Pular para o conteúdo
Tecnologia

Cientistas criam nariz eletrônica com IA que permite enviar cheiros pela internet

Pesquisadores desenvolveram um dispositivo que identifica aromas e os reproduz a distância usando inteligência artificial. A tecnologia promete transformar chamadas de vídeo, compras online e experiências virtuais.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Imagine receber uma videochamada e conseguir sentir o cheiro do café que alguém está preparando do outro lado do mundo. Parece ficção científica, mas pesquisadores dos Estados Unidos e da China deram um passo importante nessa direção. Eles desenvolveram uma nariz eletrônica capaz de identificar aromas, transformá-los em informações digitais e reproduzi-los em outro lugar. Batizada de Scentronic, a tecnologia utiliza inteligência artificial para acrescentar um novo sentido às comunicações pela internet.

Como funciona a tecnologia que envia cheiros pela internet?

O sistema Scentronic foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, em colaboração com o Laboratório Zhejiang, na China.

O projeto combina sensores químicos, inteligência artificial e pequenos dispositivos capazes de liberar fragrâncias.

O processo começa com uma nariz eletrônica equipada com seis sensores que identificam padrões produzidos por compostos voláteis presentes no ar.

Esses sinais são analisados por um algoritmo de aprendizado de máquina, treinado para reconhecer diferentes categorias de aromas.

Depois da identificação, o sistema envia uma informação digital pela internet até um aparelho receptor.

Esse dispositivo contém reservatórios com líquidos aromáticos e utiliza pequenos mecanismos piezoelétricos para transformar as substâncias em uma névoa de gotículas, liberando o cheiro correspondente.

O detalhe mais interessante é que o cheiro não viaja fisicamente pela internet. O que é transmitido são dados que permitem reproduzir um aroma semelhante em outro local.

Quais cheiros a inteligência artificial consegue reconhecer?

Cientistas criam nariz eletrônica com IA que permite enviar cheiros pela internet
© pexels

Na fase inicial, os pesquisadores testaram cinco aromas bastante conhecidos: café, bolo, laranja, cerveja e vinho tinto.

A inteligência artificial conseguiu identificar essas categorias com precisão superior a 96% nos testes relatados.

Entretanto, reconhecer um cheiro não é a mesma coisa que reproduzi-lo perfeitamente.

Em um experimento com 14 voluntários, os participantes identificaram corretamente aproximadamente 73% dos aromas individuais liberados pelo sistema.

Quando os pesquisadores utilizaram combinações de dois cheiros, o índice ficou próximo de 71%.

Os resultados foram apresentados no estudo publicado na revista científica Science Advances, em outubro de 2026.

Esses números mostram que a tecnologia é promissora, mas ainda está longe de reproduzir qualquer fragrância com fidelidade absoluta.

Dispositivo pode ser usado em pulseiras e colares

Uma das características do Scentronic é a possibilidade de utilizar receptores relativamente pequenos.

Os cientistas desenvolveram versões portáteis, incluindo pulseiras, colares e dispositivos que podem ser segurados nas mãos.

Esses equipamentos recebem as informações digitais e liberam as fragrâncias armazenadas em seus reservatórios.

Isso significa que, futuramente, uma pessoa poderia utilizar um acessório conectado ao smartphone para sentir aromas enviados durante uma conversa.

Entretanto, os pesquisadores esclarecem que ainda não existe um celular capaz de produzir qualquer cheiro diretamente pela tela.

O sistema também depende de líquidos aromáticos previamente disponíveis no receptor.

Compras online e realidade virtual podem ganhar uma nova dimensão

Cientistas criam nariz eletrônica com IA que permite enviar cheiros pela internet
© Pexels

As possibilidades de aplicação vão muito além de enviar o cheiro de um café.

No comércio eletrônico, consumidores poderiam experimentar virtualmente a fragrância de perfumes antes de comprá-los.

Restaurantes e empresas de alimentos também poderiam explorar demonstrações olfativas de produtos vendidos pela internet.

Outra aplicação envolve a realidade virtual e aumentada, permitindo que ambientes digitais sejam acompanhados por aromas.

Na medicina, os pesquisadores investigam o potencial da tecnologia para avaliações remotas do olfato, especialmente em pessoas que apresentam dificuldades para reconhecer cheiros.

Essas aplicações, porém, ainda precisam de desenvolvimento e validação antes de chegar ao uso cotidiano.

Quando poderemos enviar cheiros pelo celular?

Apesar dos resultados iniciais, o Scentronic permanece na fase experimental.

Atualmente, o protótipo reconhece apenas cinco categorias de aromas e não consegue reproduzir a composição química exata de qualquer cheiro.

Para chegar ao mercado, será necessário ampliar a biblioteca de fragrâncias, melhorar o reconhecimento de misturas complexas e tornar os dispositivos menores, mais duráveis e fáceis de abastecer.

Questões relacionadas ao custo e à segurança da exposição frequente às substâncias aromáticas também precisam ser avaliadas.

Por enquanto, não existe uma data anunciada para a comercialização.

Ainda assim, a pesquisa demonstra que a transmissão digital de informações olfativas já é tecnicamente possível, abrindo caminho para uma internet que poderá envolver não apenas visão e audição, mas também o olfato.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados