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Tecnologia

Claude já ajuda a criar a próxima geração de IA da Anthropic — e 30 mil agentes trabalham ao mesmo tempo

Anthropic afirma que sua IA participa de mais de 90% das tarefas de pesquisa e desenvolvimento analisadas. Em fevereiro, Claude liderava menos de 1% delas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A inteligência artificial já começou a participar diretamente da criação das próximas gerações de inteligência artificial.

A Anthropic revelou que o Claude lidera atualmente 26% das tarefas relacionadas à pesquisa e ao desenvolvimento de novos sistemas de IA dentro da empresa. Quando são incluídas atividades nas quais o modelo apenas auxilia funcionários humanos, sua participação ultrapassa 90%.

Os números fazem parte de um novo estudo publicado pelo Anthropic Institute, criado justamente para acompanhar quanto do desenvolvimento dos futuros modelos já está sendo realizado com ajuda dos próprios sistemas de IA.

E existe outro número que chama atenção: cerca de 30 mil agentes artificiais podem estar trabalhando simultaneamente em projetos internos de pesquisa e engenharia.

Claude passou de menos de 1% para 26% em seis meses

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© Runrun2 – Shutterstock.com

A Anthropic criou uma escala para medir o nível de participação da inteligência artificial nas tarefas realizadas por seus pesquisadores.

Em uma extremidade estão trabalhos executados completamente por humanos. Na outra, atividades que poderiam ser realizadas do início ao fim por um modelo sem intervenção humana.

Claude ainda não opera de maneira totalmente autônoma em nenhuma das grandes categorias de pesquisa analisadas pela empresa.

Mesmo assim, o avanço foi rápido.

Segundo os dados referentes a agosto de 2026, Claude já liderava aproximadamente 26% das tarefas avaliadas. Em fevereiro, essa proporção era inferior a 1%.

“Liderar”, nesse contexto, não significa trabalhar completamente sozinho. Significa que um funcionário pode fornecer uma orientação geral e deixar o modelo realizar praticamente todo o trabalho necessário, mantendo supervisão humana sobre o processo.

Quando também são consideradas as tarefas realizadas conjuntamente por humanos e IA, Claude aparece em mais de 90% das atividades de pesquisa e desenvolvimento analisadas.

Anthropic analisou cerca de 15 mil tarefas internas

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© Anna Moneymaker

Para tentar medir essa transformação, a empresa examinou parte do trabalho realizado por suas próprias equipes.

Durante julho, foram analisados registros, documentos e conversas profissionais para identificar quais atividades os funcionários estavam executando e qual era a participação da IA em cada uma delas.

O levantamento encontrou aproximadamente 15 mil tarefas diferentes.

Elas incluíam desde treinamento de novos modelos até manutenção da infraestrutura tecnológica e resolução de problemas internos.

A Anthropic também comparou avaliações realizadas por seus sistemas com avaliações feitas pelos próprios funcionários.

A conclusão da IA coincidiu exatamente com a avaliação humana em 59% dos casos. Quando pequenas diferenças foram aceitas, o nível de concordância chegou a 97%.

A própria empresa reconhece, porém, uma dificuldade importante: nem sempre existe uma fronteira clara entre uma IA que simplesmente auxilia uma pessoa e outra que efetivamente assume a maior parte do trabalho.

30 mil agentes podem trabalhar simultaneamente

A escala fica ainda mais impressionante quando entram em cena os agentes de IA.

Segundo o relatório da Anthropic, aproximadamente 30 mil agentes operavam simultaneamente em agosto dentro da principal plataforma interna utilizada para trabalhos de pesquisa e engenharia.

Esses sistemas recebem objetivos e conseguem executar diferentes etapas necessárias para completar uma tarefa, dependendo do nível de autonomia permitido.

A Anthropic afirma que utiliza diferentes mecanismos automáticos para supervisionar essas operações. Alguns controles podem interromper determinadas ações antes que sejam executadas, enquanto outros analisam posteriormente o comportamento dos agentes.

A preocupação não é apenas teórica. A empresa mantém uma estrutura específica para estudar riscos associados a modelos cada vez mais capazes. Seu Responsible Scaling Policy estabelece diferentes níveis de proteção e avaliação conforme as capacidades dos sistemas avançam.

Mais de 1 bilhão de decisões analisadas

Durante agosto, os mecanismos internos da Anthropic avaliaram mais de 1 bilhão de decisões tomadas pelos agentes.

Apenas cerca de 0,002% delas foram bloqueadas, aproximadamente uma em cada 47 mil.

Isso não significa necessariamente que todas as outras decisões fossem perfeitas. O número representa especificamente as ações que ultrapassaram os critérios definidos pelos sistemas de controle utilizados pela empresa.

Além disso, aproximadamente 100 mil conversas ou registros de atividade são selecionados semanalmente para procurar comportamentos que possam exigir uma análise mais detalhada.

Depois de sucessivas etapas automatizadas de filtragem, cerca de 50 casos por semana chegam diretamente a revisores humanos.

Parte do poder computacional já é dedicada à segurança

A Anthropic também tentou calcular quanto de sua infraestrutura destinada ao desenvolvimento de IA é utilizada especificamente em trabalhos relacionados à segurança.

Durante uma semana analisada em julho, aproximadamente 6% da capacidade computacional utilizada no desenvolvimento dos sistemas foi destinada a esse tipo de atividade.

Quando o cálculo considera somente os recursos utilizados por sistemas de IA envolvidos na pesquisa para desenvolver novos modelos, a proporção sobe para cerca de 12%.

A empresa ressalta que esses números representam períodos específicos e não devem ser interpretados como uma medição absoluta de todo o investimento realizado em segurança.

Ainda assim, a Anthropic pretende continuar publicando dados desse tipo.

A ideia é acompanhar uma transformação que pode ser fundamental para entender a velocidade da evolução da inteligência artificial: quanto mais os modelos ajudam pesquisadores a desenvolver modelos ainda mais avançados, maior pode ser a capacidade da própria IA de acelerar seu progresso.

Por enquanto, humanos continuam supervisionando esse processo. Mas a mudança registrada em apenas seis meses — de menos de 1% para 26% das tarefas lideradas pelo Claude — mostra por que acompanhar essa relação está se tornando cada vez mais importante.

 

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