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Ciência

Cientistas encontraram uma nova explicação para o comportamento de asteroides perto de estrelas mortas

Uma nova pesquisa desafia modelos sobre a destruição de asteroides perto de estrelas extremamente densas. Os resultados podem transformar nossa compreensão do destino de antigos sistemas planetários.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Imagine um asteroide se aproximando de uma estrela morta, onde a gravidade é intensa o suficiente para despedaçar enormes corpos rochosos. Durante muito tempo, os cientistas acreditaram que esse encontro poderia reduzir rapidamente grande parte do material a partículas minúsculas. Entretanto, uma investigação recente encontrou uma complicação surpreendente nesse processo. O resultado ajuda a explicar um mistério astronômico e oferece novas pistas sobre o futuro dos sistemas planetários.

O que acontece quando um asteroide se aproxima de uma estrela morta?

Quando uma estrela semelhante ao Sol esgota o combustível necessário para sustentar suas reações nucleares, pode terminar sua evolução como uma anã branca.

Esses objetos possuem uma densidade extraordinária, concentrando uma quantidade enorme de massa em um volume comparável ao da Terra.

Embora não realizem mais a fusão nuclear que alimentava a estrela original, continuam emitindo calor e radiação durante bilhões de anos.

Sua gravidade também exerce efeitos intensos sobre objetos que passam nas proximidades.

Asteroides e outros corpos planetários podem sofrer forças de maré capazes de fragmentá-los.

Durante muito tempo, modelos utilizados para estudar esse fenômeno consideraram que os materiais poderiam se desintegrar progressivamente até formar partículas muito pequenas.

Entretanto, uma pesquisa publicada na revista The Astrophysical Journal Letters sugere que o processo pode acontecer de maneira diferente.

O estudo foi desenvolvido por Jordan Steckloff, Kathryn Volk e Dimitri Veras, pesquisadores ligados a instituições científicas dos Estados Unidos e do Reino Unido.

A equipe investigou como asteroides formados por agregados de rochas e partículas reagem às forças gravitacionais de uma anã branca.

Os resultados revelaram que uma propriedade física frequentemente simplificada nos modelos anteriores pode fazer uma diferença considerável.

Uma força microscópica pode impedir que enormes fragmentos virem poeira

Muitos asteroides não são blocos sólidos e uniformes.

Na realidade, alguns são estruturas compostas por inúmeras rochas e partículas que permanecem agrupadas graças à gravidade e a pequenas forças de coesão.

Entre essas interações estão as chamadas forças de Van der Waals.

Embora sejam relativamente fracas, elas ajudam a manter partículas próximas umas das outras.

Ao incluir esse efeito em seus modelos, os pesquisadores observaram um comportamento inesperado.

Em vez de toda a massa ser imediatamente reduzida a poeira, grande parte permanecia concentrada em fragmentos com dimensões entre aproximadamente 100 metros e um quilômetro.

Os cientistas chamaram esse resultado de barreira do quilômetro.

Isso não significa que os asteroides atravessem a região gravitacional sem sofrer danos.

Eles continuam podendo ser destruídos pelas forças de maré.

A diferença é que a fragmentação inicial pode produzir pedaços muito maiores do que os considerados em determinadas explicações anteriores.

Essa descoberta muda a maneira como os astrônomos interpretam a formação de materiais ao redor das anãs brancas.

O resultado cria um novo desafio para explicar os discos de poeira

Diversas anãs brancas apresentam discos de detritos associados a antigos sistemas planetários.

Esses materiais podem incluir restos de asteroides e outros corpos que sobreviveram à evolução de suas estrelas.

Uma das explicações para a movimentação da poeira envolve o efeito Poynting-Robertson.

Nesse processo, a interação com a radiação estelar faz pequenas partículas perderem gradualmente energia orbital e se deslocarem em direção à estrela.

Entretanto, existe um problema.

Fragmentos com centenas de metros de dimensão são grandes demais para sofrer uma influência significativa desse mecanismo nos mesmos intervalos de tempo.

Portanto, precisam passar por etapas adicionais de fragmentação antes de se comportarem como partículas pequenas.

Colisões entre os próprios detritos e rupturas provocadas por rotações intensas estão entre os processos que poderiam contribuir para essa transformação.

Os resultados também sugerem que os fragmentos podem permanecer distribuídos em regiões orbitais mais estreitas do que algumas previsões anteriores indicavam.

Isso pode alterar a frequência das colisões e a evolução dos discos de material.

A descoberta também oferece pistas sobre o futuro do Sistema Solar

Compreender o destino dos asteroides próximos de anãs brancas ajuda os pesquisadores a reconstruir a história de sistemas planetários antigos.

Quando uma estrela envelhece, seus planetas e pequenos corpos podem sofrer grandes alterações orbitais.

Parte desse material acaba se aproximando da estrela remanescente e pode, eventualmente, contaminar sua atmosfera com elementos provenientes de antigos objetos rochosos.

Essas assinaturas químicas permitem investigar a composição de sistemas planetários distantes.

O novo estudo sugere que o caminho entre a destruição inicial de um asteroide e sua transformação em poeira pode ser mais longo e complexo do que se imaginava.

Entretanto, os resultados ainda dependem de modelos teóricos e precisam ser aprofundados com novas investigações.

A principal descoberta é que a gravidade extrema de uma estrela morta não transforma necessariamente um asteroide em poeira de maneira imediata.

Parte de sua massa pode permanecer em grandes fragmentos, modificando nossa compreensão sobre como os restos de antigos mundos evoluem ao redor das anãs brancas.

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