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Ciência

Câmeras inteligentes criam o maior mapa de plástico nos oceanos e revelam onde a poluição se concentra

Um sistema equipado com inteligência artificial já analisou quase 54 mil km² da superfície dos oceanos e identificou mais de 20 mil objetos de macroplástico. A tecnologia permite monitorar a poluição marinha em tempo real e pode ajudar governos e cientistas a direcionar ações de limpeza com muito mais precisão.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A poluição plástica nos oceanos ganhou um novo aliado. Um sistema de câmeras inteligentes instalado em embarcações comerciais está criando um dos maiores bancos de dados já produzidos sobre resíduos flutuantes em mar aberto. Desenvolvida pela organização The Ocean Cleanup, a tecnologia utiliza inteligência artificial para detectar, fotografar e geolocalizar grandes fragmentos de plástico, oferecendo uma visão inédita da distribuição desses resíduos em escala global.

Os resultados do projeto, publicados na revista Environmental Research Communications, mostram que a plataforma já identificou mais de 20 mil objetos de macroplástico desde o início das operações, em 2019. Além disso, todos os dados são disponibilizados em um mapa de acesso aberto, permitindo que pesquisadores do mundo inteiro acompanhem a evolução da poluição marinha.

Como funciona o sistema de câmeras inteligentes

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© PropositoyVida – X

O projeto começou com o desenvolvimento do Sistema Automatizado de Imagens de Resíduos (ADIS, na sigla em inglês).

O equipamento consiste em câmeras instaladas em navios que cruzam regularmente os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. Enquanto as embarcações seguem suas rotas, o sistema registra continuamente imagens da superfície do mar.

A proposta era superar as limitações dos métodos tradicionais de monitoramento, como redes de arrasto e observações visuais, que conseguem analisar apenas pequenas áreas e frequentemente deixam escapar boa parte dos resíduos espalhados pelo oceano.

Nos primeiros cinco anos de operação, o ADIS capturou mais de 27 milhões de fotografias, gerando aproximadamente 165 terabytes de dados.

Essas imagens foram analisadas por algoritmos de inteligência artificial capazes de identificar objetos classificados como macroplásticos, ou seja, resíduos com mais de 50 centímetros de comprimento. Em seguida, especialistas validaram manualmente cada detecção para garantir a precisão dos resultados.

Mais de 20 mil objetos de plástico já foram identificados

A análise permitiu registrar mais de 20 mil objetos de macroplástico flutuando na superfície dos oceanos.

Cada detecção recebe coordenadas geográficas, possibilitando a construção de mapas que mostram a concentração de resíduos em diferentes regiões do planeta.

Esses dados ajudam a localizar os chamados hotspots, áreas onde a quantidade de plástico é significativamente maior e que podem se tornar prioridade para futuras operações de limpeza.

Além disso, o banco de dados permite estudar regiões conhecidas pelo acúmulo de lixo, como a Grande Mancha de Lixo do Pacífico, considerada uma das maiores concentrações de resíduos plásticos do mundo.

O sistema ainda subestima a quantidade real de plástico

Para avaliar a precisão da tecnologia, os pesquisadores realizaram uma campanha de validação em 2022 na Grande Mancha de Lixo do Pacífico.

Durante a expedição, os dados do ADIS foram comparados com imagens captadas por drones e com amostras coletadas por redes de arrasto.

Os resultados mostraram que o sistema detecta entre cinco e seis vezes menos resíduos do que realmente existem.

Segundo os pesquisadores, essa diferença ocorre porque alguns tipos de plástico apresentam cores, formatos ou materiais que dificultam sua identificação automática.

Apesar disso, a subestimação ocorre de maneira consistente. Isso permite aplicar fatores de correção matemáticos, aumentando a precisão das estimativas finais sobre a quantidade de plástico presente na superfície dos oceanos.

ADIS 2.0 amplia o monitoramento global

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© Naja Bertolt Jensen – Unsplash

Em 2024, o projeto recebeu uma atualização importante com o lançamento do ADIS 2.0.

A nova geração automatiza praticamente todo o processo de monitoramento. As câmeras inteligentes identificam os resíduos, registram imagens em alta resolução, armazenam as coordenadas de GPS e processam os dados com mínima intervenção humana.

O sistema também foi projetado para operar continuamente durante longos períodos, reduzindo custos de manutenção e aumentando a eficiência das campanhas de monitoramento.

Em apenas dois anos, o ADIS 2.0 adicionou cerca de 39.431 km² de cobertura, elevando a área total mapeada para quase 54 mil km² de superfície oceânica.

Como todas as informações permanecem disponíveis em uma plataforma pública, pesquisadores, governos e organizações ambientais podem acompanhar mudanças ao longo do tempo, identificar novas áreas críticas e avaliar a eficácia das estratégias de combate à poluição plástica.

Com a combinação de inteligência artificial, monitoramento contínuo e dados abertos, o projeto representa um avanço importante para compreender a distribuição do lixo marinho e fornecer informações mais precisas para enfrentar um dos maiores desafios ambientais do século XXI.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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