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Tecnologia

Inteligência artificial não entende frases como o cérebro humano, revela estudo com ressonância magnética

Cientistas analisaram o cérebro de 30 pessoas e descobriram uma diferença fundamental entre humanos e chatbots de IA na interpretação de frases, mesmo quando usam as mesmas palavras.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O ChatGPT consegue escrever textos, responder perguntas complexas e manter conversas surpreendentemente naturais. Mas será que a inteligência artificial realmente interpreta a linguagem da mesma maneira que nós? Uma pesquisa publicada em outubro de 2026 revelou uma diferença importante. Ao comparar exames cerebrais de voluntários com o funcionamento de oito modelos de linguagem, cientistas descobriram que os sistemas de IA ainda apresentam limitações na forma como representam o significado das frases.

Cientistas compararam oito modelos de IA com o cérebro humano

O estudo, publicado na revista científica eLife, foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, e da Universidade Hitotsubashi, no Japão.

A equipe utilizou ressonância magnética funcional de 7 teslas, uma tecnologia capaz de registrar alterações na atividade cerebral com maior resolução espacial do que os equipamentos clínicos convencionais.

Participaram do experimento 30 voluntários, que leram 108 frases cuidadosamente elaboradas para testar como o cérebro interpreta palavras e estruturas gramaticais.

Os pesquisadores compararam os resultados com as representações internas produzidas por oito modelos de inteligência artificial baseados na arquitetura transformer, utilizada em sistemas de linguagem modernos.

O objetivo era descobrir se humanos e máquinas combinam palavras e estruturas gramaticais de maneira semelhante.

Uma simples mudança nas palavras revelou a diferença

Imagine duas frases:

  • O cachorro mordeu o homem.
  • O homem mordeu o cachorro.

As palavras são praticamente as mesmas, mas a mudança de ordem transforma completamente o significado.

Para o cérebro humano, essa diferença é essencial. A interpretação depende não apenas das palavras utilizadas, mas também de quem realiza a ação e de quem a recebe.

Os pesquisadores descobriram que os modelos de IA analisados identificavam parte dessa mudança, mas suas representações internas tratavam as duas frases como mais semelhantes do que os padrões observados no cérebro humano.

Segundo a reportagem do Infobae, essa dificuldade apareceu nos oito sistemas avaliados, independentemente de suas diferenças de tamanho e configuração.

Modelos especializados superaram os chatbots

Inteligência artificial não entende frases como o cérebro humano, revela estudo com ressonância magnética
© Pexels

Outro resultado chamou a atenção dos cientistas.

Os oito modelos de linguagem conseguiram representar as frases melhor do que um sistema básico que ignorava completamente a ordem das palavras.

Entretanto, tiveram desempenho inferior ao de modelos desenvolvidos especificamente para identificar as relações estruturais entre os termos de uma oração.

Esses sistemas especializados conseguiram reproduzir com maior fidelidade as diferenças observadas na atividade cerebral.

A descoberta sugere que a maneira como as palavras se relacionam dentro de uma frase desempenha um papel especialmente importante na compreensão humana.

Isso não significa que os chatbots sejam incapazes de reconhecer estruturas gramaticais. Eles conseguem realizar diversas tarefas linguísticas complexas, mas seus mecanismos internos não reproduzem integralmente os padrões identificados no cérebro.

Isso significa que a inteligência artificial não entende nada?

Não necessariamente.

A pesquisa não demonstra que os modelos de linguagem sejam incapazes de compreender qualquer significado, nem resolve definitivamente o debate sobre a compreensão artificial.

O que os resultados indicam é que produzir respostas convincentes não significa processar a linguagem da mesma maneira que os seres humanos.

Na avaliação publicada pela eLife, os resultados foram considerados relevantes e sustentados por evidências sólidas, embora os pesquisadores reconheçam limitações relacionadas às frases controladas utilizadas no experimento.

O estudo também pode ajudar no desenvolvimento de novas arquiteturas de inteligência artificial e contribuir para pesquisas sobre distúrbios de linguagem decorrentes de acidentes vasculares cerebrais ou cirurgias.

A conclusão é que, apesar dos avanços impressionantes dos chatbots, o cérebro humano ainda oferece pistas fundamentais sobre aspectos da linguagem que as máquinas não conseguem reproduzir completamente.

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