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Ciência

Falar bonito ou escorregar feio? Os erros comuns de português que rondam o ambiente corporativo

Em reuniões, e-mails e posts no LinkedIn, muitos profissionais recorrem a palavras "sofisticadas" sem conhecer seu uso correto. O resultado? Frases rebuscadas, mas equivocadas, que atrapalham mais do que ajudam. Conheça os deslizes mais comuns — e como evitá-los para se comunicar com clareza e confiança.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Tentar impressionar o chefe ou os colegas usando termos mais “elegantes” pode ser um tiro no pé. No ambiente profissional, é comum ouvir ou ler frases cheias de palavras rebuscadas que, à primeira vista, parecem demonstrar domínio da língua portuguesa. Mas, muitas vezes, escondem erros conceituais ou gramaticais que prejudicam a clareza da comunicação. Neste artigo, você vai descobrir quais são os tropeços mais recorrentes — e como substituí-los com segurança e simplicidade.

Palavras sofisticadas, sentidos trocados

Alguns dos erros mais frequentes vêm do uso indevido de palavras que parecem sinônimas, mas têm significados muito diferentes. Veja os casos mais comuns:

1. Corroborar ≠ colaborar

  • ❌ “Vamos corroborar com a equipe de marketing.”

  • ✅ “Vamos colaborar com a equipe de marketing.”
    Corroborar significa confirmar, dar respaldo. Já colaborar indica agir em conjunto.

2. Assertivo ≠ acertar tudo

  • ❌ “O diagnóstico foi assertivo porque não teve erro.”

  • ✅ “Ele foi assertivo ao apresentar seu ponto de vista.”
    Assertivo não significa estar certo, mas saber se expressar com firmeza e respeito.

3. Ratificar ≠ retificar

  • ❌ “Vamos ratificar a nota fiscal com erros.”

  • ✅ “Vamos retificar a nota fiscal com erros.”
    Ratificar é confirmar. Retificar é corrigir. Confundir os dois pode causar mal-entendidos.

4. Mitigar ≠ reduzir preços

  • ❌ “Vamos mitigar os preços dos produtos.”

  • ✅ “Vamos mitigar os impactos da inflação.”
    Mitigar tem o sentido de amenizar um dano, e não de simplesmente “diminuir”.

5. Ter ≠ possuir

  • ❌ “Ele possui febre desde ontem.”

  • ✅ “Ele tem febre desde ontem.”
    Ter é mais neutro e adequado nesse tipo de frase. Possuir sugere algo permanente ou jurídico.

Escorregões gramaticais comuns no escritório

Além dos deslizes de vocabulário, há também os erros de concordância e conjugação que aparecem com frequência no mundo corporativo. Confira os mais notórios:

1. Verbo “fazer” no tempo

  • ❌ “Fazem cinco anos que trabalho aqui.”

  • ✅ “Faz cinco anos que trabalho aqui.”
    No sentido de tempo, fazer é impessoal e deve sempre ser usado no singular.

2. Verbo “haver” como existir

  • ❌ “Houveram muitas reuniões importantes.”

  • ✅ “Houve muitas reuniões importantes.”
    No sentido de existir, haver também é impessoal e sempre singular.

3. Discordância com “nenhum”

  • ❌ “Nenhum dos candidatos desistiram.”

  • ✅ “Nenhum dos candidatos desistiu.”
    O verbo deve concordar com o pronome “nenhum”, que é singular.

4. Verbos derivados de “vir” e “ter”

  • ❌ “Quando nós revermos o contrato…”

  • ✅ “Quando nós revirmos o contrato…”
    Verbos como rever, manter e intervir seguem a conjugação de “vir” ou “ter”.

5. Concordância com “anexo”

  • ❌ “Segue anexo os documentos.”

  • ✅ “Seguem anexos os documentos.” ou “Seguem, em anexo, os documentos.”
    Tanto o verbo quanto o adjetivo devem concordar com o substantivo.

A língua muda — e você pode acompanhar

Como lembra o professor Sérgio Nogueira, a língua está em constante evolução. Termos antes considerados incorretos hoje já aparecem em dicionários e até em gramáticas. Um bom exemplo é o verbo adequar, que tradicionalmente era defectivo (não se conjugava em todas as pessoas), mas já começa a ser aceito com flexão completa, como “eu adéquo” ou “eles adéquam”, segundo o dicionário Houaiss.


A tentativa de “falar bonito” pode levar a armadilhas linguísticas que comprometem a clareza e a credibilidade. Em vez disso, aposte na simplicidade e na correção gramatical. Com o tempo e a prática, é possível expandir o vocabulário e usar palavras mais sofisticadas com segurança. Afinal, comunicar bem é mais eficaz do que impressionar.

 

[ Fonte: G1.Globo ]

 

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