Pular para o conteúdo
Tecnologia

“Cards Against SpaceX”: o processo bizarro entre Elon Musk e o jogo mais politicamente incorreto do mundo

A empresa por trás de Cards Against Humanity venceu uma disputa improvável contra a SpaceX — e celebrou o acordo com um mini-baralho temático de Elon Musk.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O famoso jogo de cartas Cards Against Humanity processou a SpaceX por invadir e usar ilegalmente um terreno no Texas — e o caso terminou de forma tão absurda quanto começou. A empresa alegou que Musk transformou o local em um depósito de “lixo espacial” e, após o acordo, lançou um baralho gratuito dedicado ao bilionário.

Um terreno contra o muro de Trump

A história começa em 2017, quando a equipe de Cards Against Humanity decidiu desafiar o então presidente Donald Trump e seu plano de erguer um muro na fronteira com o México. O jogo — conhecido por seu humor negro e sátiras políticas — comprou um pequeno terreno no Texas com dinheiro arrecadado entre fãs, prometendo “tornar o muro o mais demorado e caro possível”.

Mais de 150 mil pessoas contribuíram com US$ 15 cada para financiar a brincadeira ativista. O terreno permaneceu vazio por anos, até que, em 2023, os criadores descobriram algo inusitado: a área estava coberta de cascalho, entulho e equipamentos pesados da SpaceX, a empresa aeroespacial de Elon Musk.

Segundo a denúncia, a SpaceX havia usado o terreno como se fosse seu — despejando materiais de construção, estacionando veículos e até instalando luzes de obra — sem qualquer permissão.

A acusação: “lixo espacial” e invasão de propriedade

O processo foi aberto em setembro de 2024, acusando oficialmente a SpaceX de invasão de propriedade privada e uso indevido de terreno alheio. Documentos obtidos pelo site Ars Technica mostravam que a área continha uma placa de “Proibido Entrar” claramente visível, ignorada pelos funcionários da empresa.

A Cards Against Humanity exigia uma indenização de até US$ 15 milhões, o valor estimado para restaurar o local ao estado original. O caso caminhava para julgamento em novembro de 2025, e o embate prometia se tornar um espetáculo midiático — uma batalha jurídica entre o jogo mais sarcástico do planeta e uma das companhias mais poderosas do setor aeroespacial.

Acordo inesperado antes do julgamento

Mas antes que o juiz pudesse bater o martelo, veio o desfecho inesperado. Poucas semanas antes do julgamento, as duas partes chegaram a um acordo extrajudicial.

Os termos exatos permanecem confidenciais, mas a Cards Against Humanity anunciou o resultado com seu típico sarcasmo: “A SpaceX arrumou o lixo espacial e foi embora”, dizia a nota oficial publicada no site da empresa.

Em comunicado ao Ars Technica, os criadores explicaram a decisão de não prosseguir: “Mesmo que vencêssemos — e venceríamos, considerando a admissão de invasão — dificilmente recuperaríamos nossos custos legais sob a lei do Texas. E a SpaceX parecia disposta a gastar infinitamente mais com advogados.”

Em outras palavras, o estúdio preferiu encerrar o caso a continuar uma guerra financeira contra Musk.

O prêmio de consolação: um baralho sobre Elon Musk

Fiel ao espírito do jogo, a Cards Against Humanity decidiu compensar seus apoiadores de um jeito criativo. Já que não conseguiu nenhum dinheiro da SpaceX, lançou um mini-pack gratuito de cartas temáticas sobre Elon Musk — enviado aos fãs que haviam contribuído para a compra do terreno em 2017.

O kit, batizado de “Cards Against SpaceX”, inclui piadas e referências à obsessão do bilionário com foguetes, à colonização de Marte e às polêmicas que o cercam. É, nas palavras dos criadores, “justiça servida na forma de humor ácido”.

De volta ao pó — sem muro e sem foguetes

Com o acordo fechado, o terreno será devolvido ao seu estado natural. Em comunicado aos doadores, a empresa brincou: “Em breve, o solo estará livre de lixo espacial — e, claro, ainda totalmente livre de muros inúteis.”

Embora o episódio tenha começado como um protesto contra Trump e terminado com uma briga com Elon Musk, ele reflete algo maior: a mistura cada vez mais surreal entre ativismo político, cultura pop e o império de bilionários tecnológicos.

No fim das contas, o jogo que sempre zombou do absurdo do mundo real conseguiu — mais uma vez — transformar a própria realidade em uma de suas cartas mais memoráveis.

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados