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Brasileiros em peso em Portugal: presença que pode influenciar até eleições

Com mais de meio milhão de brasileiros vivendo legalmente em Portugal, a comunidade já representa um peso demográfico, social e político importante. E, em ano de eleição, esse número ganha ainda mais relevância para o futuro do país.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Portugal vai às urnas novamente, e desta vez, uma presença em especial chama atenção: a dos brasileiros. A imigração vinda do Brasil cresceu vertiginosamente nos últimos anos, tornando o país europeu o segundo com mais brasileiros no mundo. E o impacto disso vai além da cultura e da economia — pode pesar também nas decisões políticas do país.

 

Crescimento acelerado da comunidade brasileira

Entre 2020 e 2023, o número de brasileiros vivendo em Portugal cresceu 85%, saltando de 276 mil para 513 mil, segundo dados do Itamaraty. Hoje, Portugal é o segundo país com maior comunidade brasileira no mundo — atrás apenas dos Estados Unidos — e quase dobra o número registrado no Reino Unido, segundo colocado entre os países europeus.

 

A atração se explica: idioma em comum, segurança, clima ameno, euro valorizado e facilidades burocráticas — como acordos para validação de diplomas — tornam Portugal um destino especialmente acessível e desejado.

 

Um eleitorado em potencial

Bandera Portugal
© Freepik

O dado mais surpreendente: brasileiros com residência legal há mais de dois anos em Portugal têm direito a votar nas eleições portuguesas. Isso significa que uma parcela significativa da comunidade pode participar ativamente do processo democrático — algo raro em países europeus.

 

Com eleições marcadas para o dia 18 de maio, os portugueses escolherão um novo Parlamento após a renúncia do primeiro-ministro Luís Montenegro, do partido de centro-direita Aliança Democrática. A renúncia veio após escândalos ligados à sua família, embora Montenegro negue qualquer irregularidade.

 

A imigração como tema central

Portugal vive uma contradição: enquanto enfrenta a chamada “fuga de cérebros” — com jovens qualificados deixando o país em busca de melhores salários —, vê aumentar a chegada de imigrantes. Hoje, 1,5 milhão de estrangeiros vivem no país, representando 14% da população. O crescimento mais recente inclui, além de brasileiros, imigrantes da Índia, Paquistão e Bangladesh.

 

Esse movimento gerou tensões culturais e políticos. O partido Chega, de extrema-direita, ganhou força com um discurso anti-imigração, embora curiosamente tenha muitos brasileiros entre seus apoiadores. Seu líder, André Ventura, é apoiado por Jair Bolsonaro e já fez protestos contra Lula no Parlamento português.

 

Política, populismo e deportações

Apesar de ter buscado se mostrar simpático à imigração, chegando a visitar o Brasil para recrutar professores, Montenegro anunciou recentemente a notificação de 18 mil imigrantes ilegais para que deixem o país — muitos deles, acredita-se, brasileiros. A medida foi interpretada por opositores como tentativa de atrair votos da direita mais radical.

 

Já o candidato do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, critica o discurso de ódio, mas também reconhece que seu partido falhou ao tentar organizar um sistema migratório eficiente.

 

Entre a integração e o “brasileirismo”

Brasileños
© Unsplash

A grande presença de brasileiros vem provocando reações curiosas na sociedade portuguesa. De um lado, há trocas culturais visíveis: palavras do português brasileiro como “dica” e “geladeira” estão sendo adotadas em Portugal. De outro, surgem tensões e piadas com tom de crítica.

 

Nas redes sociais, alguns brasileiros chamam Portugal de “Guiana Brasileira”, numa alusão provocadora à Guiana Francesa. Em resposta, muitos portugueses se sentiram ofendidos, acusando os vídeos de desrespeitosos. Ainda assim, a influência brasileira segue crescendo: até o PIX, sistema de pagamento do Brasil, já é aceito em várias lojas portuguesas.

 

Uma presença impossível de ignorar

Com quase um quarto dos nascimentos em Portugal sendo de mães estrangeiras, o papel do imigrante no futuro do país é inegável. E entre todas as nacionalidades, a brasileira se destaca — não só em número, mas também em presença social, econômica e agora política.

 

Se a eleição de maio de 2025 sinaliza algo, é que o Brasil já faz parte da equação portuguesa. E talvez, mais do que nunca, a voz do imigrante esteja pronta para ser ouvida.

 

Fonte: G1.Globo

 

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