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Tecnologia

Geração Z está trocando a universidade por profissões que a IA não consegue substituir

Um novo levantamento mostra que cada vez mais jovens enxergam profissões técnicas como uma alternativa real à universidade. Custos elevados, possibilidade de empreender e avanço da inteligência artificial ajudam a explicar essa mudança.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, fazer faculdade foi apresentado como um dos caminhos mais seguros para conseguir um bom emprego e alcançar estabilidade financeira. Para parte da Geração Z, porém, essa fórmula já não parece tão convincente. Um estudo realizado nos Estados Unidos mostra que profissões técnicas e trabalhos especializados estão ganhando espaço justamente por serem mais difíceis de automatizar.

Universidade deixou de ser o caminho mais seguro para muitos jovens

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© Unsplash

Os dados aparecem no Blue Collar Report, levantamento produzido pela Jobber, empresa canadense de software para serviços residenciais que acompanha essa tendência desde 2023.

Segundo o relatório, 42% dos integrantes da Geração Z entrevistados já não consideram a faculdade o caminho mais seguro para construir uma carreira estável. Apenas 36% ainda enxergam o ensino superior dessa maneira.

A mudança é ainda mais evidente entre os adultos. Cerca de 45% dos pais entrevistados acreditam que o modelo universitário tradicional deixou de ser a opção mais confiável para garantir emprego no longo prazo. Outros 34% ainda defendem esse caminho.

Entre pais de crianças da Geração Alfa, a diferença é maior. Para 52%, aprender um ofício especializado representa atualmente um investimento melhor do que obter um diploma universitário. Apenas 18% preferem a formação superior tradicional.

Dinheiro também ajuda a explicar a mudança

Scott Shaw, presidente e CEO da instituição de formação técnica Lincoln Tech, afirma que isso não significa que os jovens estejam rejeitando a educação.

Na prática, eles estariam reconsiderando qual tipo de formação oferece melhores perspectivas profissionais.

O aumento das mensalidades universitárias, as dívidas estudantis e as mudanças no mercado de trabalho aparecem entre os fatores considerados antes de escolher uma carreira.

O aspecto financeiro pesa bastante. Entre os jovens entrevistados, 34% consideram os ofícios especializados o caminho mais rápido para avançar economicamente. A universidade recebeu 27% das respostas.

Os pais demonstram uma percepção semelhante. Cerca de 47% acreditam que uma formação técnica oferece melhores oportunidades para abrir um negócio próprio, enquanto 51% afirmam que ela pode acelerar a independência financeira.

Inteligência artificial está mudando a escolha das profissões

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© FreePik

A expansão da inteligência artificial adicionou uma nova variável à decisão.

Segundo o levantamento, 73% dos pais da Geração Alfa estão preocupados com os efeitos que a tecnologia poderá provocar nas futuras carreiras dos filhos. Além disso, 68% afirmam que a IA os fez questionar a segurança tradicionalmente associada aos empregos de escritório.

A Geração Z também está prestando atenção nesse cenário.

Nada menos que 76% dos jovens entrevistados consideram importante escolher uma profissão difícil de automatizar. Ao mesmo tempo, 38% enxergam a inteligência artificial como algo positivo para os ofícios especializados.

Isso acontece porque muitas dessas atividades dependem de habilidades físicas, conhecimento técnico e capacidade de resolver problemas diretamente no mundo real.

Eletricistas, técnicos de climatização, mecânicos e soldadores são alguns exemplos. Essas carreiras também oferecem uma trajetória que pode começar como aprendiz, avançar para profissional especializado e terminar com a criação de uma empresa própria.

Esse último ponto é especialmente importante: 77% dos integrantes da Geração Z ouvidos pelo estudo afirmaram que gostariam de se tornar empreendedores.

Ainda existe preconceito contra profissões técnicas

Apesar do interesse crescente, existe uma barreira cultural.

Segundo o levantamento, 64% dos entrevistados acreditam que ainda existe um estigma social relacionado às carreiras técnicas.

A própria escola também pode contribuir para o problema. Metade dos jovens da Geração Z afirmou que nunca recebeu de professores, orientadores ou administradores escolares a recomendação de considerar uma profissão técnica.

Shaw relaciona essa situação a uma mudança ocorrida a partir da década de 1980 nos Estados Unidos. Naquele período, muitas escolas reduziram oficinas e programas profissionalizantes para incentivar um número maior de estudantes a entrar na universidade.

Agora, algumas instituições estão fazendo o caminho inverso. Escolas de ensino médio começam a recuperar programas técnicos e, em determinados casos, oferecem formação acadêmica combinada com capacitação profissional.

A mudança sugere que a discussão deixou de ser simplesmente “faculdade ou trabalho”. Para uma geração que observa a IA transformar rapidamente o mercado, aprender uma habilidade difícil de automatizar pode representar não apenas uma alternativa à universidade, mas uma estratégia para enfrentar um futuro profissional cada vez mais imprevisível.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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