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China e Rússia reagem após EUA acusarem Raúl Castro de assassinato

A acusação contra Raúl Castro provocou respostas imediatas de potências globais e ampliou ainda mais a tensão geopolítica envolvendo Cuba, Estados Unidos e antigos aliados do regime cubano.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O que parecia apenas mais um capítulo das históricas disputas entre Estados Unidos e Cuba rapidamente ganhou dimensão internacional. Após a Justiça americana apresentar acusações criminais contra Raúl Castro por um caso ocorrido nos anos 1990, China e Rússia reagiram publicamente em defesa da ilha caribenha. O episódio reacendeu discussões sobre soberania, pressão econômica, mudança de regime e o novo equilíbrio de forças globais envolvendo Washington, Havana e seus principais aliados estratégicos.

A acusação contra Raúl Castro reacendeu uma crise antiga

O governo dos Estados Unidos formalizou acusações contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, hoje com 94 anos, relacionadas ao derrubamento de duas aeronaves civis em 1996. O episódio ocorreu quando aviões ligados ao grupo dissidente “Hermanos al Rescate” foram abatidos durante voos entre Cuba e a Flórida, provocando a morte de quatro pessoas, incluindo cidadãos americanos.

Na época, Raúl Castro comandava as forças armadas cubanas. Agora, décadas depois, promotores americanos o acusam de conspiração para assassinato, destruição de aeronaves e crimes que podem resultar em prisão perpétua ou até pena de morte.

A medida marca uma das ações mais agressivas adotadas por Washington contra figuras históricas do regime cubano desde a Revolução de 1959. O presidente Donald Trump voltou a defender abertamente pressão máxima contra Havana e, segundo relatos recentes, já mencionou diversas vezes a possibilidade de mudança de regime na ilha.

O governo cubano reagiu imediatamente. Miguel Díaz-Canel classificou as acusações como uma “ação política sem base jurídica”, acusando os Estados Unidos de tentar desestabilizar o país em meio à pior crise econômica enfrentada pela ilha nas últimas décadas.

China e Rússia aumentaram o tom contra Washington

China e Rússia reagem após EUA acusarem Raúl Castro de assassinato
© pexels

Poucas horas após a acusação ser divulgada, China e Rússia decidiram se posicionar publicamente ao lado de Cuba.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, afirmou que os Estados Unidos deveriam “parar de ameaçar Cuba com o uso da força” e abandonar o uso de sanções e mecanismos judiciais como instrumentos de coerção política. Pequim também reforçou apoio “firme” à soberania cubana.

A reação da Rússia veio logo depois. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, declarou que a campanha de pressão americana contra Cuba “não pode ser tolerada”. Segundo ele, métodos que “beiram a violência” jamais deveriam ser utilizados contra líderes de Estado, atuais ou antigos.

As declarações acontecem em um momento delicado para Havana. Cuba enfrenta apagões frequentes, escassez de combustível e dificuldades crescentes de abastecimento após novas sanções americanas e restrições ao envio de petróleo para a ilha.

Nos últimos meses, China e Rússia intensificaram apoio econômico e energético ao governo cubano. Pequim ampliou investimentos ligados à iniciativa da Nova Rota da Seda, enquanto Moscou manteve o envio de petróleo para tentar aliviar a crise energética no país.

O caso pode mudar o cenário geopolítico no Caribe

China e Rússia reagem após EUA acusarem Raúl Castro de assassinato
© https://x.com/TrumpTruthOnX

O episódio envolvendo Raúl Castro vai além de uma disputa judicial. Analistas enxergam a situação como parte de uma estratégia maior dos Estados Unidos para enfraquecer governos aliados de China e Rússia na América Latina.

Nos bastidores, comparações começaram a surgir com a operação americana contra Nicolás Maduro, na Venezuela, que também enfrentou acusações criminais antes de ser capturado em 2026.

A tensão aumentou ainda mais após relatos sobre o deslocamento do porta-aviões USS Nimitz para o Caribe, movimento interpretado por setores do governo cubano como sinal de pressão militar indireta.

Enquanto isso, o governo Trump insiste que não busca escalada militar imediata, mas afirma que pretende “libertar Cuba” da atual estrutura política.

No centro de tudo está uma disputa muito maior do que apenas Cuba. O país voltou a ocupar posição estratégica em uma disputa geopolítica que envolve influência regional, energia, inteligência artificial, sanções internacionais e o avanço da rivalidade entre Estados Unidos, China e Rússia.

E, desta vez, a crise parece estar apenas começando.

[Fonte: BBC]

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