Tentar impressionar o chefe ou os colegas usando termos mais “elegantes” pode ser um tiro no pé. No ambiente profissional, é comum ouvir ou ler frases cheias de palavras rebuscadas que, à primeira vista, parecem demonstrar domínio da língua portuguesa. Mas, muitas vezes, escondem erros conceituais ou gramaticais que prejudicam a clareza da comunicação. Neste artigo, você vai descobrir quais são os tropeços mais recorrentes — e como substituí-los com segurança e simplicidade.
Palavras sofisticadas, sentidos trocados
Alguns dos erros mais frequentes vêm do uso indevido de palavras que parecem sinônimas, mas têm significados muito diferentes. Veja os casos mais comuns:
1. Corroborar ≠ colaborar
- ❌ “Vamos corroborar com a equipe de marketing.”
- ✅ “Vamos colaborar com a equipe de marketing.”
Corroborar significa confirmar, dar respaldo. Já colaborar indica agir em conjunto.
2. Assertivo ≠ acertar tudo
- ❌ “O diagnóstico foi assertivo porque não teve erro.”
- ✅ “Ele foi assertivo ao apresentar seu ponto de vista.”
Assertivo não significa estar certo, mas saber se expressar com firmeza e respeito.
3. Ratificar ≠ retificar
- ❌ “Vamos ratificar a nota fiscal com erros.”
- ✅ “Vamos retificar a nota fiscal com erros.”
Ratificar é confirmar. Retificar é corrigir. Confundir os dois pode causar mal-entendidos.
4. Mitigar ≠ reduzir preços
- ❌ “Vamos mitigar os preços dos produtos.”
- ✅ “Vamos mitigar os impactos da inflação.”
Mitigar tem o sentido de amenizar um dano, e não de simplesmente “diminuir”.
5. Ter ≠ possuir
- ❌ “Ele possui febre desde ontem.”
- ✅ “Ele tem febre desde ontem.”
Ter é mais neutro e adequado nesse tipo de frase. Possuir sugere algo permanente ou jurídico.
Escorregões gramaticais comuns no escritório
Além dos deslizes de vocabulário, há também os erros de concordância e conjugação que aparecem com frequência no mundo corporativo. Confira os mais notórios:
1. Verbo “fazer” no tempo
- ❌ “Fazem cinco anos que trabalho aqui.”
- ✅ “Faz cinco anos que trabalho aqui.”
No sentido de tempo, fazer é impessoal e deve sempre ser usado no singular.
2. Verbo “haver” como existir
- ❌ “Houveram muitas reuniões importantes.”
- ✅ “Houve muitas reuniões importantes.”
No sentido de existir, haver também é impessoal e sempre singular.
3. Discordância com “nenhum”
- ❌ “Nenhum dos candidatos desistiram.”
- ✅ “Nenhum dos candidatos desistiu.”
O verbo deve concordar com o pronome “nenhum”, que é singular.
4. Verbos derivados de “vir” e “ter”
- ❌ “Quando nós revermos o contrato…”
- ✅ “Quando nós revirmos o contrato…”
Verbos como rever, manter e intervir seguem a conjugação de “vir” ou “ter”.
5. Concordância com “anexo”
- ❌ “Segue anexo os documentos.”
- ✅ “Seguem anexos os documentos.” ou “Seguem, em anexo, os documentos.”
Tanto o verbo quanto o adjetivo devem concordar com o substantivo.
A língua muda — e você pode acompanhar
Como lembra o professor Sérgio Nogueira, a língua está em constante evolução. Termos antes considerados incorretos hoje já aparecem em dicionários e até em gramáticas. Um bom exemplo é o verbo adequar, que tradicionalmente era defectivo (não se conjugava em todas as pessoas), mas já começa a ser aceito com flexão completa, como “eu adéquo” ou “eles adéquam”, segundo o dicionário Houaiss.
A tentativa de “falar bonito” pode levar a armadilhas linguísticas que comprometem a clareza e a credibilidade. Em vez disso, aposte na simplicidade e na correção gramatical. Com o tempo e a prática, é possível expandir o vocabulário e usar palavras mais sofisticadas com segurança. Afinal, comunicar bem é mais eficaz do que impressionar.
[ Fonte: G1.Globo ]