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Tecnologia

China realiza o primeiro implante comercial de uma interface cérebro-computador e avança na disputa com a Neuralink

Uma empresa chinesa realizou o primeiro implante cirúrgico de uma interface cérebro-computador aprovada para uso comercial. O dispositivo permite que um paciente com lesão na medula espinhal controle uma luva robótica apenas com o pensamento, reforçando a aposta da China em tecnologias neurais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A China deu mais um passo para se tornar uma das principais potências no desenvolvimento de interfaces cérebro-computador (BCIs, na sigla em inglês). Nesta semana, a empresa chinesa Neuracle anunciou o primeiro implante bem-sucedido de um dispositivo comercial desse tipo em um paciente humano, marcando um avanço importante em um setor que também conta com concorrentes como a Neuralink, de Elon Musk.

O paciente havia perdido os movimentos de uma das mãos após sofrer uma lesão na medula espinhal há cerca de dez anos. Agora, graças ao implante, ele consegue controlar uma luva robótica utilizando apenas a atividade elétrica produzida pelo cérebro.

Como funciona a interface cérebro-computador

O dispositivo recebeu o nome de Neural Electronic Opportunity, ou simplesmente NEO.

Com aproximadamente o tamanho de uma moeda, o equipamento possui oito eletrodos e é implantado cirurgicamente sobre o córtex sensório-motor, região responsável pelo planejamento e controle dos movimentos.

Quando o paciente imagina mover a mão, os neurônios dessa área produzem sinais elétricos.

O NEO registra essa atividade cerebral e envia os dados para um computador, que interpreta os sinais e os transforma em comandos capazes de movimentar uma luva robótica usada pelo paciente.

Na prática, o sistema cria uma ponte entre o cérebro e um equipamento externo, permitindo recuperar parte da capacidade motora perdida.

Primeiro BCI invasivo aprovado para uso comercial

O implante representa um marco importante porque o NEO já recebeu autorização da Administração Nacional de Produtos Médicos da China (NMPA).

A aprovação foi concedida em março deste ano, tornando o dispositivo a primeira interface cérebro-computador invasiva autorizada para comercialização por uma agência reguladora nacional.

Isso diferencia o projeto de outras iniciativas semelhantes que ainda permanecem exclusivamente em fase experimental.

Disputa direta com a Neuralink de Elon Musk

O avanço fortalece a posição da Neuracle na corrida tecnológica contra a Neuralink.

A empresa de Elon Musk realizou seu primeiro implante em um paciente humano em 2024 e, atualmente, mantém dezenas de participantes em estudos clínicos.

No entanto, a Neuralink ainda precisa obter a aprovação da Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos Estados Unidos, antes que sua tecnologia possa ser comercializada como tratamento médico.

Embora os dois projetos utilizem implantes cerebrais invasivos, esse tipo de procedimento ainda envolve riscos cirúrgicos importantes e exige acompanhamento especializado.

Empresas também apostam em soluções menos invasivas

Enquanto Neuracle e Neuralink concentram esforços em implantes cerebrais, outras empresas seguem caminhos diferentes.

A Meta apresentou recentemente uma nova versão do Brain2Qwerty, sistema capaz de converter sinais cerebrais em texto utilizando modelos de inteligência artificial.

Segundo a empresa, a tecnologia poderá ajudar pessoas com esclerose lateral amiotrófica (ELA) e outras doenças neurodegenerativas que perderam a capacidade de falar.

Outra companhia chinesa, a BrainCo, desenvolveu uma prótese biônica de mão que utiliza inteligência artificial e eletromiografia para interpretar os sinais produzidos pelos músculos remanescentes do usuário.

Essas abordagens buscam reduzir os riscos associados às cirurgias cerebrais, embora, em alguns casos, ofereçam menor precisão na leitura dos sinais neurais.

Interfaces cérebro-computador são prioridade estratégica para a China

O investimento da China em neurotecnologia faz parte de uma estratégia nacional mais ampla voltada para tecnologias consideradas essenciais nas próximas décadas.

As interfaces cérebro-computador aparecem entre as prioridades do mais recente plano quinquenal do governo chinês, ao lado de áreas como inteligência artificial, computação quântica, robótica avançada e fusão nuclear.

Com esse novo implante comercial, o país demonstra que pretende competir não apenas na inteligência artificial, mas também em um mercado que promete transformar a medicina e a reabilitação de pacientes com paralisia ou outras limitações motoras.

Embora a tecnologia ainda esteja em seus primeiros anos de desenvolvimento, especialistas acreditam que as interfaces cérebro-computador poderão ampliar significativamente a autonomia de pessoas com deficiências neurológicas, abrindo caminho para novas aplicações médicas nos próximos anos.

 

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