Pular para o conteúdo
Tecnologia

Empresa dos EUA perfura quase 1.000 metros sem brocas e aposta em tecnologia que transforma rocha em vapor

Uma startup criada a partir do MIT está testando uma forma inédita de perfuração que dispensa brocas convencionais e pode abrir caminho para uma nova geração de usinas geotérmicas.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Perfurar quilômetros abaixo da superfície terrestre sempre foi um dos maiores desafios da engenharia. À medida que a profundidade aumenta, também crescem a temperatura, a pressão e o desgaste das ferramentas. Agora, uma empresa norte-americana afirma estar mudando esse cenário com uma tecnologia que não quebra a rocha, mas a vaporiza, aproximando a exploração da energia geotérmica de um novo patamar.

A nova tecnologia substitui brocas por ondas de alta energia

Empresa dos EUA perfura quase 1.000 metros sem brocas e aposta em tecnologia que transforma rocha em vapor
© Pexels

A startup Quaise Energy, criada a partir de pesquisas desenvolvidas no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), anunciou avanços em uma tecnologia de perfuração que promete revolucionar a forma como o subsolo é explorado.

Em vez de utilizar brocas mecânicas para triturar a rocha, o sistema emprega ondas milimétricas de alta potência capazes de aquecer o material até que ele passe diretamente do estado sólido para o vapor, processo conhecido como ablação.

Segundo a empresa, a tecnologia já se aproxima dos 1.000 metros de profundidade em um campo de testes localizado no Texas e conseguiu atravessar mais de 100 metros de granito, uma das rochas mais resistentes encontradas durante perfurações profundas.

O método representa uma mudança significativa em relação às técnicas tradicionais.

Nas perfurações convencionais, as brocas sofrem intenso desgaste ao encontrar formações extremamente duras, abrasivas e submetidas a altas temperaturas.

Ao eliminar o contato mecânico direto com a rocha, a Quaise acredita ser possível reduzir custos de manutenção, aumentar a velocidade das operações e alcançar profundidades que hoje representam grandes desafios técnicos.

O objetivo final está muito além da perfuração

Embora os resultados dos testes já chamem atenção, a meta da empresa é muito mais ambiciosa.

A Quaise pretende alcançar profundidades de aproximadamente 3.000 metros, onde as temperaturas das rochas variam entre 300 °C e 533 °C.

Nessas condições, torna-se possível explorar a chamada energia geotérmica superquente, considerada uma das apostas mais promissoras para ampliar a geração de eletricidade renovável.

Segundo a empresa, esse tipo de usina poderia produzir uma quantidade de energia significativamente superior às instalações geotérmicas convencionais, aproximando-se da capacidade de grandes usinas movidas a combustíveis fósseis ou até de algumas centrais nucleares, mas com emissões muito menores de gases de efeito estufa.

A tecnologia é resultado de mais de uma década de pesquisas ligadas ao MIT e busca solucionar justamente um dos maiores obstáculos da geotermia profunda: atingir regiões extremamente quentes da crosta terrestre sem que os equipamentos sejam destruídos antes de chegar ao destino.

Caso os testes continuem avançando, a empresa afirma que poderá estabelecer um novo recorde de profundidade utilizando um sistema de perfuração sem contato físico direto com a rocha.

O projeto comercial já tem destino e milhões de dólares em investimentos

Para acelerar o desenvolvimento da tecnologia, a Quaise Energy acaba de receber uma nova rodada de investimentos no valor de US$ 134 milhões.

A operação foi liderada pela Prelude Ventures e contou também com a participação das empresas japonesas JERA e Idemitsu Kosan, além de investidores que já apoiavam o projeto anteriormente.

Com isso, o total captado pela startup chega a aproximadamente US$ 230 milhões, reforçando sua estratégia de levar a tecnologia dos campos experimentais para operações comerciais.

O primeiro grande passo será o Project Obsidian, uma usina geotérmica planejada para o centro do estado de Oregon, em uma área localizada dentro da Floresta Nacional de Deschutes.

Segundo a empresa, a região possui um dos maiores potenciais geotérmicos dos Estados Unidos e pode produzir energia em escala de gigawatts.

A expectativa é que a instalação comece a fornecer eletricidade à rede em 2030, contribuindo para fortalecer o abastecimento energético do noroeste do país.

Para Carlos Araque, diretor-presidente da Quaise Energy, o objetivo é explorar uma das fontes de energia mais abundantes do planeta por meio de uma tecnologia capaz de tornar economicamente viável o acesso ao calor extremo existente no interior da Terra.

Se a proposta alcançar os resultados esperados, a técnica poderá representar um dos avanços mais importantes da geotermia nas últimas décadas e abrir caminho para uma nova geração de usinas renováveis capazes de fornecer energia de forma contínua, independentemente das condições climáticas.

[Fonte: El confidencial]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados