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Ciência

Cientista do MIT propõe método para descobrir armas nucleares escondidas no espaço

Um físico do MIT apresentou um sistema capaz de identificar ogivas nucleares ocultas em satélites na órbita da Terra. A proposta busca resolver uma das maiores lacunas do Tratado do Espaço Exterior: hoje não existe uma forma prática de verificar se um país está transportando armas nucleares no espaço.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Apesar de o Tratado do Espaço Exterior proibir, desde 1967, a presença de armas nucleares em órbita, atualmente não existe uma tecnologia capaz de confirmar se um satélite está transportando uma ogiva. Essa limitação preocupa especialistas em segurança internacional, especialmente diante do crescimento acelerado das atividades militares e comerciais no espaço.

Agora, um pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) acredita ter encontrado uma solução. Em um estudo publicado na revista Nature, o físico nuclear Areg Danagoulian propõe um sistema de sensores espaciais capaz de detectar assinaturas produzidas por materiais radioativos utilizados em armas termonucleares.

O problema da fiscalização no espaço

O Tratado do Espaço Exterior foi assinado por 118 países e estabelece que nenhuma nação pode posicionar armas nucleares em órbita terrestre.

Na prática, porém, a fiscalização enfrenta um obstáculo importante: não existe um método confiável para inspecionar satélites suspeitos sem realizar missões extremamente complexas ou invasivas.

Segundo Danagoulian, essa limitação se torna cada vez mais preocupante à medida que cresce a presença de diferentes países e empresas privadas no espaço.

Caso um armamento nuclear fosse colocado em órbita, atualmente não haveria uma maneira direta de comprovar sua existência.

A ideia usa a própria radiação espacial

A proposta do pesquisador aproveita um fenômeno natural que ocorre nos chamados cinturões de Van Allen, regiões ao redor da Terra repletas de partículas altamente energéticas.

Quando prótons presentes nesses cinturões atingem materiais pesados, como o urânio utilizado em armas termonucleares, ocorre um processo físico conhecido como espalação, que libera grande quantidade de nêutrons.

Segundo os cálculos apresentados no estudo, uma ogiva nuclear poderia emitir até 40 milhões de nêutrons por segundo ao atravessar essa região do espaço.

Essa emissão serviria como uma espécie de “assinatura” capaz de revelar a presença do material radioativo.

Um satélite inspetor faria a verificação

Para detectar esses nêutrons, Danagoulian propõe o uso de um segundo satélite, apelidado de “inspetor”.

Ele viajaria alguns quilômetros abaixo do satélite suspeito enquanto ambos atravessassem o cinturão de Van Allen.

O maior desafio seria separar os nêutrons emitidos por uma eventual ogiva da enorme quantidade de partículas presentes naturalmente no ambiente espacial.

Para isso, o pesquisador desenvolveu um conceito de sensor capaz de filtrar prótons e identificar apenas os nêutrons provenientes do satélite monitorado.

O sistema também utilizaria detecção direcional para distinguir partículas vindas da Terra, produzidas pela interação entre raios cósmicos e a atmosfera, daquelas emitidas pelo objeto localizado acima.

Simulações indicam que o sistema funcionaria

Para testar a ideia, Danagoulian realizou simulações computacionais considerando um satélite equipado com uma arma termonuclear e outro atuando como inspetor, separados por aproximadamente quatro quilômetros.

Os resultados mostraram que o sensor seria capaz de eliminar grande parte do ruído de fundo e identificar o sinal característico produzido pelo urânio presente na ogiva.

Embora o estudo represente apenas uma prova de conceito, ele demonstra que a tecnologia é teoricamente viável.

Lições do passado reforçam a preocupação

A proposta ganha importância por causa do impacto que uma explosão nuclear em órbita poderia provocar atualmente.

Em 1962, durante o teste nuclear Starfish Prime, realizado pelos Estados Unidos a cerca de 400 quilômetros de altitude, a intensa radiação liberada danificou ou destruiu aproximadamente um terço dos satélites então existentes em órbita baixa.

Hoje, com milhares de satélites responsáveis por comunicações, GPS, previsão do tempo, internet, monitoramento climático e sistemas militares, um evento semelhante poderia causar interrupções globais em serviços essenciais.

Ainda é apenas o primeiro passo

O próprio Danagoulian reconhece que sua proposta ainda precisa ser aprimorada.

Segundo o pesquisador, o objetivo agora é incentivar outros grupos científicos a desenvolver versões mais simples e eficientes do sistema, capazes de transformar a ideia em uma tecnologia operacional.

Caso isso aconteça, o projeto poderá preencher uma das principais lacunas do Tratado do Espaço Exterior e oferecer, pela primeira vez, um mecanismo confiável para verificar se armas nucleares estão sendo colocadas em órbita.

À medida que o espaço se torna cada vez mais estratégico para governos e forças armadas, especialistas acreditam que ferramentas desse tipo poderão desempenhar um papel importante na prevenção de uma futura corrida armamentista fora da Terra.

 

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