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Ciência

Cientistas apontam nova relação entre sono e saúde mental dos adolescentes

Um novo estudo mostra que a falta de sono em jovens de 14 anos não afeta apenas o rendimento escolar ou o humor. Três anos depois, aos 17, esse hábito aparece ligado a comportamentos autolesivos. A descoberta reforça a importância de cuidar do descanso como medida de prevenção em saúde mental.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O sono muitas vezes é visto apenas como rotina, mas a ciência comprova que ele é um marcador essencial de bem-estar psicológico. Pesquisadores britânicos analisaram a relação entre adolescentes de 14 anos com dificuldades para dormir e a probabilidade de se autolesionarem, tanto naquela fase quanto três anos depois. Embora ainda reste a dúvida sobre se a falta de sono é causa ou sintoma de problemas emocionais mais profundos, especialistas concordam: melhorar a qualidade do descanso pode salvar vidas.

Um problema que cresce entre os jovens

A falta de sono adequado é cada vez mais reconhecida como questão de saúde pública. No Brasil, dados da Sociedade Brasileira de Pediatria apontam que grande parte dos adolescentes não cumpre as recomendações de oito a dez horas de sono por noite. A pressão acadêmica, o uso de telas antes de dormir e a rotina escolar intensa contribuem para esse quadro, refletindo uma tendência global já observada em países europeus.

O que revelou o estudo britânico

Publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry, o estudo acompanhou mais de 10 mil adolescentes de 14 anos. Eles responderam sobre a qualidade do sono, tempo para adormecer e frequência de despertares noturnos. Também foram questionados sobre episódios de autolesão. Três anos depois, aos 17, os mesmos jovens participaram de nova avaliação.

O resultado foi claro: adolescentes que dormiam menos, demoravam a pegar no sono ou acordavam várias vezes durante a noite apresentaram risco significativamente maior de autolesão. Essa associação persistiu mesmo quando fatores como histórico de depressão, baixa autoestima ou condições socioeconômicas foram considerados.

O sono como fator de risco modificável

Os pesquisadores não encontraram indícios de que a relação esteja ligada apenas a falhas na tomada de decisão, como se pensava antes. O ponto central é que o sono se mostra um fator de risco modificável: algo que pode ser trabalhado preventivamente em escolas, famílias e serviços de saúde.

Segundo a psicóloga clínica Nicole Tang, coautora do estudo, a autolesão é uma das principais causas de morte entre adolescentes e jovens adultos. Detectar sinais de sono insuficiente pode abrir espaço para intervenções precoces. Já Michaela Pawley, também autora, reforça: “Se o vínculo entre sono e autolesão se confirma, programas escolares e familiares podem reverter a tendência”.

Um chamado à prevenção no Brasil

No contexto brasileiro, onde adolescentes enfrentam longas jornadas escolares e uso intenso de dispositivos eletrônicos, a mensagem é clara: promover hábitos de sono saudáveis deve ser prioridade. Horários regulares, menos exposição a telas antes de dormir e ambientes familiares atentos podem fazer a diferença não apenas no desempenho acadêmico e no humor, mas na própria preservação da vida.

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