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Ciência

Pássaros estão usando bitucas de cigarro como inseticida natural em seus ninhos

Pesquisadores descobriram que algumas aves urbanas colocam bitucas de cigarro em seus ninhos para afastar pulgas, carrapatos e outros parasitas. A estratégia parece funcionar, mas pode trazer riscos para os filhotes.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Encontrar uma bituca de cigarro dentro de um ninho pode parecer apenas mais um sinal da enorme quantidade de lixo espalhada pelas cidades. Mas algumas aves parecem ter encontrado uma utilidade surpreendente para esse resíduo: transformá-lo em uma espécie de inseticida para proteger seus filhotes.

Bitucas podem funcionar como repelente contra parasitas

Cigarro
© Colors Hunter – Chasseur de Couleurs via Getty

O comportamento foi analisado por pesquisadores da Universidade de Łódź, na Polônia, em um estudo publicado na revista Animal Behaviour.

Os cientistas investigaram ninhos urbanos de chapim-azul (Cyanistes caeruleus), uma pequena ave bastante comum na Europa. O objetivo era descobrir se a presença de bitucas realmente poderia trazer alguma vantagem contra parasitas.

O fenômeno não é exclusivo da Polônia.

Pesquisadores já encontraram resíduos de cigarro em ninhos de aves nas Ilhas Galápagos, no México, na Nova Zelândia e em diferentes cidades europeias.

A principal hipótese é que determinados compostos presentes nas bitucas funcionem como repelentes. Dessa forma, as aves estariam aproveitando um produto criado pelos humanos para realizar uma espécie de “controle de pragas” dentro dos próprios ninhos.

Cientistas acompanharam a saúde de 99 aves

Para testar a ideia, os pesquisadores analisaram filhotes que nasceram em três tipos diferentes de caixas-ninho.

O primeiro grupo permaneceu em ninhos convencionais e funcionou como controle. No segundo, o interior foi esterilizado artificialmente. Já no terceiro, os pesquisadores colocaram duas bitucas de cigarro usadas para avaliar seu possível efeito contra os parasitas.

Ao todo, a saúde de 99 aves foi monitorada.

Exames de sangue mostraram que os filhotes dos ninhos esterilizados e daqueles que continham bitucas apresentavam indicadores de saúde melhores do que os encontrados nos ninhos naturais.

Depois que as aves deixaram as caixas, os cientistas também analisaram a quantidade de parasitas.

Os ninhos naturais apresentavam populações maiores. Aqueles que receberam bitucas tinham uma quantidade um pouco menor, enquanto os ambientes esterilizados estavam praticamente livres deles.

Os resultados reforçam a hipótese de que o cigarro realmente pode interferir na presença desses pequenos invasores.

O segredo pode estar justamente nas substâncias tóxicas

Existe uma ironia nessa história: aquilo que torna as bitucas perigosas para o meio ambiente também pode explicar sua ação contra parasitas.

Resíduos de cigarro podem conter nicotina, metais pesados, arsênio, hidrocarbonetos aromáticos e diferentes compostos químicos.

Algumas dessas substâncias poderiam dificultar a vida de pulgas, carrapatos e outros organismos que infestam os ninhos.

Os compostos químicos podem, por exemplo, interferir na capacidade dos parasitas de localizar as aves. Outra possibilidade é que prejudiquem a reprodução, a deposição de ovos ou o desenvolvimento das larvas.

Para uma ave vivendo no meio urbano, portanto, pegar uma bituca encontrada no chão e levá-la para o ninho poderia oferecer uma vantagem imediata.

Mas existe um problema importante.

O inseticida improvisado também pode prejudicar os filhotes

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© Matt Bango – Unsplash

Os mesmos produtos químicos que incomodam ou eliminam parasitas também são potencialmente tóxicos para as aves.

Por isso, os pesquisadores evitam classificar o comportamento simplesmente como benéfico.

No curto prazo, reduzir pulgas, carrapatos e outros parasitas pode melhorar as condições dos filhotes durante uma fase particularmente vulnerável da vida.

Entretanto, a exposição contínua a nicotina, metais pesados e outros contaminantes pode provocar efeitos que só apareceriam posteriormente.

Isso significa que uma aparente melhora fisiológica durante as primeiras semanas de vida poderia ser compensada por problemas associados ao acúmulo dessas substâncias no organismo.

Ainda são necessários estudos de longo prazo para entender esse equilíbrio.

A descoberta mostra, de qualquer forma, como animais urbanos conseguem adaptar seu comportamento a ambientes profundamente modificados pelos seres humanos. As aves não sabem o que é um cigarro, mas podem ter percebido que aquele estranho material encontrado pelas ruas ajuda a manter determinados parasitas longe do ninho.

O que para nós é lixo, para elas acabou se transformando em uma inesperada ferramenta de defesa.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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