Pular para o conteúdo
Tecnologia

O objeto mais comum do banheiro acaba de ganhar câmera e IA — e agora consegue enxergar onde você não limpou

Um novo dispositivo transforma uma tarefa automática do cotidiano em algo muito mais tecnológico, combinando visão artificial, algoritmos e um sistema capaz de agir em milissegundos.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

Escovar os dentes parece uma daquelas tarefas simples demais para precisar de uma revolução tecnológica. Mas uma novidade apresentada recentemente mostra que até esse hábito pode mudar radicalmente. Um pequeno dispositivo agora consegue observar o interior da boca enquanto funciona, interpretar imagens em tempo real e tomar decisões sem interromper a escovação. A proposta parece saída de um laboratório futurista, mas já chegou ao mercado.

Uma câmera escondida no lugar mais improvável

A responsável pela novidade é a Dyson, empresa britânica conhecida por aspiradores, secadores de cabelo e outros aparelhos domésticos. Sua nova aposta leva a marca para um território diferente: os cuidados bucais.

Batizado de CameraJet, o aparelho combina três funções que normalmente estariam separadas. Ele realiza a escovação elétrica convencional, observa os dentes através de uma câmera e utiliza irrigação para alcançar determinadas regiões entre eles.

A parte mais curiosa está justamente no cabeçal. Ali foi instalada uma câmera macro de 100 mil pixels, capaz de capturar 28 imagens por segundo enquanto a pessoa movimenta o aparelho pela boca.

O objetivo, porém, não é simplesmente produzir imagens dos dentes. Um sistema de aprendizado de máquina chamado Gap Optical Targeting analisa o material capturado e tenta identificar os espaços interdentais.

A tecnologia precisa fazer isso enquanto tudo está em movimento. O algoritmo acompanha a posição desses espaços e calcula onde eles estarão instantes depois, permitindo que outra parte do aparelho entre em ação no momento adequado.

Segundo a fabricante, foram utilizadas cerca de 470 mil imagens dentárias no treinamento do sistema de aprendizado de máquina. O software por trás do produto reúne aproximadamente 16 milhões de linhas de código.

A inteligência artificial não apenas observa: ela também reage

É aqui que o CameraJet deixa de parecer simplesmente um cepillo elétrico com uma câmera acoplada.

Quando o algoritmo identifica um espaço entre os dentes, o sistema pode acionar automaticamente um pequeno jato de líquido direcionado àquela região. A resposta ocorre em aproximadamente 100 milissegundos, sem exigir que o usuário interrompa o movimento para utilizar outro equipamento.

Na prática, a ideia é combinar escovação e irrigação em uma única rotina.

O líquido fica armazenado em um reservatório de 12,5 mililitros integrado ao aparelho. Depois do uso, a base pode recarregá-lo em cerca de três segundos. Um mecanismo interno também busca manter a pressão mesmo quando o usuário muda a posição do cepillo.

A incorporação da câmera criou até um problema curioso para os engenheiros: espuma demais atrapalha a visão do sistema.

Por isso, a empresa desenvolveu uma pasta de dentes de baixa formação de espuma, além de um enxaguante pensado para trabalhar com o mecanismo de irrigação. É um exemplo de como adicionar visão computacional a um objeto cotidiano pode obrigar a modificar até os produtos utilizados junto com ele.

Seu celular também pode mostrar o que acontece dentro da boca

O objeto mais comum do banheiro acaba de ganhar câmera e IA — e agora consegue enxergar onde você não limpou
© YouTube

A câmera possui outra função que provavelmente chamará tanta atenção quanto a inteligência artificial.

O CameraJet se conecta ao smartphone por Wi-Fi e Bluetooth e trabalha com o aplicativo MyDyson. Dessa maneira, o usuário pode acompanhar imagens captadas pelo aparelho durante a limpeza e observar regiões da boca que normalmente seriam difíceis de visualizar sozinho.

O sistema também pode fornecer informações sobre a cobertura da escovação, ajudando a identificar áreas que receberam menos atenção.

A presença de uma câmera dentro de um produto de higiene pessoal naturalmente levanta questões sobre privacidade. Segundo informações divulgadas pela empresa e reportadas pela imprensa, as imagens não são armazenadas no próprio cepillo nem enviadas para armazenamento na nuvem; a câmera é utilizada durante a visualização ao vivo ou no processo automático de detecção dos espaços interdentais.

A fabricante também afirma ter obtido resultados superiores na remoção de placa em testes laboratoriais com placa simulada. Segundo a Dyson, o aparelho removeu quase 70% mais placa em áreas de difícil acesso quando comparado a cepillos elétricos premium. Trata-se, porém, de um resultado divulgado pela própria companhia.

Toda essa tecnologia chega com um preço à altura

Transformar a escovação em uma experiência comandada por câmeras, algoritmos e irrigação automática não sai barato.

O CameraJet chegou ao mercado por US$ 499. O pacote inclui a base responsável pelo carregamento e pela recarga do reservatório, dois cabeçais, cabo de alimentação e estojo para transporte. Os cabeçais foram projetados para durar aproximadamente três meses, e o próprio dispositivo acompanha seu uso para avisar quando chegou o momento da substituição.

O aparelho está disponível nas versões Ceramic Ultra Blue e Ceramic Pink.

Mais do que simplesmente adicionar inteligência artificial a outro produto, a novidade mostra uma tendência interessante. Tecnologias de visão computacional, antes associadas a smartphones, carros, robôs e sistemas industriais, começam a migrar para objetos extremamente comuns.

Depois de câmeras aprenderem a reconhecer rostos, obstáculos e ambientes, agora existe uma capaz de procurar espaços entre os dentes e decidir, em uma fração de segundo, exatamente onde direcionar a limpeza.

E talvez essa seja a parte mais curiosa: a próxima grande aplicação da inteligência artificial pode estar escondida justamente nos objetos que usamos todos os dias.

[Fonte: Ambito]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados