Apesar de parecer algo natural, a empatia não é automática — e, segundo o psicólogo Jamil Zaki, estamos vivendo um momento crítico. Em tempos marcados por discursos de ódio, divisões políticas e desconfiança, a capacidade de se colocar no lugar do outro está sendo perdida. Mas ainda há esperança. E ela começa com o reconhecimento de que a empatia pode ser aprendida, treinada e recuperada.
A empatia está em risco — mas é treinável
Jamil Zaki, diretor do Laboratório de Neurociência Social de Stanford, explica que a empatia tem três componentes principais: sentir o que o outro sente, entender por que sente e agir com compaixão. Esses elementos sustentam o tecido social. No entanto, em um mundo onde a polarização cresce e o diálogo se rompe, essas habilidades estão cada vez mais frágeis.
A boa notícia é que a empatia não depende exclusivamente da genética. Ela pode ser desenvolvida com práticas conscientes como a meditação, a escuta ativa e o contato com pessoas diferentes de nós. É, segundo Zaki, uma habilidade que funciona como um músculo: quanto mais se usa, mais forte fica.
De extremista a exemplo de compaixão
Um dos exemplos mais impactantes trazidos por Zaki é o de Tony McAleer, ex-líder supremacista no Canadá. Depois de anos disseminando ódio, McAleer mudou completamente ao se tornar pai. A preocupação com o futuro dos filhos o levou a confrontar suas crenças. Por meio de terapia e autoconhecimento, abandonou o extremismo e hoje lidera a organização “Vida após o Ódio”, ajudando outras pessoas a se reabilitarem.
Esse caso mostra que, mesmo quando a empatia parece perdida, é possível reconquistá-la. A transformação de McAleer demonstra o poder da conexão humana e da reconciliação.

A urgência de resgatar o que nos une
Hoje, plataformas digitais e ambientes polarizados reforçam a desconfiança e a agressividade. Discussões saudáveis deram lugar a ataques, e a empatia é vista, muitas vezes, como fraqueza. Para Zaki, precisamos resgatar um “ceticismo esperançoso”: uma atitude aberta, crítica, mas confiante na humanidade.
Estudos apontam que a maioria das pessoas ainda é mais bondosa e confiável do que pensamos. É hora de reconectar com essa verdade — e com os outros.
Cultivar empatia: o desafio do nosso tempo
A empatia não desapareceu, mas está enfraquecida. E para restaurá-la, será preciso esforço coletivo, escuta genuína e coragem para enxergar o outro como igual. Se quisermos curar nossas divisões sociais, esse é o caminho. Porque só com empatia poderemos construir pontes onde hoje há muros.