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Ciência

Cientistas transformam chumbo em ouro — mas o resultado dura menos que um piscar de olhos

Pesquisadores do CERN, na Suíça, conseguiram realizar o antigo sonho dos alquimistas: transformar chumbo em ouro. Mas o feito, apesar de real, dura apenas microssegundos e não representa uma forma viável de enriquecer. Entenda como a ciência moderna chegou perto da alquimia.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Por séculos, alquimistas buscaram uma fórmula mágica para transformar metais comuns em ouro. Embora a resposta nunca tenha sido encontrada nos caldeirões da Idade Média, a física moderna, com a ajuda de aceleradores de partículas, acaba de dar um passo impressionante — e real. Cientistas do CERN, o laboratório europeu de física de partículas, conseguiram transformar átomos de chumbo em ouro, ainda que por frações ínfimas de tempo e quantidade.

Como o impossível virou realidade (mesmo que por um instante)

Chungo Em Ouro
© X/@republiqueBRA

O experimento foi realizado no maior acelerador de partículas do mundo, localizado na fronteira entre Suíça e França. Nele, núcleos de chumbo foram colididos em velocidades próximas à da luz.

O objetivo? Remover prótons dos núcleos de chumbo até que o número se igualasse ao do ouro. Para entender por quê, é preciso lembrar que o número de prótons define o elemento químico:

  • Chumbo tem 82 prótons

  • Ouro tem 79 prótons

Durante o choque violento, alguns núcleos de chumbo perderam exatamente três prótons — o suficiente para “virar” ouro.

O desafio atômico de transformar elementos

Essa mudança é possível graças à física nuclear. Ao colidir dois núcleos pesados, os cientistas criam condições tão extremas que partículas podem ser expelidas ou reagrupadas em frações de segundo.

No caso do experimento do CERN:

  • Feixes de chumbo foram lançados em sentidos opostos.

  • A colisão ocorreu a altíssima velocidade, quase à velocidade da luz.

  • Durante o impacto, parte dos núcleos perdeu três prótons, convertendo-se temporariamente em átomos de ouro.

Mas esse ouro não dura: em menos de um microssegundo, esses átomos instáveis se fragmentam ou colidem com equipamentos, desfazendo a transformação.

Quantidade? Quase nada

O experimento foi repetido diversas vezes entre 2015 e 2018. Ao longo desse período, foram criados cerca de 86 bilhões de núcleos de ouro. Parece muito, mas isso equivale a 29 trilionésimos de grama. Ou seja: absolutamente nada comercialmente aproveitável.

Além disso, a maioria desses átomos durou apenas um microssegundo antes de se desintegrar. A transformação é real, mas invisível a olho nu e inútil do ponto de vista econômico.

Por que isso ainda é importante

Apesar de não oferecer uma nova rota para enriquecer transformando metais baratos em ouro, o experimento tem grande valor científico. Ele mostra como é possível, com precisão e tecnologia, alterar a identidade de um elemento químico — algo que confirma previsões da física quântica e da teoria nuclear.

Além disso, essas pesquisas ajudam a entender fenômenos cósmicos complexos, como explosões de supernovas, onde ocorrem transformações nucleares semelhantes.

 

Fonte: G1.Globo

 

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