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Tecnologia

Chefes perdem credibilidade ao usar IA para se comunicar com funcionários, aponta estudo

Pesquisa mostra que empregados julgam com mais rigor os gestores que utilizam inteligência artificial para redigir e-mails. Enquanto profissionais tendem a aceitar seu próprio uso da tecnologia, desconfiam da sinceridade e da fiabilidade de mensagens enviadas por seus supervisores quando dependem fortemente da IA.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial está se tornando cada vez mais comum no ambiente de trabalho. Na União Europeia, mais de 13% das empresas já utilizam ferramentas de IA, e pesquisas globais mostram que três em cada quatro profissionais recorrem a essas tecnologias no dia a dia. Mas um novo estudo sugere que, quando a IA é usada por chefes para se comunicar com subordinados, a reação pode não ser positiva.

O estudo em detalhe

O estudo que revela quais profissões estão (ou não) na mira da inteligência artificial
© Pexels

A pesquisa foi publicada no International Journal of Business Communication e contou com a participação de mais de 1.000 profissionais em tempo integral nos Estados Unidos.

Os participantes receberam exemplos de e-mails que poderiam ter sido escritos por eles mesmos ou por seus supervisores. Em seguida, avaliaram essas mensagens quanto a atributos como profissionalismo, eficácia, sinceridade e atenção.

Embora os textos gerados com IA tenham sido vistos como eficientes e profissionais, os resultados revelaram um contraste importante: funcionários aceitam mais facilmente seu próprio uso da IA do que o uso feito por seus superiores.

A visão dos empregados

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© Pexels

Segundo Anthony Coman, pesquisador da Universidade da Flórida e coautor do estudo, há uma tolerância maior quando os trabalhadores utilizam a IA para tarefas do dia a dia. Porém, quando os chefes recorrem à tecnologia, os funcionários tendem a enxergar isso como falta de autenticidade.

O levantamento mostrou que apenas 40% dos empregados consideram sinceras as mensagens escritas com alto nível de assistência de IA por supervisores, enquanto 83% avaliam positivamente quando o uso é mínimo.

Esse julgamento mais severo ocorre principalmente quando os e-mails envolvem motivação, feedback ou aspectos relacionais. Já em comunicações meramente informativas, a aceitação é bem maior.

O dilema da liderança digital

A pesquisa levanta um dilema para gestores: usar ou não IA para otimizar tempo e eficiência? Se, por um lado, a tecnologia ajuda a redigir textos mais claros e rápidos, por outro, pode minar a confiança dos liderados.

Para os autores, a percepção negativa está ligada ao papel simbólico da liderança. Espera-se que chefes transmitam atenção pessoal, empatia e autenticidade — características que os trabalhadores acreditam que a IA não consegue replicar.

IA no trabalho: avanço inevitável

Apesar das desconfianças, o avanço da IA nos ambientes profissionais parece inevitável. Segundo dados da Eurostat, em 2023 apenas 8% das empresas da União Europeia usavam inteligência artificial. Em 2024, esse número subiu para 13,5%.

Uma pesquisa da Microsoft e LinkedIn também revelou que 75% dos profissionais no mundo já utilizam IA generativa, seja para escrever textos, organizar tarefas ou analisar informações.

Os pesquisadores destacam que, embora o uso crescente da tecnologia traga ganhos de produtividade, também pode afetar relações interpessoais e até a reputação profissional de quem a utiliza sem equilíbrio.

Limitações do estudo

Os autores reconhecem limitações em suas conclusões. O cenário foi baseado em situações hipotéticas, e as percepções dos entrevistados podem ter sido influenciadas pela própria dinâmica de poder entre chefe e subordinado. Ainda assim, os resultados reforçam outras evidências já observadas em pesquisas sobre o impacto da IA no ambiente corporativo.

Para os especialistas, o recado é claro: chefes precisam ser cautelosos ao usar inteligência artificial em comunicações sensíveis, sob pena de prejudicar a confiança e a credibilidade junto a seus times.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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