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Tecnologia

Cientistas criaram um chip do tamanho de uma moeda que “pensa” como um cérebro — e funciona usando energia do próprio ambiente

Um novo dispositivo neuromórfico promete levar a computação para lugares onde baterias, cabos e conexão com a nuvem não são viáveis. Inspirado no cérebro humano, ele processa luz, pressão, som e calor diretamente no hardware, aprende com o ambiente e funciona de forma autônoma.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A maioria dos dispositivos inteligentes depende de uma combinação conhecida: sensores, processadores, software, bateria e, muitas vezes, conexão com a internet. Um novo sistema criado por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia propõe um caminho bem diferente. Do tamanho de uma moeda, o chip imita princípios do cérebro humano para perceber o ambiente, processar informações e aprender com estímulos externos sem precisar de alimentação elétrica convencional nem de programas digitais rodando por trás.

Um chip inspirado no cérebro humano

Chip Cerebral1
© Shutterstock / Kittyfly – Gizmodo

O dispositivo foi desenvolvido por uma equipe da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e descrito em um estudo publicado na revista Nature Sensors.

A proposta faz parte da chamada computação neuromórfica, área que busca criar sistemas eletrônicos inspirados no funcionamento do cérebro.

Em vez de separar sensores, memória e processamento em partes diferentes, como acontece nos computadores tradicionais, o novo chip integra tudo em uma única arquitetura.

Ele consegue receber sinais do ambiente, codificá-los, relacioná-los entre si e ajustar seu comportamento com base no que aprendeu.

Tudo isso em um sistema pequeno, analógico e autônomo.

Como um sistema pode funcionar sem bateria

O ponto mais curioso da tecnologia é sua forma de alimentação.

Em vez de depender de uma bateria ou de uma fonte externa constante, o dispositivo aproveita a energia presente no próprio ambiente.

Sinais como luz, pressão, calor ou som não são apenas detectados. Eles também servem como entrada energética e informacional para o sistema.

Na prática, isso significa que o chip pode operar em locais remotos ou de difícil acesso, onde trocar baterias ou instalar cabos seria caro, perigoso ou simplesmente inviável.

Os pesquisadores destacam que o sistema não precisa converter todas essas informações para o formato digital. Ele processa os estímulos diretamente em sinais analógicos, reduzindo consumo de energia, tempo de resposta e complexidade.

Neurônios e sinapses artificiais

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© Unsplash

O coração do dispositivo está em componentes chamados memristores.

Esses elementos eletrônicos conseguem “lembrar” estados anteriores, o que os torna especialmente úteis para imitar funções do sistema nervoso.

No novo chip, alguns memristores se comportam como neurônios artificiais. Eles geram pulsos cuja frequência depende da intensidade do estímulo recebido.

Outros atuam como sinapses artificiais, armazenando informações e ajustando sua resposta quando recebem sinais relacionados no tempo.

Combinados com resistores e capacitores, esses componentes permitem que o sistema associe diferentes tipos de estímulos, preserve experiências anteriores e tome decisões simples sem depender de software ou processadores digitais.

Aprendizado direto no hardware

Nos computadores convencionais, o aprendizado costuma depender de algoritmos executados em processadores.

Aqui, o aprendizado acontece fisicamente no próprio circuito.

Quando o chip recebe sinais multimodais — por exemplo, luz e som — ele pode identificar relações temporais entre esses estímulos e modificar sua memória interna.

Esse tipo de comportamento se aproxima, em escala simplificada, da forma como o cérebro combina sentidos diferentes para interpretar o mundo.

É isso que permite ao sistema aprender de maneira não supervisionada, sem precisar que um humano rotule dados ou ajuste manualmente cada resposta.

Aplicações em ambientes extremos

Uma das aplicações sugeridas pelos pesquisadores é o monitoramento de raios em regiões sujeitas a incêndios florestais.

Em simulações, o sistema conseguiu reconstruir a localização de descargas elétricas usando a diferença de tempo entre a chegada da luz e do som.

Essa informação ficou armazenada diretamente no dispositivo, sem necessidade de enviar os dados imediatamente para um servidor externo.

Sensores desse tipo poderiam ser distribuídos em florestas, desertos, áreas industriais ou regiões afetadas por desastres naturais, criando redes inteligentes de baixo consumo.

Um passo para máquinas mais autônomas

O estudo não significa que computadores tradicionais serão substituídos por chips que “pensam” como cérebros humanos.

Mas mostra um caminho promissor para uma nova classe de dispositivos inteligentes: pequenos, econômicos e capazes de funcionar em tempo real, próximos da fonte dos dados.

Em um mundo cada vez mais cheio de sensores, essa pode ser uma vantagem decisiva.

Em vez de mandar tudo para a nuvem, futuros sistemas poderão perceber, aprender e reagir localmente.

E, se essa tecnologia avançar, talvez algumas máquinas inteligentes do futuro não precisem de tomada, bateria ou internet para começar a entender o mundo ao seu redor.

 

[ Fonte: Levante ]

 

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