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Tecnologia

Tesla mira más allá dos carros elétricos: por que Musk aposta tudo em robôs humanoides

Mesmo com queda nos lucros e desempenho fraco na bolsa, Elon Musk garante que o futuro da Tesla não está nos carros, mas sim na robótica. O projeto Optimus, de humanoides autônomos, virou a nova aposta da empresa — mas analistas veem riscos e dúvidas nesse caminho.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante anos, a Tesla foi sinônimo de inovação em veículos elétricos e de valorização astronômica na bolsa. Hoje, porém, o cenário é mais complexo: as vendas estagnaram, a concorrência aumentou e os investidores buscam sinais de crescimento futuro. A resposta de Elon Musk foi clara: transformar a Tesla em uma companhia de inteligência artificial e robótica.

O futuro segundo Musk

Elon Musk Simulacao
© Shutterstock / Frederic Legrand – COMEO.

No X (antigo Twitter), Musk afirmou que “80% do valor da Tesla será Optimus”, em referência ao projeto de robôs humanoides que a empresa vem desenvolvendo. A visão é ousada: imaginar um futuro em que máquinas bípedes substituam parte da mão de obra humana em tarefas industriais e domésticas.

A ideia, no entanto, ainda está distante de gerar caixa. Outros projetos futuristas da Tesla, como os robotáxis totalmente autônomos, também seguem sem resultados comerciais concretos.

Um preço digno da bolha tech

Enquanto o futuro não chega, os números atuais preocupam. As previsões indicam que os lucros da Tesla devem cair cerca de 30% em 2025. Mesmo assim, a ação negocia a 155 vezes os ganhos projetados, um múltiplo que lembra os excessos de 2021 no mercado de tecnologia.

Esse valuation coloca a Tesla como a empresa mais cara entre os “Sete Magníficos” — grupo que inclui Apple, Microsoft, Meta, Amazon, Alphabet, Nvidia e a própria Tesla. Para comparação, a Nvidia, epicentro da corrida da IA, negocia a 31 vezes os lucros.

Ceticismo entre analistas

Para parte do mercado, a aposta em robótica é um movimento narrativo: oferecer uma nova história de crescimento em meio à estagnação. “Tesla tem preço de empresa em expansão, mas está há dois anos com receitas praticamente paradas”, aponta Dmitry Shlyapnikov, da Horizon Investments.

Outros especialistas alertam que ainda não está claro se existe demanda real para robôs humanoides e se a Tesla conseguirá entregar um produto viável em escala.

Obstáculos no caminho

O contexto global também pressiona. A desaceleração da demanda por carros elétricos, tarifas mais altas em mercados estratégicos e a perda de confiança no negócio autônomo minaram o desempenho da Tesla. Em 2025, as ações já acumulam queda de mais de 10%, figurando entre as 100 piores do S&P 500.

Ainda assim, Musk mantém o entusiasmo. Para muitos investidores, a Tesla não é apenas uma montadora, mas sim um veículo de aposta no carisma e na visão de seu fundador. “Se você acredita que Musk é um gênio que mudará o mundo, Tesla é a ação que precisa ter”, resume Shlyapnikov.

A questão do Optimus

Robôs Humanoides (2)
© TESLA

O verdadeiro teste, portanto, será o Optimus. Se os robôs humanoides da Tesla conseguirem sair do estágio de protótipo para aplicações reais, Musk poderá sustentar a narrativa de que sua empresa não é apenas automotiva, mas uma gigante de IA.

Se falhar, a Tesla corre o risco de ser vista como mais uma companhia cara demais para o que realmente entrega.

 

Com lucros em queda e ações entre as piores do S&P 500, Tesla aposta em um novo motor narrativo: a robótica. Musk garante que o futuro da empresa será o Optimus, seu projeto de robôs humanoides. Analistas, porém, questionam se haverá demanda real e viabilidade para sustentar essa visão.

 

[ Fonte: Dólar Hoy ]

 

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