A inteligência artificial está transformando a maneira como os criminosos atuam na internet. Golpes automatizados, roubo de dados e ataques capazes de interromper serviços essenciais estão entre as ameaças que preocupam especialistas em segurança digital. O problema já não se limita a grandes empresas: hospitais, sistemas de energia, instituições financeiras e milhões de usuários comuns também estão expostos a uma criminalidade cada vez mais rápida e organizada.
Inteligência artificial está mudando o mundo do cibercrime
A expansão da IA trouxe novas ferramentas para empresas e consumidores, mas também abriu oportunidades para organizações criminosas.
Segundo uma reportagem publicada pelo NTN24, o cibercrime pode provocar perdas globais estimadas em mais de US$ 10 trilhões por ano, embora esse tipo de projeção varie conforme a metodologia utilizada.
Os criminosos utilizam automação para identificar vulnerabilidades, produzir mensagens fraudulentas e ampliar a escala das tentativas de invasão.
Um relatório da Fortinet sobre ameaças digitais em 2026 destaca que determinadas falhas de segurança já podem ser exploradas poucas horas após sua divulgação.
Isso reduz drasticamente o tempo disponível para empresas corrigirem problemas antes que sejam explorados.
Hospitais e sistemas de energia estão entre os principais alvos

Os ataques digitais não ameaçam apenas informações armazenadas em computadores.
Edwin Walteros, diretor de Cibersegurança da Indra para a América Latina, explicou ao NTN24 que criminosos também estão interessados em sistemas responsáveis pelo funcionamento de serviços essenciais.
No setor financeiro, os golpes incluem fraudes bancárias, roubo de credenciais e manipulação de pagamentos.
Nos hospitais, ataques de ransomware podem bloquear prontuários eletrônicos e comprometer o acesso a informações necessárias ao atendimento.
Já nas infraestruturas críticas, invasões podem afetar sistemas de distribuição de água, energia elétrica, transporte e telecomunicações.
A preocupação envolve duas categorias de tecnologia: IT, relacionada a computadores, servidores e redes corporativas, e OT, responsável pelo controle de equipamentos e processos industriais.
Ataques com ransomware estão crescendo

Vítimas de ransomware identificadas pela Fortinet: +389%
Variação anual informada no relatório de 2026
Dados da FortiRecon; vítimas identificadas, não todos os incidentes globais.
O levantamento da Fortinet identificou 7.831 vítimas de ransomware, contra aproximadamente 1.600 no relatório anterior.
Nesse tipo de ataque, criminosos bloqueiam sistemas ou roubam arquivos e exigem dinheiro para liberar o acesso ou evitar a divulgação dos dados.
A IA pode facilitar algumas etapas dessas operações, mas não significa que todos os ataques sejam realizados autonomamente por máquinas.
Como se proteger dos cibercriminosos?
A prevenção continua sendo uma das principais estratégias de defesa.
Para usuários comuns, medidas como ativar a autenticação em duas etapas, utilizar senhas diferentes e manter dispositivos atualizados ajudam a reduzir riscos.
Também é importante desconfiar de mensagens que exigem pagamentos imediatos, solicitam códigos de verificação ou apresentam links suspeitos.
Empresas precisam adotar medidas adicionais, incluindo backups protegidos, monitoramento contínuo, treinamento de funcionários e planos de resposta a incidentes.
Walteros destaca que a segurança deve envolver identificação de riscos, detecção de ameaças, contenção de ataques e recuperação dos sistemas.
A própria IA pode ajudar a combater os ataques
A tecnologia utilizada pelos criminosos também pode fortalecer a defesa digital.
Sistemas de inteligência artificial conseguem analisar grandes volumes de dados, identificar comportamentos suspeitos e auxiliar equipes de segurança na investigação de incidentes.
Uma análise publicada pelo iProfesional destaca que a velocidade dos ataques está obrigando organizações a combinar automação com supervisão humana.
O desafio, portanto, não é simplesmente impedir o uso da IA por criminosos, mas desenvolver mecanismos de proteção capazes de acompanhar essa velocidade.
Em um mundo cada vez mais conectado, a cibersegurança deixou de ser apenas uma preocupação tecnológica: tornou-se parte da proteção da vida cotidiana.