais azul
Outra descoberta envolve a coloração das águas oceânicas.
O satélite PACE, lançado em 2024, detectou mudanças sutis na cor do Pacífico equatorial.
Essas alterações estão relacionadas à redução do fitoplâncton, conjunto de organismos microscópicos que formam a base de diversas cadeias alimentares marinhas.
Durante o El Niño, o enfraquecimento dos ventos pode reduzir a subida de águas profundas ricas em nutrientes.
Com menos nutrientes disponíveis, a quantidade de fitoplâncton diminui em algumas regiões.
Essa transformação pode afetar peixes e outros animais marinhos, provocando mudanças na distribuição das espécies e nas áreas de alimentação.
El Niño de 2026 pode atingir intensidade histórica

O cenário também chama a atenção da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Em seu boletim de 8 de outubro, a agência estimou uma probabilidade de 83% de o episódio alcançar intensidade superior à dos eventos anteriores desde 1950 no trimestre de outubro a dezembro.
Essa projeção não significa que exista 83% de chance de ocorrer uma catástrofe, mas sim de o fenômeno atingir determinado patamar de intensidade oceânica.
Os efeitos podem incluir chuvas acima da média em algumas regiões, secas em outras e alterações nas temperaturas globais.
Como o El Niño pode afetar o Brasil?
No Brasil, episódios de El Niño costumam estar associados ao aumento das chuvas em partes da Região Sul e à redução das precipitações em áreas do Norte e Nordeste.
Entretanto, os impactos variam conforme a estação, a intensidade do fenômeno e outros fatores atmosféricos.
Isso significa que não é possível prever enchentes ou secas específicas apenas com base nas imagens de satélite.
O principal alerta dos cientistas é que o El Niño de 2026 reúne sinais de grande intensidade, tornando essencial acompanhar as previsões meteorológicas e seus possíveis efeitos sobre a agricultura, os recursos hídricos e a população.