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Tecnologia

Cofundador da iRobot diz que empresas estão jogando dinheiro fora com robôs humanoides

Rodney Brooks, um dos maiores nomes da robótica mundial, alerta que limitações técnicas e de segurança tornam inviável a obsessão atual por humanoides.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Bilhões investidos, resultados limitados

O setor de tecnologia vive uma onda de entusiasmo com os robôs humanoides. Startups e gigantes da indústria anunciam parcerias milionárias e levantam fundos com a promessa de revolucionar fábricas, armazéns e até nossas casas. Mas nem todos compartilham esse otimismo.

Rodney Brooks, cofundador da iRobot (a criadora do aspirador Roomba) e ex-professor do MIT, afirma que esses investimentos são um desperdício de recursos. Para ele, a indústria está apostando em uma “fantasia” que ainda está muito distante da realidade prática.

A mão humana é insuperável

Brooks destaca um obstáculo central: a destreza manual. A mão humana tem cerca de 17 mil receptores táteis altamente especializados, o que garante precisão e sensibilidade difíceis de reproduzir.

Segundo ele, acreditar que robôs podem aprender tarefas manuais complexas apenas observando vídeos de humanos, como sugerem empresas como Tesla e Figure, é pura ilusão. Diferente da visão computacional e do reconhecimento de voz — áreas que avançaram graças a décadas de coleta de dados —, a robótica não tem uma base comparável em informações táteis. “Não existe tradição de dados de toque como temos em imagem ou voz”, explica.

O risco da queda

Robôs Humanoides1
© Getty Images – koshinuke_mcfly

Outro desafio apontado é a segurança física. Robôs humanoides de grande porte precisam de enormes quantidades de energia apenas para se manter em pé. E essa energia se transforma em risco: se o tamanho de um modelo dobrar, a energia liberada em uma queda aumenta oito vezes.

Para Brooks, isso significa que robôs humanoides grandes podem ser potencialmente perigosos em ambientes não controlados, o que limita muito suas aplicações em escala massiva.

Dinheiro e expectativas infladas

Apesar das críticas, o dinheiro continua fluindo. A startup Apptronik levantou cerca de US$ 450 milhões, com o apoio do Google, que integrou sua divisão de robótica DeepMind ao projeto. A Figure recebeu investimentos da Microsoft e até do fundo de startups da OpenAI.

Por alguns meses, Figure e OpenAI chegaram a anunciar uma parceria para unir IA e hardware robótico. Mas em março de 2024 a empresa rompeu o acordo, alegando ter desenvolvido uma IA própria considerada um “grande avanço”.

Brooks, porém, enxerga outro cenário: “Os bilhões de dólares estão indo para experimentos de treinamento caros que nunca chegarão à produção em massa”, sentencia.

Inteligência artificial: mito e realidade

A crítica de Brooks não se limita ao hardware. Ele também aponta a superestimação da inteligência artificial no imaginário público.

Um estudo recente da organização sem fins lucrativos METR ilustra isso: 16 desenvolvedores testaram ferramentas de IA no trabalho de programação. Embora acreditassem que a produtividade havia aumentado em 20%, na prática ficaram 19% mais lentos. Para Brooks, essa discrepância mostra o risco de expectativas irreais sobre a IA.

Ao contrário de Elon Musk e outros executivos que falam em ameaças existenciais da IA, Brooks adota uma postura mais pragmática: a verdadeira barreira não é o apocalipse robótico, mas sim as limitações técnicas que a robótica ainda não superou.

Robôs que não precisam ser humanos

Robôs Humanoides (2)
© Unsplash – Possessed Photography

A visão do especialista aponta para um futuro em que os robôs mais úteis não serão humanoides. Em vez de tentar imitar a forma e os gestos humanos, eles devem adotar designs otimizados para tarefas específicas. Essa abordagem já se mostrou eficaz em máquinas industriais, aspiradores domésticos e drones, que não se parecem com pessoas, mas cumprem suas funções com eficiência.

Para Brooks, insistir na fantasia dos humanoides pode atrasar os avanços reais da robótica. “O sucesso não virá de robôs que tentam ser humanos, mas daqueles projetados para fazer melhor o que nós não fazemos bem”, resume.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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